Diálogo Petista 49

Na véspera do 4º Encontro Nacional,

10-11 de dezembro, em SP

FORTALEZA DISCUTE

Dia 18 de novembro, em Fortaleza (CE), numa reunião do Diálogo Petista, 14 companheiros discutiram algumas das questões remetidas ao 4º Encontro Nacional do Diálogo.

Convidado, Edmilson Menezes, do PT-PE e membro da Coordenação Nacional do Diálogo, abriu com uma exposição sobre a conjuntura, integrando iniciativas e campanhas em curso, como pela Retirada das Tropas do Haiti e pela Revogação da Lei das Organizações Sociais (OS’s), ambas apoiadas pelo DP, além das eleições em 2012, onde destacou as candidaturas próprias do PT.

Nove dos catorze presentes tomaram a palavra, travando um rico debate onde foram levantadas verdadeiras questões, tais como:

  • O governo da Dilma teria as condições de adotar, aqui, medidas como as que estão sendo aplicadas pelos governos “socialistas” na Europa? A direção do PT assinaria embaixo? E nós, do DP, numa situação dessas, o que deveríamos fazer?
  • Há um sentimento de rejeição na base sobre o aliancismo desbragado, mas a base está muito tímida, não está reagindo para barrar isso. O que poderíamos fazer para ajudar essa reação se expressar?
  • O PT mudou de foco: deixou de ser um partido da classe trabalhadora para ser um partido de todos do Brasil. Não é mais possível dar marcha ré (voltar ao PT das origens), a não ser que haja um grande choque e, cá entre nós, vamos combinar, isso não vai acontecer!

“Não pedimos licença”

Na sua resposta, Edmilson disse que o DP não precisa pedir permissão à direção do partido para decidir o que fazer – que iniciativas e campanhas fará para ajudar a agrupar a resistência dos trabalhadores – caso, eventualmente, medidas como aquelas venham a ser generalizadas pelo governo de Dilma.

Exemplificou com as campanhas já em curso (Haiti e OS’s).

Sobre se a direção do PT avalizaria tais medidas, com realismo do que é a direção atual e a bancada federal, considerou que a questão que realmente se coloca é outra, a saber: a direção da CUT aceitaria e defenderia tais medidas junto às categorias?

Em relação ao “aliancismo desbragado” com os partidos pró-imperialistas, a questão deve ser enfrentada, a começar da defesa das candidaturas próprias do PT nas eleições em 2012, sobre a base de uma plataforma que afirme as reivindicações populares e aponte outra política do governo Dilma, voltada para o atendimento dessas reivindicações da população (saúde, educação, moradia etc.) e não dos especuladores.

“Vem um choque”

Sobre a situação do PT, respondeu que mesmo diante da política da direção que desvirtua o PT, os trabalhadores seguem ainda reconhecendo o PT como o seu partido.

O que coloca para todos nós que estamos no Diálogo Petista a tarefa de agrupar ao máximo no terreno do PT todos que resistem, até para evitar uma perigosa dispersão. É para isso que discutimos um conjunto de medidas alternativas que este governo deveria e poderia adotar para proteger a nação da crise.

Assim, se busca reunir as melhores condições para ajudar os trabalhadores a se prepararem para o choque que se aproxima como produto da crise capitalista, decorrente da situação dos EUA (que se mantém com a crise aberta em 2007/2008), do repique da crise na Europa, antecedida pelos processos ainda em curso no Magrebe.

Essa crise gerou uma política que aqui no Brasil já se pode sentir: corte de 50 bilhões do orçamento com duras consequências, negativa de reajuste salarial dos servidores, descumprimento da Lei do Piso, prorrogação da DRU, privatização dos aeroportos. E uma primeira consequência, a queda da atividade econômica em 0,32% no terceiro trimestre deste ano em relação ao trimestre anterior.

Porque, sim, é o choque que está à nossa frente, mesmo se não podemos predizer exatamente quais serão as suas consequências no PT.

No final foram levantados os nomes de uma sindicalista e um militante do PT para delegados ao 4º ENDP, mas como a agenda sindical infelizmente não permitia a sindicalista, foi o militante quem aceitou a indicação, e todos os presentes assumiram o compromisso de buscar viabilizar a arrecadação para a sua ida ao Encontro Nacional.


DE BAIXO PARA CIMA

Contribuição de Olívio Dutra

Olívio Dutra, ex-governador do RS e fundador do PT, esteve, a convite, na reunião da Coordenação Nacional do Diálogo, no dia 4 de novembro. A sua exposição será publicada como contribuição ao debate no 4º ENDP. Abaixo, um trecho: “O PT nasceu para lutar por uma sociedade sem explorados e sem exploradores. O PT nasceu com a ideia de que o povo devia ser o sujeito de sua história, o que marcou os seus primeiros momentos.

Mas, na medida em que conquistou mandatos em vários níveis, a coisa ficou ‘fosca’, perderam nitidez as suas convicções e perspectivas.

Houve uma acomodação na ocupação das máquinas institucionais, inclusive no judiciário.

Depois dos dois mandatos de Lula, o Estado não foi mexido na sua essência. O primeiro mandato foi de grande pragmatismo, com a habilidade de Lula e equipe no equilíbrio do governo, em que o PT era um numa composição. A política de partilhar pedaços do Estado já vinha de antes, por exemplo, em governos estaduais. O segundo mandato, ao invés de recuperar o protagonismo do PT, repetiu o primeiro.

Ela (Dilma) tem clareza sobre como funciona o Estado. Mas, a composição do governo é um limitador. Ela não vai alterar o funcionamento do Estado, no qual o próprio Lula não mexeu. Para mexer nisso, tem que ser de baixo para cima!

Então aí está o papel do partido, não pode se acomodar. O PT não se esgotou, mas tem que discutir a si mesmo e com o povo as questões estruturais”.


CADERNO

DOCUMENTOS DAS

ORIGENS DO PT

DocOrigPTHá poucos dias do 4º Encontro, prosseguem as reuniões preparatórias que discutem as questões abordadas na Carta-Convite e integram questões locais.

Discutem também os meios de arrecadação para enviar seus representantes para Encontro em São Paulo. Para ajudar na arrecadação, a Coordenação Nacional publicou o caderno “Documentos das Origens do PT”, com três documentos fundadores do PT – o Manifesto, o Programa de Fundação e o Discurso de Lula na 1ª Convenção Nacional – que podem ser vendidos ao preço básico de R$ 10,00.

Como se trata de documentos de difícil acesso, que poucos dispõe, se propõe a venda em lotes para Diretórios, a Pré-candidatos a vereador e a Gabinetes de parlamentares, de modo a ajudar a financiar o envio das delegações.

Os delegados de São Paulo pagam uma taxa de inscrição de R$ 10,00 para ajudar na hospedagem dos de fora que precisarem de alojamento. Haverá pernoite com café da manhã a preços populares – entre R$ 30,00 e 70,00 a diária – nas proximidades do local do Encontro.