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Diálogo Itinerante em Belo Horizonte

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Mesa de abertura (da esquerda para direita): Adriana Lara, vereadora de Vespasiano; André Quintão, deputado estadual; Betão, vereador de Juiz de Fora; Marcelo D’Agostini, membro do Diretório Estadual e do DAP; Pedro Patrus, vereador de Belo Horizonte; Conrado Baptista, vereador de Santos Dumont.

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Mesa de Debate (da esquerda para direita): Carlos Magno, membro da Executiva da CUT-MG; Sumara Ribeiro, membro do Diretório Estadual e DAP; Markus Sokol, DNPT e coordenação nacional DAP

Moção

Defender e Reconstruir o PT

O golpe reacionário pró-imperialista do impeachment contra a presidente Dilma, legitimamente eleita, criou uma situação de emergência nacional para o povo brasileiro. O golpe expôs as contradições de 13 anos de governo que também contribuiu para levar a essa derrota, mergulhando o nosso partido em uma crise profunda. A própria existência do PT está em risco, mas nós, militantes reunidos no “Diálogo Itinerante” em Belo Horizonte, combatemos contra esse caminho e nos associamos à discussão no interior do partido por sua reconstrução.

A perseguição ao companheiro Lula, como antes a outras lideranças e dirigentes do PT, é parte de uma operação voltada para destruir o partido e as organizações dos trabalhadores e das trabalhadoras.

Num momento de crise e de fragilidade do nosso partido é fundamental a continuidade dessa discussão entre militantes petistas e nos dispomos a realizar reuniões do Diálogo Itinerante no maior número de cidades e regiões.

Desde já, companheiros e companheiras presentes se comprometem a realiza-la na região da Zona da Mata, Triângulo, Vale do Aço e na região metropolitana.

Belo Horizonte, 26 de novembro de 2016.

Presentes militantes das cidades: Belo Horizonte, Contagem, Nova Lima, Vespasiano, Juiz de Fora, Santos Dumont, Uberlândia e Uberaba

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Em pauta, a reconstrução do PT!

Duas atividades do Diálogo Itinerante, uma em Recife e outra em Brasília, atraíram petistas de várias origens, dispostos a se engajar na Reconstrução do PT. Essas duas atividades também adotaram, além dos pontos destacados para a discussão (ver edição anterior) moções pedindo que a Executiva Nacional do PT renuncie na próxima reunião do Diretório Nacional, dia 10 de novembro, dando lugar a uma executiva de transição que prepare o congresso do partido previsto para o início de 2017.

Reunindo quase 200 companheiros, os dois atos foram marcados por um amplo debate sobre a conjuntura, as razões da derrota eleitoral do PT e as saídas para a crise.

Nos dois atos, houve consenso de que o momento é muito grave, que o PT sofreu uma derrota histórica nas eleições municipais, seguindo-se ao golpe contra o mandato popular atribuído à presidente Dilma Rousseff; que os ataques aos trabalhadores e seus direitos vão se aprofundar e que é necessário que o PT adote uma outra política: fora Temer, nenhum direito a menos, diretas já e Constituinte para uma profunda reforma política, abrindo as portas para as demais reformas de que o país necessita. Chega de conciliação, chega de adaptação a essas instituições apodrecidas.

Em Recife – 7/10

di-recife-2Cerca de 100 militantes participaram em Recife do Diálogo Itinerante pela Reconstrução do PT, no dia 7 de outubro. Além da capital, os participantes vieram de municípios da região metropolitana (Olinda, Paulista, Jaboatão dos Guararapes, Camaragibe e Cabo de Santo Agostinho), além de Parnamirim e Serra Talhada, no interior de Pernambuco.

A mesa do Ato foi dirigida por Jacqueline Albuquerque, servidora do TRT, e composta por Luiz Eduardo Greenhalgh (Comitê Nacional do Diálogo e Ação Petista), Fernando Ferro (Avante Socialismo Século 21), Edmilson Menezes (Corrente O Trabalho) e Zé de Oliveira (O Quilombo Petista). Entre os presentes havia vários dirigentes sindicais e do PT, além de candidatos nas últimas eleições municipais em Recife, Olinda e Jaboatão.

Após um rico debate com mais de uma dezena de falas do plenário, resposta e considerações finais pelos integrantes da mesa, foi lida em nome dos seus componentes uma Declaração, integrando os “Pontos de Reconstrução”, com um apelo à Executiva Nacional do PT para que “coloque seus cargos à disposição do Diretório Nacional na sua próxima reunião, para que permita uma recomposição da direção através da formação de uma Executiva de Transição que encaminhe o 6º Congresso do PT, convocado para o 1º semestre de 2017”. O Congresso, além de eleger um novo Diretório Nacional, deve adotar uma orientação política para o próximo perí- odo, dando conta de questões urgentes como o apoio à Greve Geral, o Fora Temer, as Diretas Já e a convocação de uma Constituinte para fazer a Reforma Política.

Além dessa declaração, foi encaminhada a proposta de engajamento no 2º turno das eleições em Recife, na campanha de João

Paulo, através de um Comitê do Diálogo Itinerante. Ficou também decidido que após o 2º turno, serão realizados novos Atos do Diálogo Itinerante, em outras cidades de Pernambuco.

Em Brasília – 10/10

Cerca de 60 militantes estavam presentes no ato de Brasília, cuja mesa foi composta por Sérgio Ronaldo (secretário geral do Condsef e membro do Comitê Nacional do Diálogo e Ação Petista); Roberto Miguel (secretário sindical do PT/DF e integrante da direção nacional da CUT e da corrente Articulação Unidade da Luta); e Markus Sokol (da Direção Nacional do PT e Comitê Nacional do DAP).

O ato teve a presença de outros quadros importantes, como Jacy Afonso, ex-membro da direção nacional da CUT, além de jovens da CNB e dirigentes sindicais, como Rosilene (Sinpro).

Renúncia da Direção

A mesa do ato propôs que se adotasse uma declaração pedindo que a Executiva Nacional entregasse os cargos ao DN, declaração semelhante à adotada na atividade em Recife. Jacy Afonso lembrou que a Articulação Unidade na Luta, corrente da qual faz parte e que integra a CNB, defendeu a destituição da direção do PT-DF após a derrota do Agnelo em 2014. Ele reconheceu a atividade do DAP e seu papel na luta contra a AP 470 e na defesa de José Dirceu, Genoíno, João Paulo e Delúbio, assim como na luta pela Constituinte.

Na Declaração, além do apelo à renúncia da Executiva Nacional, afirma-se a decisão de “prosseguir juntos no Diálogo Itinerante na luta pela Reconstrução do PT, em torno dos seguintes pontos que integramos e submetemos ao livre debate junto à militância do PT” (seguem os 17 pontos aprovados no lançamento nacional do manifesto Pela Reconstrução do PT).

Nas duas atividades, em Recife e Brasília, as mesas reafirmaram o compromisso com o “fim do PED” – um dos 17 Pontos da Reconstrução –, como parte do processo de eleição das novas direções do PT, a partir de encontros de delegados.

Fortalecer o DAP, pela reconstrução do PT

Num momento muito grave para nosso partido, tem enorme importância o fortalecimento do Diálogo e Ação Petista. E isso passa pela sua sustentação financeira. O DAP tem como norma pedir a contribuição de cada integrante do valor correspondente a um cafezinho (R$ 5,00), tal como era no PT.

Contribuir financeiramente para o DAP é ajudar na luta pela reconstrução do PT.

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Ato em defesa do PT em Salvador contra invasão da sede pela Polícia Federal

Dezenas de petistas participaram do ato em defesa do PT em frente a sede do partido no bairro do Rio Vermelho em Salvador dia 4/10.

Ato ocorreu em repúdio a invasão à sede do PT BA no mesmo dia.

A Polícia Federal arrombou a sede, várias salas e remexeram o q puderam. A pirotecnia inclui trancamento de rua e diversos homens fortemente armados. Tinham mandato judicial generico e sem qualquer justificativa.

Disseram buscar documentos q “provassem” suposta propina na candidatura do governador Rui Costa do PT nas eleições de 2014 segundo delaçoes da Lava Jato.

A direção do PT e a bancada de deputados estaduais, corretamente, repudiaram esta invasão pois o q pegaram ja é público na prestação de contas no TRE.

Com palavras de ordem contra Estado de exceçao instalado no país,  onde se condena sem provas, e “Fora Temer”, os militantes carregavam bandeiras e cartazes, como o do Dialogo e Ação Petista que dizia “EM DEFESA DO PT”.

Estiveram presentes o presidente  da CUT, representantes do PCdoB, da CTB, do movimento negro e da Juventude Revolução.

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Da esquerda para a direita em cima – presidente da CUT BA Cedro Silva e presidente do PT BA Everaldo Anunciação. Embaixo – Dorinha da CUT, vereadora do PCdoB Aladilce , deputada estadual do PT Fátima Nunes, vereadora do PT Marta Rodrigues e vice-presidente da CUT BA Cristina.

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Urge tirar conclusões da derrota

Primeiros elementos para uma avaliação do 1º turno das eleições municipais de 2016

“Humilhação nacional do PT em eleições municipais”, é a avaliação de um porta-voz do mercado, o inglês Financial Times, que acentua a oportunidade agora de “reformas fiscais cruciais” mas, ao mesmo tempo, se preocupa que a “fragmentação do voto torna a eleição presidencial ainda mais imprevisível”.

De fato, com uma redução 10 milhões de votos (de 17,2 para 6,8 milhões) e 60% de prefeituras em relação a 2012, o PT é o maior derrotado. Mas o maior vitorioso não é ninguém, senão a Abstenção-Branco-Nulo, cuja soma beira 30%, quase 40 milhões (dados do R7). Nas 92 cidades de mais de 200 mil habitantes é 1/3 do eleitorado (32,5%, quando foi 27,2% em 2012), a ponto de em 10 Capitais estaduais ficar em 1o lugar!

Na verdade, a “vitória” da Abstenção-Branco-Nulo (A-B-N) retoma elementos de junho de 2013, aprofundando o perigoso fosso entre o povo e as instituições de representação. O que realça a necessidade da reforma política que só uma Constituinte Soberana pode fazer.

Não é certo dizer que o Brasil foi para a direita. Não, quando os bancários completam quatro semanas de uma dura greve nacional, e quando a CUT, saindo de um dia de “esquenta”, segue na preparação de uma greve geral por Nenhum Direito a Menos, ora em discussão com as centrais sindicais para novembro.

Afinal, o PSDB cresceu, mas de 14 para 17,6 milhões de votos (dados G1), com a legislação de encomenda para doação de candidatos-milionários. O DEM parceiro foi de 4,6 para 4,9 milhões. Mas o PMDB alçado à presidência, caiu de 17 para 14,9 milhões. Todos eles juntos, o eixo do golpe, não cresceram muito – o golpista Temer teve que ir votar escondido!

Também não houve a cantada ascensão do PSOL como “herdeiro” do PT, pois caiu de 2,4 para 2,1 milhões (o PCdoB caiu de 1,9 para 1,8 milhões).

A hora é muito grave – Reconstrução!

O exame cuidadoso dos resultados das forças políticas, todavia, não permite subestimar a derrota eleitoral histórica do PT. Não foi uma surpresa o recuo, depois do impeachment, na esteira da perseguição ao PT e a Lula. Mas cair de 644 prefeituras em 2012, para 256 em 2012, é a maior derrota da vida do PT, que não mudará nas importantes disputas de 2o Turno em Recife, Juiz de Fora ou Santo André e outras cidades.

Pois o recuo se encadeia com o crescimento regular da A-B-N nas últimas eleições, enquanto o PT caía nos grandes centros e no “cinturão vermelho”, em S. Paulo. Já no 2o Turno de 2014, o PT perdeu aí – aonde está a sua base histórica -, antecipando o cenário atual, em que concentra (57,4%) prefeituras de cidades de menos de 10 mil habitantes ou, na cidade de S. Paulo, onde tem o melhor resultado no bairro de Pinheiros.

Sejamos claros: há a perseguição da Lava Jato que vem do “mensalão” há 10 anos, mas também há a frustração profunda da base social do PT, que vem de longe. Porque apesar de certas conquistas, a desigualdade continua e as reformas populares de fundo não foram feitas – não precisamos enumerá-las aqui. Prevaleceu a adaptação às instituições herdadas. Sobrou “conciliação” com  o inimigo.

O governo, como se sabe, depois do 2o Turno de 2014, retribuiu com Levy, primeiro, Barbosa, depois, com as medidas de ajuste fiscal. Como se não bastasse manter o traíra Temer vice-presidente, em nome da mal-fadada aliança nacional com o PMDB. Deu no que deu!

Agora, é a hora da Reconstrução do PT.

As condições existem, apesar de tudo, a base social ainda não “trocou de partido”, a relação pode ser reatada. E como o grande capital internacional não deixa outra saída, senão a luta contra as medidas impopulares anunciadas, é nesta quadra à frente, e não às nossas costas, que se jogará o futuro do PT se, e somente, se ligar totalmente a este movimento.

O que começa agora, já, orientando claramente para o 2o turno municipal: voto no PT e nos candidatos passíveis de apoio pela resolução do DN, isto é, Nenhum Voto em Golpista!

É o que defendemos com os companheiros do Diálogo e Ação Petista, e estaremos levando à discussão nos atos e debates do Diálogo Itinerante que começam agora.

Renuncia da direção

Nossas opiniões são conhecidas, no PT se discute. Mas, agora, se trata de algo mais, se trata de tirar algumas conclusões com urgência.

Num partido de representação sério e responsável, com expressão institucional, em qualquer país civilizado, uma derrota eleitoral como esta daria lugar a única medida compatível: a renúncia da direção. Não pessoas, a direção.

É um sinal vital para a base da disposição de mudar, é uma satisfação mínima ao quadros e militantes que batalharam. E é também uma necessidade para evitar a precipitação e a insensatez.

Não se trata apenas de discutir quando será o Congresso “plenipotenciário”, se elege direção, com delegados eleitos em encontros de base e não mais o falido PED, como defendemos, mas de criar as condições para uma direção com autoridade política e disposição para conduzir o processo congressual.

A Comissão Executiva Nacional deve entregar os cargos ao Diretório Nacional que a elegeu, o quanto antes, para que uma “Executiva Provisória” (ou como se chame), com os melhores quadros por ele designados, encaminhe o Congresso convocado que constitua um novo Diretório Nacional e uma nova orientação.

É nossa responsabilidade coletiva para com as companheiras e companheiros que construíram esse partido, que vivem para o partido e não do partido!

Com todos os problemas, eles lutaram com o PT contra o golpe, chegamos até aqui. Os dirigentes é que precisam, ainda mais, ter a coragem de oferecer-lhes a esperança de darmos juntos, a volta por cima.

São Paulo, 4 de Outubro de 2015

Markus Sokol, membro do DN-PT

 

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#StandWithLula #EstamosComLula

“O mundo está vendo. Inclua seu nome para também ficar ao lado do Lula!” Com esse apelo, a Central SindicaI Internacional (CSI), à qual a CUT é filiada, lançou uma campanha mundial de solidariedade com Lula, em Nova Iorque, no dia 20, véspera da decisão do juiz Moro aceitar a denuncia dos procuradores de Curitiba contra ele.

Em poucos dias, 27 mil adesões foram registradas no site www.standwithlula.org. Esse é, na verdade, o primeiro passo de uma campanha internacional que está começando.

O Acordo Internacional dos Trabalhadores, desde o dia 23, publicou uma Nota Informativa dirigida “a todas organizaçõees q ue lutam com o AcIT e ao movimento dos trabalhadores”, em que, “no marco da campanha ‘Estamos con Lula!’, chama a multiplicar as tomadas de posição e iniciativas, sob todas formas, para ajudar à luta dos militantes brasileiros para exigir o fim da perseguição a Lula”.

A Nota assinada pelos dois coordenadores do AcIT, Luisa Hanune , deputada e secretaria general del PT de Argelia, e Geoffrey Excoffon, da direção do Partido Operário Independente (França), avalia que “este ataque contra Lula é um ataque contra o PT, contra a CUT, contra todas as organizações dos trabalhadores e contra a própria democracia. Pretende facilitar a realização do plano antioperário do governo usurpador de Temer”.

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Escalada da Lava Jato contra Lula e o PT – estado de exceção instalado

Markus Sokol

Uma breve nota na capa da edição 794 de O Trabalho, escrita no momento do fechamento (14/9), caracteriza claramente a tentativa de “proscrição política” de Lula:

“ESCALADA: antes indiciado, Lula foi denunciado pela primeira vez na Operação Lava Jato. O procurador Dallagnol acusa-o de ser o ‘general’ e o ‘comandante máximo da propinocracia’. O argumento é, em si, um escândalo: ele ‘estava no topo da pirâmide do poder’. Mas era o presidente da República! Sem qualquer prova, tentam a proscrição política de Lula”.

A partir daí, se vê plenamente instalado o regime de exceção no país.

Primeiro, foi o impeachment sem crime de responsabilidade no Senado, “pelo conjunto da obra”, tentaram explicar. Agora, a Lava Jato denuncia Lula “sem provas, mas com convicção”, nos explicam!

A pirotecnia midiática é o acessório. O completo desvio de função da procuradoria, a serviço de um objetivo de perseguição política imediato, é o fato principal neste engendro. Ele pretende soterrar os escombros do direito elementar de defesa, debaixo de um “clamor público” fabricado por instituições corrompidas, ainda mais em véspera de eleições municipais que se quer influenciar.

O golpe de Estado, apoiado pelo imperialismo, se desenvolve e aprofunda. A democracia está sendo negada, os direitos constitucionais vilipendiados.

72 horas depois da denuncia de Lula – apesar da revolta de muitos e do mal-estar evidente nos meios jurídicos -, nenhuma autoridade do Estado, nem o Procurador Geral da República, nem qualquer um dos egrégios membros do Supremo Tribunal Federal, tampouco suas excelências, os presidentes das duas casas do Congresso Nacional, nem, é obvio, os titulares do governo golpista, ninguém disse nada (o Conselho Nacional do Ministério Público, dia 16, negou o recurso dos advogados de Lula).

Então, são todos responsáveis!

Lula, em pronunciamento na tarde do dia 15, ligou esse ataque à redução dos direitos e à entrega do país às multinacionais, corretamente. Ele convocou a militância a usar vermelho, desafiou os algozes (“a história mal começou”) e se apresentou como injustiçado pelas “instituições” que havia tentado melhorar, como explicou. Parou aí.

É fato que essa escalada, que visa também ao PT, se liga à PEC do teto de gastos, à tentativa de quebra da Previdência e da CLT e à entrega do Pré-Sal. Elas se originam e tramitam nas mesmas “instituições” que operaram o golpe na Presidência e que, agora, se acumpliciam com a escalada direta contra Lula e o PT.

Na verdade, a proscrição de Lula e do PT são necessárias para intimidar a CUT e os sindicatos, as organizações populares e de juventude, de modo a paralisar e acuar a resistência que pode derrotar a regressão secular anunciada pelos golpistas. Não há nenhuma razão para crer que tudo se limitará a uma condenação em 1ª instancia, para tirar-lhe a candidatura em 2018. A brutalidade da operação inclui uma possível prisão mesmo de Lula, como já pedem na mídia.

Sejamos claros. Não é que Lula esteja sendo julgado por instituições burguesas e corruptas por supostos crimes, não avaliados pelas organizações de classe, como começou com o “mensalão” há 10 anos, e não deviam ter essa faculdade. Não é isso! O que está em curso é uma execução política sumária, de Lula e do PT, ferindo mortalmente a democracia no país, a fim de realizar as contra-reformas!

Mas nesta ofensiva, agora, são todas as instituições que se expõem, e estarão todas em questão, rapidamente.

Por isso, desde já, nós ligamos a luta pelas Diretas-Já contra o golpista Temer, com a luta por uma Constituinte Soberana para reformar de cabo a rabo essas instituições – e isso se reforça com o desmando do Ministério Público Federal -, através de uma reforma política democrática, para defender as conquistas, reverter o desastre, e abrir caminho às aspirações de justiça social e soberania nacional do povo brasileiro.

Realistas, sabemos que o avanço nesta direção, passa pela mudança da relação de forças no país.

Mas isso é possível, além de necessário. No momento em que o governo golpista tem que mostrar ao povo inteiro, a que efetivamente veio – procedendo às citadas contra-reformas que veio protelando – a reação das amplas massas populares vai crescer e pode se impor.

O fato de a CUT convocar uma Paralisação Nacional no próximo dia 22, um “Esquenta” na via da greve geral por Nenhum Direito a Menos, torna-se, por isso, o objeto do principal esforço a ser feito por todo trabalhador e jovem consciente de seus direitos.

Os atos Fora Temer previstos para os próximos dias, devem ser um palco para essa explicação. A própria campanha eleitoral, inclusive, deve ser um veículo para tanto. É a melhor defesa de Lula e do PT que se pode fazer.

 

O Diretório Nacional do PT reunido no dia 15 foi dominado pela reação ao ataque da véspera.

Decidiu uma inserção de 30 segundos em defesa de Lula em todos os programas eleitorais de TV do PT e convocou os DMs das Capitais a sair à rua neste domingo, dia 18, com #SomostodosLula. Como a fala de Lula bateu recordes de audiência nas mídias, mesmo em relação ao episódio da detenção coercitiva de março, e ele estava naquele momento ladeado pela CUT, pela CMP e o MTST, além do PCdoB, é viável a realização desses atos.

Não temos dúvidas de que as companheiras e os companheiros do Diálogo e Ação Petista estarão disponíveis para participar, como foi no próprio dia 15, em SP, onde estiveram com uma faixa “Em defesa de Lula e do PT”.

A resposta do PT não foi mais vigorosa e estruturada, devido à crise interna no DN. Agora que se revelou o verdadeiro objetivo da Lava Jato, extirpar o PT – o que estava longe de ser consensual na direção aonde se viam “qualidades” – seria de se esperar mais iniciativa. A bem dizer, a Executiva no dia seguinte ao DN formou três comissões de trabalho, nesse sentido.

Mas o DN, sem avançar no balanço do processo do golpe, nem abrir-se para o engajamento na paralisação da CUT, ali informada pelo próprio presidente da central, o fato é que o DN se afundou numa polemica sobre o adiamento ou não do Encontro Nacional Extraordinário do PT.

A discussão toda acabou numa confusa decisão de antecipação do 6o Congresso do PT (e da renovação das direções) para 1o semestre de 2017 (era previsto no 2o semestre). O “processo de debates” do Congresso deverá começar em dezembro, mas tanto ele, como a decisão sobre a forma de eleição dos delegados e dirigentes, foi adiada a um novo DN em 7 de outubro, em três semanas…

A maior responsável por essa situação foi a corrente majoritária, o CNB, que não abre mão do falido PED para a eleição da direção, e não queria, ou temia, decidí-lo por maioria relativa, totalmente isolada, o que só confirmaria o seu motivo: não perder terreno no controle da máquina partidária, num processo que não seja o deformado PED.

A CNB não aceitou nem mesmo a proposta do presidente Rui Falcão, de deixar a decisão sobre a direção ao próprio Congresso “plenipotenciário”, como dizia sua proposta.

A fórmula do acordo que adia o principal, foi adotada tarde da noite por quase unanimidade, tirando a abstenção deste que assina este artigo, e defendeu o fim do PED e a eleição de direções em encontro de delegados (podia ser no próximo semestre, num Congresso “plenipotenciário”).

 

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Tirem as mãos de Lula, do PT e das organizações populares e sindicais!

Em mais um show midiático, o procurador Dallagnol, o mais ativo dos Moro-boys, denunciou o ex-presidente Lula por corrupção, lavagem de dinheiro, por comandar um esquema criminoso para fins de enriquecimento ilícito e de perpetuação no poder. Diz a denúncia que Lula comandou a corrupção na Petrobras.

Ninguém precisa estudar a denúncia para constatar sua completa ausência de substância. O próprio procurador confessou: não tem provas das acusações constantes no calhamaço que apresentou, apenas a sua “convicção”. Como disse o mestre de Direito Afrânio Silva Jardim
(promotor de Justiça por 26 anos): “Tenho a impressão de que a desmedida extensão desta denúncia tem como escopo disfarçar a fragilidade de seu conteúdo acusatório.”

A declaração de Dallagnol virou piada nas redes sociais, mas o fato não tem nada de engraçado. Trata-se de mais um ataque contra Lula, o PT e as organizações dos trabalhadores, numa escalada que já levou à perda do mandato da presidente Dilma, conferido nas urnas por mais de 54 milhões de eleitores e que prepara uma ofensiva sem precedentes contra os direitos dos trabalhadores e a soberania nacional.

Na manifestação ocorrida em São Paulo, no momento em que Lula, em entrevista coletiva à imprensa nacional e internacional, respondia às acusações, o Diálogo e Ação Petista se fez presente: em defesa de Lula, do PT e do movimento sindical e popular, fora Temer!