Lula “porreta” promete “fazer o que a gente ainda não fez”

No último dia 2 de agosto, no lançamento de sua candidatura na disputa pelo 4º mandato, Lula falou em “briga” com emendas parlamentares e condenou o avanço do Congresso sobre o orçamento e prerrogativas da presidência. Lula também criticou o fundo partidário e, para além da ampliação de programas sociais, prometeu “fazer o que a gente ainda não fez”. Nesse sábado (8), patrocinadores da Declaração por uma Reforma Política Radical se reúnem em São Paulo para discutir iniciativas que dialogam com os problemas que Lula apontou -esse tema é incontornável, para as mudanças profundas que o povo espera na perspectiva da mobilização social por uma Assembleia Constituinte Soberana que as faça.

Lula comparou o atual fundo partidário com o processo de construção do PT: “Preferia o meu partido quando tinha que vender camiseta para arrumar dinheiro para ir fazer outro comício. Esse negócio de fundo partidário não me agrada, porque está levando os partidos à promiscuidade. Fez todos nós virarmos iguais.” Só em 2026, o fundo partidário está projetado em R$ 1,43 bilhão, pago em parcelas mensais. Essa quantidade de dinheiro permite que os partidos sobrevivam de forma independente de seus militantes e base social, inclusive todos os partidos da esquerda legalizados.

O caso das emendas parlamentares vai no mesmo sentido. Nesse ano são R$ 61 bilhões, R$ 40 bilhões deles “impositivos”, para deputados e senadores distribuírem e formarem seus currais eleitorais, fora os inúmeros casos de desvio para o bolso dos proponentes e recebedores. Essa mesma prática é reproduzida em Assembleias Legislativas e Câmaras de Vereadores pelo país. O resultado é um sistema personalístico, baseado na compra de apoiadores e na extrema distorção do planejamento no investimento dos recursos públicos.

Lula dialoga com o sentimento popular de repulsa às instituições, mas não detalhou que mudanças pretende debater na campanha. O certo é que esse sistema político precisa ser mudado, até como forma de impedir que “promiscuidade” se aprofunde ainda mais dentro do próprio PT. Como diz a Declaração à Militância, base do encontro do dia 8, “O Brasil precisa de uma reforma radical nas instituições. O PT deve se qualificar nas eleições como o genuíno partido antissistema na luta por uma Reforma Política – com o financiamento público exclusivo, o voto em lista partidária pré-ordenada e a proporcionalidade direta (um eleitor, um voto). Sim, é uma ruptura pela via democrática que queremos.”

O lançamento oficial da campanha de Lula será no estádio Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, palco das greves do ABC no final da década de 1970 e início dos anos 1980, berço do PT. Época em que o partido não era dependente do dinheiro do estado e se baseava no financiamento oriundo de seus militantes. Para “fazer o que não foi feito” um bom início seria uma reforma radical e uma Constituinte Soberana, o povo não aguenta mais o Congresos Inimigo, está ai o destino incerto do fim da 6×1 para provar.

Vem caravanas e DAP vai com tudo para a Vila Euclides!

Marcelo Carlini, membro do Diretório Estadual do Rio Grande do Sul

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