Diálogo Petista 79

 

DISCUSSÃO SOBRE A NOVA SITUAÇÃO

A Coordenação Nacional do Diálogo Petista realizou reunião em São Paulo no dia 27 de julho.

Foi a primeira depois das jornadas de junho, uma oportunidade para discussão e troca de opiniões sobre a nova situação aberta no país, depois das manifestações de rua puxadas pela juventude e, em julho, com a entrada em cena da classe trabalhadora no dia 11, Dia Nacional de Luta convocado pela CUT e as demais centrais sindicais.

Foi feita uma apreciação da situação e sobre o que fazer.

Na discussão foi também analisado o seu impacto sobre o PT, particularmente num momento em que começa o Processo de Eleição Direta (PED).

A reunião contou como convidado Cláudio Ribeiro, advogado trabalhista e fundador do PT no Paraná.

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O CHOQUE DOS ACONTECIMENTOS

A discussão foi iniciada com informes. O primeiro foi sobre a própria situação do PED, dado por Misa Boito, membro do Diretório Regional de São Paulo. Ela explicou as decisões tomadas pelo Diretório Nacional do PT em 20 de julho que, por maioria, decidiu “flexibilizar” de vez as regras do PED.

A avaliação é que o objetivo da maioria que votou as “flexibilidades” era se auto-beneficiar, o que provocou vários recursos contra essas decisões e levou à convocação de uma reunião extraordinária do DN-PT para o dia 29 de julho.
Também informou a inscrição da chapa “Constituinte, por Terra, Trabalho e Soberania”, da qual participam praticamente todos os membros da Coordenação e boa parte do Diálogo Petista em vários Estados. O candidato a presidente será Markus Sokol.

Enfatizou-se que a campanha da chapa deve contar com sugestões e propostas de todos os companheiros.

Na sequência, Julio Turra, membro da Executiva Nacional da CUT, informou sobre a discussão da agenda da Central. Ele destacou o positivo balanço do Dia Nacional de Luta em 11 de julho e a necessidade de reforçar a luta em direção ao Dia Nacional de Paralisação que a CUT faz com as demais centrais em 30 de agosto, com base na plataforma de reivindicações dirigida ao governo e ao Congresso.

Após os informes, foi aberta a discussão sobre a situação política nacional.

Rodrigo Valverde, da Executiva do PT de Mogi das Cruzes (SP), apresentou um texto de contribuição ao debate que abriu a discussão.

Todos tomaram a palavra. A discussão concluiu que estamos diante de um giro, de uma virada na situação, com a abertura de uma crise do regime político – ampla, pois atinge todos os níveis governo, e também Congresso, Assembleias e Câmaras, como também o Judiciário, ou seja, toca todas as instituições – que tem um forte impacto no PT e na CUT.

Nessa situação, houve a compreensão de que a saída passa pela convocação de um Plebiscito por uma Constituinte, o que certamente teria o apoio da esmagadora maioria do povo. Afinal, foi o que mostrou a pesquisa do Instituto Data Folha (29/06) cinco dias depois que Dilma apresentou a proposta. 73% dos entrevistados se disseram a favor de uma Constituinte, mesmo após o recuo de Dilma, por pressão do vice, Temer (PMDB), e de Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF).

DECLARAÇÂO AOS PETISTAS

Como conclusão da discussão, foi decidido publicar o texto de Valverde (abaixo), preparar a publicação de um documento de reflexão histórica de Cláudio Ribeiro e lançar uma Declaração Aos Petistas.

Assim, os companheiros que vêm participando da construção do Diálogo, mas que se encontram em diferentes chapas, poderiam dele se apropriar no PED.

A proposta é levantarmos juntos, cada um em sua chapa, propostas que respondam à situação e correspondam aos compromissos ao redor dos quais o Diálogo se constrói. As propostas foram:

1) Apoio ao calendário da CUT e demais centrais pela pauta proposta (6, 13 e 30 de agosto);

2) Defesa das bandeiras de fundação do PT;

3) Apoio à demanda por mais serviços públicos e contra o superávit primário para pagar a dívida;

4) Defesa da atualidade de um Plebiscito pela Constituinte para fazer a reforma política;

5) Ruptura da “aliança nacional” com o PMDB;

6) Reafirmação da luta pela volta dos encontros de base no lugar do viciado PED.

A Coordenação renovou o apoio e participação nas campanhas adotadas pelo 5º Encontro Nacional, como pela retirada das tropas do Haiti, a revogação da Lei das Organizações Sociais e contra o Leilão do Petróleo. Uma nova reunião está agendada para o mês de setembro.


O POVO, O PT E O CAPITALISMO

Texto de contribuição ao debate, apresentado por Rodrigo Valverde na reunião da Coordenação Nacional

Depois de 22 anos de história e luta em prol dos trabalhadores e com três derrotas presidenciais consecutivas, o PT adotou uma tática tormentosa que até hoje gera discussões se foi acertada ou não.

Em 2002, o PT fez aliança com o Partido Liberal, colocando como vice de Lula o maior empresário de Minas Gerais, José Alencar. Nos tornamos uma máquina de propostas de programas sociais, tivemos forte financiamento privado de campanha, assumimos compromisso com grandes meios de comunicação e escrevemos a “Carta aos Brasileiros”, onde nos comprometemos a cumprir todos os contratos do Brasil com os poderosos internacionais. E, assim, diante destas condições, com as esperanças do povo brasileiro, Lula chegou à presidência da República Federativa do Brasil!!!

Em dez anos de governo do PT, tivemos avanços, ora significativos, ora tímidos: o povo teve dignidade nunca vista antes na história do país, abriram-se mais oportunidades em universidades, bens de consumo, melhor alimentação, automóveis, viagens, moradia…Enfim, tivemos avanços importantes e inegáveis. O presidente Lula deixou o Palácio do Planalto com recorde de popularidade.

Então, o que nos foi caro nesses 10 anos?

Tivemos que fazer um grande arco de alianças com partidos sem ideologia ou com ideologias contrárias aos anseios do povo, comprometendo reformas em pastas importantes; mantivemos vínculos com empreiteiras, banqueiros, ruralistas, enfim, muitas amarras que nos impediram de fazer as reformas políticas e econômicas que o povo tanto necessita.

Persiste ainda um oligopólio nos meios de comunicação e o capital ainda é determinante nas eleições. O fato mais agravante é que o governo nunca foi nosso, sempre estivemos ameaçados de golpe, algumas de nossas lideranças estão ameaçadas de prisão pelo episódio do “mensalão”, os “compromissos” com a carta aos brasileiros não se findam.

Ninguém duvida que o PT é o único partido da histór
ia do Brasil que pertence ao povo brasileiro, também ninguém duvida que foi o melhor gestor deste sistema predominante. Todavia, nesses últimos dias, a juventude brasileira, graças a uma comunicação em massa pelas redes sociais, tomou as ruas do país dizendo um BASTA para este sistema que corrompe as instituições e os poderes, macula as informações e a representação. A juventude exige um rompimento com esse modelo “democrático”. Diante disso, pergunta-se:

O PT está certo ou errado em sua tática eleitoral? Com a palavra, a militância!

Rodrigo Valverde