Diálogo Petista 54

3ª REUNIÃO DA COORDENAÇÃO  NACIONAL  DO DIÁLOGO PETISTA

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A partir da esquerda: vereador Antonio Battisti, São José-SC, Julio Turra, executiva da CUT, Danilo “Caçapava”, Executiva PT-Porto Alegre, Vera Lúcia, Fórum da Reforma Agrária-DF, Markus Sokol, DN-PT, Edmilson Menezes, PT-PE

 

Nesta sua reunião (foto), dia 23 de março em São Paulo, a Coordenação desenvolveu, sobre a base de um roteiro prévio (v. edição anterior), um rico intercambio que permitiu um conjunto de decisões e encaminhamentos. Foram ainda integrados na discussão o manifesto dos familiares de desaparecidos políticos de São Paulo, a carta vinda do Paraná aos deputados do PT contra a privatização da Embrapa, uma declaração de dirigentes da CUT contra a parceria com os patrões, o novo boletim no. 2 do Comitê Haiti, e uma declaração da 4ª Internacional sobre a situação na Síria.

No debate, um companheiro destacou os efeitos do rebatimento da crise mundial já agora nas Américas, independentemente dos atuais governos de diferentes países onde as reforma de fundo (reforma agrária) não foram feitas. No Brasil, registrou, um governo de “ampla coalizão de interesses contraditórios (capital e trabalho)”, onde a burguesia grita por desoneração da folha de pagamento, principalmente da contribuição previdenciária. O que repercute na CUT, com a proposta de parceria de trabalhadores e patrões criticada na declaração.

Outro companheiro destacou as contradições que aparecem, como na privatização dos aeroportos que se deve debater no próprio PT: é desinibição da direita ou somos nós que estamos aderindo?

E, “em sendo um ano eleitoral”, registrou a importância da decisão do Encontro Municipal que lançou a candidatura própria de PT de Adão Villaverde à prefeitura de Porto Alegre, incluir na plataforma o “não a privatização,  terceirização e concessão” ao setor privado.

Uma companheira enfatizou a privatização draconiana da previdência complementar dos servidores cujo fundo será administrado pelos bancos. E retomou que “a gente deve resgatar as bandeiras do PT, como a reforma agrária”,  deixada de lado no 2º mandato de Lula à medida em que o empresariado ganhava força (lembrou que “o assentamento de FHC era mais fácil, na época fazendeiros em risco de falência ‘pediam’ para desapropriar terra que não tinha comparador”), pois afinal a terra deve garantir a soberania alimentar, e não a especulação.

Um companheiro engajado na organização do Debate com Olívio em sua cidade, relatou as adesões e o interesse que a atividade já está tendo em setores exteriores ao DP, ou que agora tomam contato. “Politicamente”, destacou, “já é ora de discutirmos o que vamos pensar em propor nestes debates, e como eles podem ajudar na construção do próprio DP”.

 

REDUÇÃO DO “CUSTO BRASIL”  X  PROTEÇÃO DA NAÇÃO E DOS TRABALHADORES

Outro companheiro questionou o governo que nega uma crise, mas por antecipação toma medidas em prol dos empresários: “essa desoneração”, criticou, “é a redução do custo Brasil”, que devemos rejeitar e defender o fim do fator previdenciário. Considerou ainda que, na conjuntura, era positiva, de certo modo, a chantagem dos partidos como o PMDB e o PDT, pois desmascarava os seus projetos. Concluindo daí que se deveria antecipar a discussão do lançamento do Manifesto comum dos pré-candidatos a vereador e prefeito ligados ao Diálogo Petista.

Por fim, no arremate da discussão, se ponderou que o governo que hoje nega a crise amanhã falará de “crise importada”, como fizeram governos de outros países para justificar as mesmas medidas que no fim prepararam o estouro da crise na Europa. Não tem saída fácil, estamos frente à uma crise de sistema: os próprios porta-vozes das finanças internacionais já “alertam que está falhando a locomotiva dos emergentes (Brics) para sair da crise”, eles não querem saber de soberania, e advertem que “o Brasil vai ter que se acostumar ao câmbio alto”.

E, por exemplo, o líder sindical dos metalúrgicos de Manaus, reagindo às 5 mil demissões em 3 meses na Zona Franca, já diz que não adianta taxar importados se depois abaixam os preços – de fato, é preciso centralizar o câmbio para de fato defender o emprego.

Na verdade, nós é que temos que subir o tom, pois “nada é inevitável, o governo tem é que adotar uma Outra Política para realmente defender os trabalhadores, tem que centralizar o câmbio, derrubar os juros, acabar o superávit primário, e fazer a reforma agrária e outras reformas populares”.  Este debate vai acabar atravessando a campanha eleitoral neste ano.


5 CONCLUSÕES

 

Entre as decisões adotadas pela Coordenação estão:

A) Popularizar em artigos na Pagina DP e no site algumas questões que desdobram a Outra Política que exigimos:
– a proteção da nação e a defesa do trabalhador
– a necessidade da reforma agrária
– o desafio da Comissão Verdade
– porque retirar as tropas do Haiti
– alternativa ao Fundo de Previdência Complementar

B) Preparar o Projeto de Manifesto de candidatos a vereador e prefeitos até o mês que vem;
C) Divulgar e apoiar os “Debates Com Olívio” que já estão convocados em Salvador, Recife, São Paulo e Curitiba;
D) Orientar as reuniões locais do DP a puxar Comitês amplos da Jornada Continental “Retirada do Haiti” (1º/junho);
E) Articular a Audiência com o ministro sobre o abaixo-assinado pela Revogação da Lei das OS’s


INFORMES

 

 

Repressão: o vereador Battisti, informou a brutal repressão do governo municipal de Djalma Berger de S. José (SC), contra o Sintram, o sindicato dos municipais, com a prisão ilegal de três dirigentes pela PM (já soltos). A participação do PT nesse governo do PSB fica completamente insustentável. Decidiu-se por uma campanha de moções ao governador pedindo a demissão do comandante da operação.

AcIT: Julio Turra, da CUT,
informou as decisões da reunião da Coordenação do Acordo Internacional dos Trabalhadores (15-16 de março, em Paris), que abordou: os resultados da Conferencia de Argel Contra a Ingerência Imperialista na Líbia; a situação na Índia depois da greve geral de 120 milhões (o AcIT foi convidado a enviar uma delegação); a situação na Europa onde o AcIT apoia a organização de uma conferencia em junho; e a participação na reunião-anual por ocasião da assembleia da OIT, em Genebra; além do funcionamento do próprio AcIT.

 


 

Sindicalistas e militantes reunidos no Diálogo Petista de Curitiba (19/3) adotaram a seguinte iniciativa nacional:

 

 

AOS PARLAMENTARES DO PT NO CONGRESSO NACIONAL

Companheiros,

Resolvemos nos dirigir a vocês com o objetivo de que intercedam para que o PL 222/08, do senador Delcídio Amaral (PT-MS), que propõe transformar a EMBRAPA em empresa de economia mista, seja retirado de tramitação.
A EMBRAPA é uma empresa estatal estratégica para a produção de alimentos e não pode transferir seus conhecimentos nem colocar seu patrimônio material e humano a serviço das multinacionais. A venda de ações da EMBRAPA na Bolsa de Valores certamente tornará acionistas empresas como a Monsanto, Bunge, Singenta e outras, que terão acesso a um enorme banco de dados de nossas culturas agrícolas nacionais.
A agricultura familiar, a soberania alimentar nacional tem necessidade de uma EMBRAPA estatal.
Privatizar patrimônio público não faz parte do ideário do PT e o combate às privatizações foi o divisor de águas nas campanhas presidenciais.
Nos somamos aos trabalhadores da EMBRAPA, ao seu sindicato, SINPAF, e ao MST e exigimos que este Projeto seja retirado de tramitação.
A bancada federal do PT não deve deixar prosperar – ainda mais pelas mãos de um senador do partido – proposta que servirá de bandeira à bancada ruralista do agronegócio que exigirá sua sanção presidencial.

Assinam: Alfeo Capellari (Prof Cafu) – diretório estadual PR ; Cláudio A. Ribeiro – fundador do PT no PR; Heitor Rubens Raymundo – diretor do Sindseab PR; André Castello Branco – Presidente da Zonal Matriz Curitiba; Gustavo Erwin Kuss (Red) – Coordenação CMS PR; Anísio Garcez Homem – Zonal Matriz Curitiba; Ney Jansen – diretório Matriz Curitiba; David Zanette – diretor sindicato bancários; Marina de Godoy – diretório Matriz Curitiba; Ana Paula Busato – diretora sindicato dos bancários