A Colômbia depois do primeiro turno presidencial

No primeiro turno, no último domingo, o candidato da extrema-direita Abelardo De la Espriella obteve 43,73% dos votos e o candidato da esquerda Iván Cepeda, apoiado pelo presidente Petro, ficou em segundo lugar com 40,91%. Mas houve uma abstenção ainda alta de 42,78%, portanto, é possível uma virada no segundo turno em 21 de junho.

O presidente Trump apoiou a eleição Abelardo. Há denúncias de fraude na apuração da empresa contratada Thomas Greg & Sons.

Após o pleito, a burguesia reposicionou-se. A candidata Paloma Valência da direita tradicional que implodiu com menos de 7% dos votos, em terceiro lugar, anunciou apoio a De la Espriella, assim como o Partido Conservador.

Nas pesquisas havia um clima de favoritismo, em parte assumido no entorno de Cepeda. Mas houve uma ofensiva da extrema-direita que utilizou robôs nas redes sociais, medo e desinformação, além da pressão dos paramilitares que, na Colômbia, dominam certos territórios.

Petro foi eleito com uma proposta de “Paz Total” com os guerrilheiros das FARC e ELN negociados por Cepeda (o ELN não assinou), mas nos últimos meses houve um recrudescimento da violência explorado pela direita.

Abelardo defende a construção de mega-presídios no modelo de Bukele em El Salvador e o fim da “Paz Total”. Quer reduzir impostos para empresários e uma flexibilização trabalhista.

Cepeda defendeu o legado de Petro que inclui uma reforma agrária parcial e o aumento do salário mínimo, mas que não resolveu o problema na saúde privada. A melhor opção de Cepeda é aprofundar a mobilização em todo o país com um programa de medidas concretas que atraia os abstencionistas, numa campanha dirigida aos setores populares.

Alguns materiais de segundo turno de Cepeda vão na boa direção, como o cartaz pela estabilidade do trabalho, seguridade e saúde universal. Na Colômbia a precarização do trabalho é maior do que no Brasil e a insegurança na vida sindical muito maior.

É verdade que Petro chamou mobilizações de massa em defesa de medidas travadas no Congresso onde é minoria. Mas se, por isso, algumas vezes levantou a bandeira da Assembleia Constituinte, não foi consequente.

A “guerra aos cartéis” começou há quase 40 anos na Colômbia. Há pelo menos sete bases militares de “cooperação temporária” dos EUA que não foram questionadas. Mais que simbólicas, são como um porta-aviões em solo sul-americano.

Como se vê, há questões de fundo a serem ainda debatidas. Mas em todos os casos será melhor com Cepeda no governo.

A vitória de De la Espriella seria um ponto para o “Escudo das Américas” de Trump (Colômbia, Brasil e México não haviam sido “convidados”).

Há expectativa na América Latina sobre o resultado eleitoral, se espera que Cepeda se desembarace do curso dos governos progressistas vitimados por suas contradições (Chile e Bolívia, por exemplo). Em todos os casos, as forças independentes dos trabalhadores têm lições a tirar para avançar na luta pela emancipação.

Markus Sokol, membro do Comitê Nacional do DAP

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