6º Congresso do PT aponta o caminho da luta

Não às indiretas no colégio eleitoral, Lula presidente com Constituinte

Os 595 delegados, reunidos em Brasília entre os dias 1 e 3 de junho, por unanimidade, adotaram uma resolução política que responde aos anseios da militância petista e às exigências da situação de crise institucional aguda que atravessa a nação, bem como às da luta da classe trabalhadora para impor uma derrota aos ataques dos golpistas à Previdência e aos direitos trabalhistas.

O Congresso unânime adotou a posição por Fora Temer e não participação do PT e seus parlamentares em qualquer solução parlamentar sem povo. Afirmou as Diretas Já, com Lula presidente e uma Constituinte soberana para anular as medidas antipopulares dos golpistas e para abrir caminho às reformas populares. Apoiou a nova greve geral em discussão entre as centrais sindicais por “nenhum direito a menos” e também a defesa dos petistas presos ou perseguidos pelo judiciário. Estas foram as marcas desse congresso, que já entrou para a história do PT.

Para se chegar a esse resultado, contribuíram de forma efetiva as posições defendidas pela tese Unidade pela Reconstrução do PT, impulsionada pelo Diálogo e Ação Petista (DAP), desde o início do processo congressual e a intervenção firme de nossa bancada em Brasília.

Sobre a base dos pontos acima, desde a apresentação de nossa tese no Congresso, conclamamos à construção de uma chapa única, que seria a melhor sinalização que poderia vir do 6º Congresso para a militância do PT e para o movimento dos trabalhadores.

Mas apesar das posições unânimes, em flagrante contradição, houve 6 chapas: algumas teses se negavam a sequer debater a possibilidade de chapa única (respeitada a proporcionalidade), com argumentos muito discutíveis.

Algumas delas pretextavam divergência insuperável no tema da estratégia socialista do PT. Mas, após fusão de emendas, também nesta questão houve acordo. Por fim, na questão do PED, se chegou ao consenso de preparar, no Diretório Nacional eleito, um plebiscito a respeito na base. Sobraria então o que? A desconfiança sobre a aplicação do que foi votado de forma unanime, o cálculo de cargos a se obter? Não cabe a nós responder.

Os delegados que combatiam pela Unidade na Reconstrução do PT orientaram-se exclusivamente pela base política concreta que existia, então, para uma chapa da mais ampla unidade nesse congresso. E isso numa situação de cerco e ataques permanentes e continuados de nossos inimigos ao partido, e de expectativa de nossa base social por uma mudança de rumo do PT – que efetivamente se inicia, “um balanço na prática”, como disse a companheira Gleisi Hoffman, presidente eleita que apoiamos – reaproximando o PT da luta de classe.

A única questão que, sem consenso, foi a voto na plenária final, foi a da resposta à violência contra a mulher. Venceu (243 X 230) a proposta da criação de uma Comissão especifica para acolher denuncias dentro da Secretaria de Mulheres, que apresentamos junto com o CNB, ao invés da criação de um novo órgão exclusivamente feminino oposto à estrutura do partido, composta de homens e mulheres. Aqui também a unidade venceu a divisão.

Por tudo isso, decidimos, por unanimidade na delegação, em busca do estabelecimento de uma nova maioria e da conformação de um novo núcleo dirigente, compor a chapa “Em defesa do PT, de Lula e do Brasil” com os companheiros e companheiras da corrente CNB, que foi a mais votada para o Diretório Nacional. Consideramos esta a melhor forma de ajudar a unir o partido e, nesta conjuntura, ajudar a avançar da luta da classe trabalhadora em defesa dos direitos e pelo socialismo.

O congresso foi positivo, mas ainda há muito a ser feito para a reconstrução de nosso partido como principal instrumento político da classe trabalhadora brasileira. A começar pela aplicação das resoluções adotadas, quando cada passo adiante que o PT dá, cada nova evidência do caráter corrupto do governo Temer e de sua base parlamentar, significa também uma ameaça contra o companheiro Lula e o nosso partido, para tentar fechar a via para a saída democrática e acorde com os interesses da classe trabalhadora e da nação oprimida, apontada por nosso congresso: Fora Temer, Diretas Já, Lula presidente com Constituinte!

Encerrado o debate congressual, é para essa luta que conclamamos todos e todas militantes do Partido dos Trabalhadores!

Misa Boito,
Luís Eduardo Greenhalgh e
Markus Sokol,
indicados para o Diretório Nacional*


*Com 19 delegados (3,3% dos votos validos), temos direito a três vagas no DN – triplicando a presença atual – e a uma vaga na CEN. No caso, dentro da chapa com a CNB, que fez 50% dos votos (45 vagas no DN e 13 vagas na CEN), enquanto a frente Muda PT fez 26% (7 vagas na CEN), o PPT fez 11% (3 vagas na CEN), Optei 7% (2 vagas), AE 6 % (1 vaga) e Anulação do impeachment (0 votos, 0 vagas). Gleisi Hoffman foi eleita com 62% dos votos, contra 38% para Lindbergh e 0% José de Oliveira.