CUT e movimentos sociais querem Dilma, mudanças e Constituinte

A 14ª Plenária Nacional da CUT (Plencut), com mais de 600 delegados representando trabalhadores de todo o país, deixou claro: a central está com Dilma, mas também exige mudanças, o aprofundamento da democracia e, para começar, a convocação de uma Constituinte Exclusiva que faça a reforma política e abra a porta para as demais reformas de que o país necessita.

Esta também foi a posição unânime dos movimentos sociais, manifestada em ato conjunto com a CUT. Houve consenso também sobre a necessidade de alavancar o Plebiscito Popular pela Constituinte, que ocorrerá de 1 a 7 de setembro.

A presidente Dilma recebeu da CUT a pauta de reivindicações da Central, que inclui a defesa da jornada de 40 horas semanais sem redução dos salários.

A reforma política foi tema de inúmeras falas durante a Plencut, com uma conclusão comum: com o atual sistema político não é possível realizar as mudanças exigidas pelos trabalhadores.A CUT assumiu a responsabilidade de colocar uma urna do Plebiscito em cada local de trabalho. Para o presidente da Central, Vágner Freitas, “o Estado que está aí não é o que queremos. Os poderes ainda estão nas mãos da burguesia, porque não mexemos nas estruturas e a presidenta Dilma Rousseff depende da capacidade que o movimento sindical tem de ir para a rua dar sustentabilidade à convocação do plebiscito”.

A expectativa é de se atingir 15 milhões de votos, cinco milhões a mais do que a consulta que derrubou o projeto da Alca em 1994.

Além da reforma política, os delegados do Plencut salientaram a necessidade das reformas tributária e agrária e a necessidade de regulamentar a comunicação, assim como a punição dos crimes do regime militar (ver abaixo).

Homenagem às vítimas da ditadura militar

Um emocionante ato em homenagem às vítimas da ditadura militar marcou o encerramento da Plencut. O secretário de Políticas Sociais da CUT, Expedito Solaney, mostrou como o golpe militar foi dirigido principalmente contra a organização dos trabalhadores, com intervenção em mais de 400 sindicatos no primeiro dia do golpe, o fim da estabilidade no emprego e perseguição, tortura, morte ou desaparecimento de inúmeras lideranças sindicais.

A CUT exige o esclarecimento de todos os crimes do regime militar e o julgamento e punição dos responsáveis. Mas não apenas dos torturadores. O presidente da central, Vágner Freitas, lembra: “E os empresários, que financiaram a estrutura repressiva, torturadora, assassina do golpe? A sociedade precisa saber disso, e a divulgação de tal história também é uma tarefa nossa e da Comissão Nacional da Verdade”.