Que mudanças na Previdência Social interessam ao povo? | As longas filas do INSS
Em 29/04/2026, a Agência Brasil/EBC publicou fala do atual ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz (PDT/PE): “A fila de espera por benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS registrou uma queda de 16% entre fevereiro e abril de 2026. Segundo dados do órgão, o estoque de pedidos caiu de 3,1 milhões para 2,6 milhões no período, representando uma redução de 500 mil processos em apenas dois meses.”
Nomeada presidente do INSS em abril de 2026, Ana Cristina Silveira anunciou o programa “Acelera INSS”, cujo objetivo é reduzir o estoque de benefícios parados há mais de 45 dias para menos de 400 mil, no prazo de 90 dias. O programa consiste na realização de mutirões (previsão de quatro ações nacionais até o fim de junho, focadas em perícias médicas e análises de benefícios complexos); na nomeação imediata de 300 assistentes sociais; na solicitação de mais 300 servidores (do cadastro de reserva); no anúncio de um novo concurso para contratação de mais 2 mil servidores; e ainda, na revisão tecnológica dos fluxos de trabalho e melhorias nos sistemas que cruzam dados governamentais para automatizar e acelerar as análises.
Tais medidas são necessárias para fazer valer o acordo firmado em 05/02/2021, entre o INSS e o Ministério Público Federal, homologado pelo Supremo Tribunal Federal, que define os prazos máximos para que o INSS conclua sua análise, variando de 30 a 90 dias, conforme o benefício pleiteado.
As reivindicações dos Servidores do INSS
Mas para que seja feita uma verdadeira reorganização operacional no INSS, há um aspecto essencial a ser observado: o atendimento das legítimas reivindicações dos Servidores do INSS.
Por ocasião do Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho (28/04/2026), o Sindicato dos Trabalhadores do Seguro Social e Previdência Social no Estado de São Paulo – SINSSP publicou um manifesto, em que denuncia o agravamento da saúde física e mental dos servidores em virtude das jornadas exaustivas de trabalho; das metas de produtividade abusivas; do assédio institucional com forte ameaça de punições e, também, da precariedade dos sistemas informatizados lentos e instáveis.
Consta, ainda, do manifesto que: “O resultado é uma categoria exausta, com índices alarmantes de LER/DORT (Lesões por Esforços Repetitivos/Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho), estresse, ansiedade, depressão e burnout. O sucateamento não está apenas nas estruturas físicas do INSS, ele está na saúde física e mental de cada servidor.”
Mudanças urgentes no INSS
Assim, a fim de reverter esta gravíssima situação, o SINSSP aponta que devem ser tomadas pelo Governo Federal, com urgência, as seguintes medidas: 1) cumprimento integral do acordo de greve de 2024 firmado pelo Governo/INSS e pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social – CNTSS/CUT; 2) implementação da reestruturação da Carreira do Seguro Social; 3) abandono de qualquer projeto de extinção de cargos ou privatização de serviços; 4) investimentos em tecnologia funcional e em condições de trabalho adequadas; 5) estabelecimento de regras claras e transparentes para o uso de automação e Inteligência Artificial, garantidos a análise humana e o direito do cidadão; 6) adequação às atualizações da Norma Regulamentadora NR-1, publicada pelo Ministério do Trabalho, em vigor desde maio de 2025, com foco no gerenciamento de riscos psicossociais, estresse e assédio, tornando a saúde mental uma obrigação formal de segurança.
Para que se resolva de forma duradoura o problema das longas filas de espera, é necessária a implementação, por parte do governo, tanto das medidas por ele anunciadas, como também daquelas apontadas pela representação sindical dos servidores do INSS. Estas são mudanças na Previdência Social que realmente interessam ao povo.
Alcides Pinto – maio 2026