No 5º Congresso, a crise do PT persiste, mas a resistência cresce

O 5º Congresso do PT, cuja segunda etapa foi realizada neste final de semana, terminou sem que fossem dadas respostas concretas aos principais problemas enfrentados pelo partido. A corrente majoritária conseguiu fazer aprovar o apoio à política econômica de Dilma-Levy e impediu a volta dos encontros de base, mantendo o PED.

As votações apertadas, porém, indicam que a crise interna permanece e que aumenta a resistência da base partidária à política de adaptação da direção, que leva o partido à paralisia.

Na plenária final, bastante acalorada e conduzida pela mesa de forma confusa e tendenciosa, foram votadas as emendas ao texto base (a tese do campo majoritário já aprovada no primeiro dia). A primeira divergência votada foi em relação à política econômica. Uma emenda apresentada por Bruno Elias, apoiada no manifesto dos sindicalistas petistas da CUT, com apoio do DAP e outras teses, colocava no centro a necessidade de mudar a política econômica implementada por Joaquim Levy, no Ministério da Fazenda. Foi necessário contar os votos para saber qual seria a proposta vencedora. Foram 312 votos pela manutenção da atual política contra 256 que questionavam o plano Levy.

Uma outra emenda polêmica foi em relação à auditoria da dívida pública. Ela foi rejeitada por 350 delegados que votaram contra a auditoria, 302 foram favoráveis.

Julio Turra, da Executiva Nacional da CUT, apresentou pelo DAP emenda pela revisão da política de aliança nacional com o PMDB, que trata o PT como um partido minoritário e que o PT precisa romper com a lógica do presidencialismo de coalizão por meio de uma Reforma Política numa Constituinte Exclusiva e Soberana. Disse também que o PMDB representa os interesses de oligarquias retrógradas, evangélicos e homofóbicos que atacam os LGBTs, direitos das mulheres e travam a reforma política. A palavra de ordem: FORA CUNHA! tomou conta do plenário. Mas a emenda foi derrotada.

O discussão mais tumultuada foi em relação ao PED: 5 oradores pelo fim do PED e 5 pela manutenção. Valter Pomar abriu a discussão, destacando que os vícios do PED e do modelo de encontros eram similares, mas seriam maximizados no PED. Benedita chegou a dizer que o PT era um partido de massas e que o modelo congressual impediria a participação das massas. Misa Boito, do DAP, falou que o PED reduz o militante a mero cidadão consultado a cada 4 anos. A mais impactante fala foi a do ministro Patrus Ananias, que explicou que é por um partido de massas, mas não de massa de manobra, porque no PED prevalece o transporte de eleitores, a compra de votos, pagamentos de boletos por terceiros, trocas de favores e que o fundamental era o PT ser um partido de massas militante. Deu 60% a 40%, por contraste.

A última emenda foi se o PT teria posição congressual acerca do recebimento do financiamento empresarial de campanha. Por contraste de voto venceu a proposta de remeter a questão ao Diretório Nacional.

Foi aprovada uma moção pela liberdade de João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, preso injustamente pela operação Lava-Jato. Não tinha como não aprovar: no primeiro dia, o plenário havia ovacionado de pé, por três minutos, a saudação feita a Vaccari por Markus Sokol, do DAP. Foi aprovada também uma moção em defesa da Petrobras.

O Comitê Nacional do DAP, que se reunirá no próximo sábado, aprofundará um balanço que será depois distribuído.