Manifesto ao 5º Congresso do PT

O Diálogo e Ação Petista pela primeira vez se apresenta ao congresso do partido com a tese “Resgatar o petismo no PT”. Nós não cremos que o Manifesto de Fundação envelheceu ou não é adaptado à globalização.

A crise que hoje ameaça o PT, ao contrário, tem a ver com o abandono das bases da Fundação. Pois com tudo de novo no cenário, essencialmente continua a exploração e a opressão. A desigualdade no Brasil é enorme. E só pela luta de classe os trabalhadores se emanciparão. Para isso precisam de um partido.

Três questões, em nossa opinião, concentram os problemas atuais, que nenhuma covardia política permite adiar mais:

1 – LUTA PELA CONSTITUINTE SOBERANA E EXCLUSIVA DA REFORMA POLÍTICA

É imprescindível para abrir caminho para as reformas populares. Com esse Congresso não dá!

Essa luta é parte também do combate ao carreirismo disseminado e contra o cretinismo parlamentar.

Ou mudamos esse sistema, ou o sistema terminará de mudar o PT fundado para defender os trabalhadores.

É graças ao regime de “presidencialismo de coalizão” que o golpismo, para além do PSDB-DEM e da cúpula do Judiciário, ataca inclusive dentro do ministério dominado pelo PMDB.

Criminalizam o próprio PT – aí está a absurda prisão de Vaccari, mais uma manipulação do Judiciário das elites. Avançam na contrareforma política, anunciam a revisão do regime de partilha do pré-sal e tentam regredir os direitos sociais e democráticos.

2 – NÃO AO PLANO DE AJUSTE DE LEVY

É impossível conviver com o ajuste regressivo e recessivo que joga o partido contra a sua base. É inaceitável cortar R$ 70 bilhões do Orçamento, mais R$ 12 bilhões de direitos trabalhistas e previdenciários, depois de dar R$ 100 bilhões de desonerações aos empresários!

A defesa do mandato da presidente Dilma não é a defesa suicida desta política do ministro do Bradesco.

Nós conclamamos o partido a rechaçar esta guinada, que nega e esvazia as conquistas sociais dos últimos anos.

Não queremos repetir a tragédia dos partidos socialistas que no governo traíram seu programa e foram varridos. Queremos:

  • derrubada dos juros e centralização cambial;
  • fim do superávit primário, investimento público e reestatização
  • reindustrialização e proteção comercial;
  • reforma agrária e reforma urbana;
  • reforma tributaria com taxação das heranças e das grandes fortunas

3 – RECONSTRUÇÃO DO PT

Somos pelo fim do famigerado PED e pela volta aos encontros democráticos de base, onde os delegados discutem olho no olho, deliberam a orientação e elegem os seus dirigentes.

A reforma política começa no PT!  Defendemos o fim do financiamento privado nas eleições, mas também dentro das eleições internas no PT.

Chega da manipulação e do carregamento de votos do PED. O poder econômico está igualando o PT aos demais partidos. Terá o “campo majoritário” coragem e desprendimento para ajudar a salvar o PT? Chega de currais eleitorais dentro do PT!

Companheiras e companheiros,

A situação é muito grave.

Já nas últimas eleições, o PT, apesar de ter sido o partido mais votado e graças à militância ter reeleito a presidente, o PT perdeu em vários de seus principais redutos.

Agora, uma sombra paira sobre nosso futuro.

Em abril cortou-se 100 mil empregos (50 mil na indústria), o pior resultado para o mês desde 1992. Ainda segundo o IBGE, no 1o. trimestre, caiu o consumo do povo brasileiro, pela primeira vez desde 2003. E a diretora do FMI, Lagarde, veio aqui dar mão forte a Levy e pedir mais. Conforme o seu último relatório, o FMI questiona agora até a “legislação trabalhista arcaica” e os reajustes reais do salário mínimo.

Os economistas e intelectuais amigos do PT condenam essa política de ajuste fiscal. Os dirigentes dos movimentos populares, como o MST, a CMP e o MTST, assim como a UNE e as organizações de juventude, criticam e combatem os cortes orçamentários.

E os dirigentes da CUT, de forma contundente, pedem a mudança da política econômica. Afinal, já são quase 500 mil demissões este ano. Chega de Plano Levy, nem mais um mês deste ajuste!

Companheiras e companheiros,

Nós viemos ao Congresso dispostos a discutir com todos uma saída.

Não somos os donos da verdade. Também não reconhecemos uma direção infalível e nem lideranças geniais.

A saída tem que ser construída coletivamente, no terreno do PT.

Sim, a construção de uma frente é necessária, para enfrentar a reação articulada com os centros imperialistas.

Mas ela não vai substituir o partido dos trabalhadores – mais do que nunca o PT é necessário!

Ainda é tempo, as reservas políticas do PT, reservas morais e organizativas, existem. São oportunistas os que hoje abandonam o nosso partido. A reação ataca, é verdade, até pela “extinção do PT”, mas as bases estão aí pedindo uma resposta.

Discutamos sem preconceitos. Apelamos à consciência dos petistas.

Ouçam as organizações sindicais e populares. Reflitam sobre os últimos meses de mobilização das bases petistas sob iniciativa da CUT e dos movimentos populares, apesar da passividade da cúpula partidária.

  • EM DEFESA DO PT!
  • Abaixo o Plano Levy!
  • Fim do PED e volta dos Encontros!
  • Constituinte Soberana e Exclusiva do Sistema Político!
10 de junho de 2015