Plenária Nacional de petistas reafirma bandeiras do partido e decide “agir como o PT agia”

Diálogo Petista 86

Reunidos em São Paulo, militantes de 14 estados  chegam a conclusões comuns e decidem reforçar um agrupamento, apresentando os resultados a a  todo o partido, chamando à discussão e à ação

Nos dias 30 de novembro e 01 de dezembro,  na  sede  do  Diretório Estadual do PT São Paulo, ocorreu a Plenária nacional de petistas.

FotoDP01

Numa  iniciativa  conjunta  do Diálogo  Petista e das chapas “Constituinte, Por  Terra Trabalho e Soberania” que concorreram no último Processo de Eleições  Diretas (PED), a plenária reuniu militantes de 14  estados do país, entre eles jovens, sindicalistas, dirigentes petistas, militantes do movimento negro e social.

Na mesa de abertura, foram introduzidos os temas do debate.

Markus  Sokol,  reeleito  para  a Direção  Nacional  do  PT,  fez  uma avaliação do último período no país, marcado  pelas  manifestações  de junho e julho que pediam mais dinheiro para saúde, transporte e educação.

Demanda  das  ruas  que  se  choca com a política do governo em fazer o superávit primário para pagar a dívida e não destinar o dinheiro para os serviços públicos. Sublinhou a falta de reação da direção do PT em relação a AP 470 em 2012 e que continua  “vergonhosamente  até  hoje”.

Sokol  também  fez  um  balaço  do PED, “verdadeira máquina de moer carne”, e reafirmou a necessidade do fim do PED e da volta dos encontros de base.

Maria  Alice  Vieira,  assessora  de José Dirceu, destacou a brutal prisão de  José  Dirceu,  José  Genuíno  e Delúbio  Soares,  dirigentes  petistas, vítimas de um julgamento de exceção  feito  pelo  Supremo  Tribunal Federal (STF), condenados sem provas e presos numa operação espetacular da Polícia Federal, no feriado de 15 de novembro.

Ela  informou  o  plenário  sobre como a defesa dos petistas está se organizando, sobre atos e atividades realizadas para denunciar a farsa da AP 470 e pedir sua anulação, destacando a atividade da CUT Nacional que ocorreria em 9 de dezembro (ver pag.8)

Adriano  Diogo,  deputado  estadual do PT-SP, trouxe a questão das comissões  da  verdade  e,  falando sobre o golpe de 1964, afirmou que “quem  conhece  a  história  do  país sabe  que  o  que  está  acontecendo hoje com a AP 470 não é um mero acaso, é uma maneira de a direita responder ao PT”.

As comissões da verdade, ao apurar os crimes da ditadura, colocam em evidência os modos de repressão do regime na tentativa de impedir que os  trabalhadores  e  a  juventude  se organizem.

Misa  Boito,  reeleita  para  o Diretório  Estadual  do  PT-SP,  apresentou  o  Plebiscito  Popular  pela Constituinte  exclusiva  e  soberana para a reforma política, a ser realizado entre os dias 1º e 7 de setembro de 2014.

“Existe um fosso entre as aspirações da maioria oprimida e as atuais instituições,  como  o  Congresso Nacional, onde a maioria do povo não está representada”, destacando que a Constituinte para fazer a reforma política é um primeiro passo em direção às profundas reformas que precisam  ser  feitas.  Misa  concluiu chamando a plenária a se engajar na campanha.

Júlio Turra, membro da Executiva nacional da CUT, falou da campanha pela retirada das tropas da Minustah do Haiti, que há 10 anos massacram o povo do país. Retomando a importância  da  campanha  internacional, Turra destacou que depois de uma audiência do senador haitiano Jean Charles Moise, que luta contra a presença da Minustah, com o presidente do Uruguai, Mujica, este declarou que retiraria as tropas uruguaias do Haiti. Por fim, Turra lembrou a responsabilidade de Dilma: “Depois de Mujica, Dilma também poderia respeitar a soberania do povo haitiano e retirar as tropas brasileiras do Haiti”.

A palavra aberta, 32 intervenções Com as contribuições que vieram do plenário, o debate ganhou ainda mais  força.  Registramos  aqui  algumas das falas.

A  advogada  Stella  Bruna,  de  São Paulo,  falou:  “é  preciso  fazer  uma campanha  pelo  impeachment  de Joaquim  Barbosa”  e  ressaltou  que, do modo como o julgamento e as prisões  foram  feitas,  “não  estamos num estado de direito”.

Roberto  Salomão,  de  Curitiba, eleito para a Executiva estadual do PT-PR,  relatou  a  receptividade  da militância que no dia do PED aderiu em massa a um abaixo-assinado contra a AP 470 e indagou: “se tudo é tão fácil, por que tudo é tão difícil?”. “Os militantes petistas querem defender o partido e não encontram resposta na direção”, completou.

Vladimir, de Pelotas (RS), reforçou a linha da necessidade de defender o partido:  “filie-me  ao  PT  em  2005, quando estourou o caso do mensalão. É preciso reagir, em Pelotas acho que devemos juntar os vereadores, o MST e a CUT e fazer um ato contra a AP 470.

Sidonio, de Osasco (SP), membro da executiva municipal, disse: “quem diz que os companheiros erraram e devem pagar está fazendo o discurso da direita. Se eles erraram não foi para eles, foi para o ‘projeto Lula’. Aí entra a discussão sobre a governabilidade, onde ‘os primos levam tudo, e os irmãos nada!’”

A questão da luta pela Constituinte foi  destacada  por  vários  oradores.

Xavier, de São Paulo, que também ressaltou a necessidade de lutar contra  a  AP  470,  disse:  “a  prisão  dos companheiros chama a refletir sobre os partidos da base aliada, a saída é a reforma política”.

A continuidade da luta pela retirada das tropas do Haiti também foi destacada:  Vera,  de  Brasília,  enfatizou  ser  “preciso  divulgar  cada  vez mais, na campanha, sobre o que está acontecendo  no  Haiti,  as  pessoas precisam estar informadas sobre esse massacre”.

Vanda,  do  Movimento  Negro Unificado, de Santa Catarina, trouxe para o debate a luta pela demarcação das terras quilombolas.

Muitas intervenções deram exemplos de como o PED destrói a vida interna do partido.

Zenilda, de Recife (PE), lembrou dos inúmeros casos de petistas “de carteirinha” que ficaram fora das listas, em função das trapalhadas da burocracia partidária, e não puderam votar. “Eles ficaram indignados”, comentou.

Jezmael,  jovem  de  Russas  (CE), vice-presidente  municipal  do  PT, falou com orgulho: “nas manifestações  de  junho,  encabecei  a  ida  à Câmara  Municipal”.  “Petista  desde pequeno”, pois seu pai foi construtor do PT em Russas, Jezmael disse que quer voltar a ver o PT funcionando como acontecia na época de seu pai, quando as pessoas se reuniam para discutir, faziam cartazes e cola para distribuir  e  realizar  campanhas  na cidade.

A intervenção de Ailton, trabalhador mineiro da Bahia, mostrou bem porque a burguesia, e as instituições a seu serviço, como o STF, não toleram  o  PT:  “Eu  me  sentia  inferior, depois que conheci o PT e virei militante, me senti em liberdade”.

No fechamento do debate, Sokol sintetizou as propostas apresentas e submeteu à discussão o documento que  foi  adotado  (ver  abaixo).

A plenária terminou com os militantes bastante animados gritando: “viva o Partido dos Trabalhadores!

Assista o vídeo da 

Plenária Nacional do Diálogo Petista <— Clique Aqui.


As decisões da plenária

Os textos adotados serão apresentados nas reuniões de volta nos estados e apresentam a base para um novo encontro, em abril ou maio de 2014.  Nessa página, trechos dos textos e outras decisões.

COMPROMISSO

Juntos pelas bandeiras do PT!

No momento em que as arbitrárias  prisões  de  dirigentes  do  PT, injustamente condenados, marcam mais um passo na ofensiva do STF contra o nosso partido;

No momento em que o PED que acabou de realizar-se comprova ser um processo que desconstrói a vida interna do PT;

Neste momento em que as mais profundas  aspirações  que  eclodiram nas ruas em junho seguem sem resposta, enquanto as atuais instituições comprovam ser um obstáculo  às  reformas  necessárias  do país:

Nesse momento, nos reunimos em dois dias de discussão, em que cada um expressou livremente suas opiniões na mais cara tradição de nosso partido.

Sem pretender declarar um novo campo ou tendência do PT, independente das ligações de cada um no atual quadro partidário, temos uma compreensão comum: o compromisso  com  as  bandeiras  originais do PT é o que pode reaproximar o partido da base social que, há 33 anos, nasceu para representar.

A situação do país e do partido não nos autoriza a baixar a guarda.

O PED não armou o partido para enfrentar a ofensiva da classe dominante e do imperialismo para recuperar o terreno perdido.

Ao contrário, no PED, uma vez mais, boa parte dos filiados foi buscada  para  votar  sem  conhecer  as plataformas. Uma vez mais, o que predominou foi o poder econômico  e  a  estrutura  de  gabinetes.

Assim,  depois  do  PED,  nada  está resolvido!  Muita  coisa  precisa mudar no PT. Como demonstraram as ruas em junho e julho, reafirmamos: as atuais instituições não nos representam.

Por  isso,  é  necessário  colocar  a luta  por  uma  Assembleia  Constituinte  que  abra  caminho  para  as mais profundas aspirações populares  de  justiça  social  e  soberania nacional.

Assim, decidimos: Estaremos  juntos  no  Congresso do PT levando propostas que consideramos honrar os compromissos históricos do PT:

  • A riqueza da nação deve ser utilizada em benefício do povo brasileiro – fim do superávit fiscal primário,  para  destinar  os  recursos  à saúde pública, educação, transporte e  moradia;  fim  das  privatizações (…)  defendemos  a  soberania  dos povos, por isso exigimos a retirada das tropas que ocupam o Haiti;
  • “O PT nasce da vontade dos trabalhadores, cansados de ser massa de manobra”: por outra política de alianças  com  partidos  e  setores comprometidos  com  os  interesses da nação e de sua maioria oprimida, fim do acordo nacional com o
    PMDB,  por  candidaturas  próprias do PT em 2014;
  •   Democracia  interna:  fim  do PED,  com  a  volta  dos  encontros com delegados eleitos desde a base. Estaremos juntos na luta em defesa do PT e dos interesses da maioria do povo:
  •   Não  nos  dobramos  ao  julgamento  de  exceção,  lutaremos  em defesa do PT e de seus dirigentes. Com a CUT, os trabalhadores sem terra, a juventude petista, diretórios de  base, parlamentares,  personalidades  democráticas,  seguiremos denunciando a ilegalidade da farsa montada pelo STF exigindo: anulação da Ação Penal 470!
  • • Para avançar pelas reformas, nos somamos ao Plebiscito Popular respondendo:  “sim,  é  preciso  uma Constituinte  Exclusiva  e  Soberana que  faça  a  reforma  política”. Propomos um grande ato político em abril/maio de 2014.
  • • Convocamos, com base no presente Compromisso, um Encontro de  delegados  para  constituir  um agrupamento  petista,  junto  a  esta mesma data em abril/maio.

Viva  o  Partido  dos  Trabalhadores e suas bandeiras históricas, das quais nos orgulhamos!

 


Mandato – Manifesto

 

ATO PELA CONSTITUINTE

 

No momento em que as pressões do mercado, que exige mais superávit primário, generalizam concessões privadas e leilões, e ainda uma alta dos juros, isso quando o FMI quer rever a política de reajuste do salário mínimo, todas ameaças as conquistas sociais e à nação;

Neste momento, chamamos todos a agir como o PT agia, para ajudar a maioria oprimida a avançar nas conquistas.

Vamos lutar para que a riqueza da nação seja utilizada em benefício do povo brasileiro: fim do superávit fiscal  primário  que  desvia  recursos para pagar a dívida aos banqueiros; contra o PL 4330 da terceirização e contra  a  redução  da  maioridade penal; não à contra-reforma política que  se  prepara,  chega  desse Congresso balcão-de-negócios!

Por uma Assembleia Constituinte que abra caminho para as aspirações sociais e nacionais do povo brasileiro, e pela reeleição de um governo de Dilma do PT comprometido com essas bandeiras: um eleitor um voto, fim do Senado oligárquico, voto em lista e fim do financiamento empresarial.

Para conquistar as reformas necessárias,  nos  somamos  ao  Plebiscito Popular na semana de 7 de setembro próximo, respondendo: “Sim, é preciso  uma  Constituinte  Exclusiva  e Soberana que faça a reforma política”.

E  para  avançar  nestas  lutas  nos engajamos  na  preparação  de  um grande ato político pela Assembleia Constituinte,  em  São  Paulo,  em abril/maio de 2014.

Prosseguimos, assim, no combate para que a continuidade do PT no governo traga as mudanças e exigidas nas ruas!

Outras propostas

Entre  outras  decisões  e  recomendações  feitas  pela  plenária, destacamos:  favorecer  a  formação  de  um  Movimento  Nacional questionando  a  AP  470,  inclusive discutindo a organização de uma marcha  nacional  ao  STF  em Brasília; propor, no aniversário de 34 anos do PT, em fevereiro, atividades em todo o país sobre a AP 470; apoiamos o acampamento da juventude  petista  no  STF,  em Brasília, pela anulação da AP 470.

Sobre essa base, foi decido uma campanha de filiação ao PT a se iniciar em janeiro, com base nas bandeiras históricas e na repulsa à AP 470.


 FotoDP02

Comitê do Diálogo Petista – Constituinte por Terra Trabalho e Soberania

Para levar a frente as decisões foi constituído comitê do Diálogo Petista, com representantes das chapas  “Constituinte,  por  Terra Trabalho  e  Soberania”  que  se expressará  na  página  Diálogo Petista,  regularmente  publicada nesse jornal.

Compõem o comitê:

Edmilson Menezes, PT (PE); Vera Lúcia, Secretaria Agrária PT-DF; suplente  Manoel  Antônio Rodrigues  Sindsep-DF;vereador Lino Peres,  PT-Florianópolis (SC); Julio  Turra,  Executiva  da  CUT, Comitê AcIT;  Markus Sokol, DNPT;  Misa Boito, DR-PT/SP; Rodrigo Valverde, Presidente PT de Mogi das Cruzes (SP);  Cláudio Ribeiro, PT-PR;  Sidônio  Jose  G.  Afonso, Executiva  PT-Osasco  (SP); Roberto  Salomão,  Executiva Estadual PT-PR.