AVALIAÇÕES DE UM MILITANTE PARA AGIR COMO O PT AGIA

Diálogo Petista nº 87

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Helder Lopes, membro da Secretaria de Juventude do PT (PE) e da assessoria do deputado Fernando Ferro, integrou a delegação pernambucana à Plenária Nacional Diálogo Petista Constituinte por Terra Trabalho e Soberania, em 30 de novembro e
1 de dezembro de 2013 (v. edição anterior). Publicamos abaixo a reflexão enviada pelo companheiro, após sua participação na atividade.

Se resgatar os valores de esquerda e as práticas políticas que deles decorrem parece uma urgência consensual, para nós, do PT, não há meio de fazê-lo sem agir como o PT agia. Foi o que concluíram os quase 70 militantes de 14 Estados, na plenária realizada em São Paulo.

Em dois dias, foram discutidas desde as questões relativas ao processo eleitoral direto (PED) e à política de alianças, até as reformas, internas ou externas ao partido, necessárias para o fortalecimento das bandeiras petistas tradicionais.

Assim, temas os mais variados, como a questão da distribuição da riqueza e as privatizações; da regularização dos territórios quilombolas às Comissões da Verdade; das manifestações de junho à retirada das tropas brasileiras do Haiti foram postos à reflexão e encaminhados.

No debate sobre o PED soou uníssono que é um processo que reproduz em vários de nós, petistas, práticas comuns aos processos eleitorais que privilegiam os recursos econômicos, a propaganda e os acordos, em detrimento do debate de teses, o que não é compatível com o alardeado discurso de democracia interna no PT.

Às vésperas de uma eleição presidencial, quando paradigmas teóricos e objetivos da luta de classes são questionados, o PT não pode se dar o direito de aburguesar-se por dentro.

Junho mostrou aos que não tinham visto ainda que é preciso repensar o PT, que precisamos ser arrojados em nossas políticas; e que o governo de coalizão não nos permite, se é que a todos interessa, intervir nas estruturas do Estado.

Para dentro ou para fora, é preciso repensar politicamente as práticas que temos e aquelas a que nos sujeitamos em nossas relações viscerais com os pemedebês da vida, alimentando a sensação e inviabilizando concretamente as possibilidades de continuação das mudanças que introduzimos, desde o sindicalismo petista até agora, com Lula e Dilma no governo; e a implementação de uma política radical de transformação no Brasil.

Uma Assembleia Nacional Constituinte livre, democrática e soberana, que não é de agora que o PT defende, proporcionará a oportunidade de ampliar a participação dos movimentos sociais na construção efetiva de um Estado que não privilegie o capital.

Vai ser a vez que a reforma política, a reforma agrária, a tributária, a militar e as tantas quantas sejam do interesse dos trabalhadores acontecerão. (Adendo, porém, para o fato de que o fim da sociedade de classes não se dará pelo texto de uma Carta Magna, nem por reformas, mas por um processo revolucionário – que, no nosso caso, no estado de desenvolvimento do capitalismo em que nos encontramos, poderá se viabilizar justamente a partir das reformas).

Há 11 anos no governo, podemos nos perguntar: por que ainda não fizemos isso, se temos maioria nas duas casas legislativas? Para essa pergunta há poucas alternativas. Seguramente, entre elas está a política de alianças pela qual optamos.

Muitos reproduzirão que não há opção, “sem o PMDB ninguém governa”. Entretanto sabemos e acreditamos que uma reaproximação política sincera com os movimentos sindicais, populares, sociais, estudantis, com a sociedade em suma, nos acrescenta mais que todos os sarneys juntos; que a democratização dos meios de comunicação vale mais que os calheiros, ou colloridos, “ou caiados por fora”, ou todos eles.

Por isso, da Plenária Nacional não saíram resoluções ou encaminhamentos que destoam das demandas dos trabalhadores e das necessidades conjunturais objetivas para a reeleição de Dilma Rousseff. Pelo contrário, defender as bandeiras tradicionais do partido, engajar-se na luta por uma Constituinte, romper com os setores que não representam politicamente os trabalhadores e minorias é que resgatará o PT para base e que nos fará vestir novamente o vermelho, inserir-se na sociedade com um lado, e agir como o PT agia.

 


DISCUSSÃO SE AMPLIA NA BASE

Reuniões locais prestam contas e discutem encaminhamentos

As delegações presentes à Plenária Nacional DP-CTTS começaram a organizar as reuniões de prestação de contas nos seus Estados e municípios. Várias estão marcadas para esse início de ano, algumas já aconteceram em dezembro. Reportamos
aqui alguns dos relatos recebidos.

Paraná

No dia 9 de dezembro fizemos uma primeira reunião para discutir e planejar o encaminhamento das decisões da plenária. A principal conclusão foi organizar uma reunião estadual no dia 1 de fevereiro, para a qual pretendemos trazer representantes de Curitiba, Araucária, Campo Magro, Apucarana, Ponta Grossa, Cascavel. Nessa reunião, na qual começaremos a preparar um novo encontro nacional, vamos propor organizar uma delegação de 50 participantes para o ato político pela Assembleia Constituinte, em S. Paulo, em abril/maio, conforme o mandato definido na plenária nacional.

Alagoas

Em Maceió, no dia 20 de dezembro, a reunião de prestação de contas contou com a participação de oito petistas.
Depois de apresentadas as decisões da plenária, uma boa discussão concluiu com as decisões de organizar uma delegação ao Ato pela Assembleia Constituinte e dar continuidade ao combate, já iniciado, e que conta com apoio de vários dirigentes petistas do Estado, por “nenhuma aliança com Collor e Renan” nas eleições.

Rio Grande do Sul

Em Porto Alegre, a delegação gaúcha à plenária nacional reuniu-se com o companheiro Rodrigo, recém–eleito presidente municipal do PT.

Foram planejadas reuniões de volta em várias cidades, além de atividades em Câmaras Municipais sobre o Plebiscito Popular pela Constituinte, com o objetivo de ajudar na formação dos comitês. Também ficou decidido realizar, por ocasião do aniversário dos PT em fevereiro, um ato contra a Ação Penal 470.

Ceará

Com 12 companheiros (as) petistas presentes, foram discutidos em Fortaleza os resultados da plenária nacional. Aberta a discussão, várias intervenções destacaram a luta pela anulação da AP 470, com críticas à cúpula partidária que se recusa a defender o partido e os companheiros injustamente condenados. Alguns petistas que levam essa luta nos fóruns sindicais criticaram a posição do PSTU, cujos militantes se apresentam, na palavra de um deles, como “embaixadores do STF”, numa posição complementar à da cúpula do PT no que, nos fatos, é um alinhamento ao STF, como destacou um jovem.

Ao final da discussão foram criadas comissões de trabalho para encaminhar decisões da plenária nacional, entre as quais se destacam a luta pela Constituinte e a campanha pela anulação da AP 470.