Vitória! No Paraná, um exemplo para o Brasil

Professores, funcionários de escolas, servidores de outras categorias e estudantes do Paraná foram os atores de um momento histórico das lutas da classe trabalhadora. Enfrentando com incrível bravura uma enorme dispositivo policial, os manifestantes obrigaram o governador tucano Beto Richa a retirar de pauta seu “pacote de maldades”.

Richa pretendia, de um só golpe, liquidar direitos históricos dos servidores (quinquênio, carreira) e se apropriar dos fundos previdenciários, ameaçando a aposentadoria dos trabalhadores. Isso depois de ter dado o calote no terço de férias de todo o funcionalismo, demitir professores, superlotar as escolas.

Para conseguir seu objetivo, o governador contou com a subserviência da grande maioria dos deputados. A história que se seguiu tem dois lados: um, o da grandeza e coragem dos trabalhadores e da juventude em luta por seus direitos; outro, o da covardia e cupidez de governantes e parlamentares afinados com os ditames do mercado.

Em greve geral, decidida em assembleia de mais de 10 mil participantes, professores e funcionários de escolas tiveram imediatamente a solidariedade das universidades estaduais, servidores da saúde, agentes penitenciários e outras categorias. Para impedir a votação sumária dos projetos do governador, esses trabalhadores, com apoio maciço de estudantes, concentraram-se em frente à Assembleia Legislativa, derrubaram as grades e ocuparam o plenário.

A Assembleia foi então totalmente tomada pela PM, inclusive a tropa de choque. Assim protegidos (era o que pensavam), os deputados governistas se prepararam para dizer amém ao governador em sessão fechada no restaurante. Conseguiram fazer uma, à qual os deputados de oposição se recusaram a comparecer.

No dia seguinte, a Assembleia amanheceu inteiramente cercada pelos manifestantes, para impedir a entrada dos deputados e a realização da sessão decisiva. No entanto, às 14 horas, um enorme contingente policial, com tropa de choque, bombas de gás e cães, conseguiu abrir uma brecha e, descendo de um veículo antimotins, os deputados governistas conseguiram entrar na Assembleia.

A massa gritava “vergonha! vergonha!”, “deputado ladrão tem de vir de camburão” e “fora Beto Richa!”.

Os deputados mal tinham iniciado sua nefasta obra quando os manifestantes conseguiram derrubar pela segunda vez as grades da Assembleia e entraram, aos milhares. Bombas de gás foram lançadas, balas de borracha disparadas. Muitos trabalhadores ficaram feridos, outros em estado de choque. Mas a massa continuou a avançar. Aos gritos de “sem violência! sem violência!”, as mulheres oferecendo flores aos PMs, a massa foi fazendo o bloqueio policial recuar até que ele foi rompido.

Neste momento, em pânico, os deputados decidiram encerrar a sessão. Poucos minutos depois, veio a notícia: Beto Richa havia retirado seus projetos, “para reexame”. Um brado unânime ecoou: “vitória! vitória!”.

Para os trabalhadores, o aprendizado de Curitiba não tem preço: é possível derrotar a política de austeridade, é possível fazer os governantes recuarem, mesmo com um enorme dispositivo de repressão. A greve, agora envolvendo quase todos os servidores, vai continuar. Um exemplo para todos os trabalhadores brasileiros.