Servidores massacrados no Paraná. Anular a votação! Fora, Beto Richa!

Uma articulação dos três poderes (executivo, legislativo e judiciário) produziu, no dia 29 de abril, a repressão mais sangrenta da história do Paraná: cerca de 4 mil policiais dispararam bombas de gás lacrimogêno, de pimenta e de efeito moral, além de balas de borracha e uso de cães e cavalos, contra a manifestação dos servidores estaduais, que protestavam contra o projeto de lei do governador Beto Richa que altera o sistema de previdência e permite ao governo botar a mão grande no dinheiro dos trabalhadores.

Resultado: mais de 200 feridos, pelo menos 10 em estado grave, um deputado e um cinegrafista mordidos pelos cães da polícia dentro da Assembleia Legislativa, crianças de uma creche próxima passaram mal devido aos gases. As cenas de guerra aberta contra os trabalhadores provocaram uma enorme indignação popular, no Paraná, no Brasil e no exterior.

O governo planejou, o judiciário permitiu o cerco policial à Assembleia e a maioria parlamentar governista, totalmente insensível ao que se passava a menos de 50 metros, seguiu votando o projeto, tomando água de coco refestelada em suas poltronas. As instituições combinaram cinicamente o ataque contra os trabalhadores.

O massacre, porém, não tirou o ânimo dos trabalhadores. Ao contrário, só fez multiplicar a indignação contra o governo. Metalúrgicos da Volvo, em assembleia, manifestaram solidariedade aos servidores. Professores de 15 estados paralisaram suas atividades no dia 30. Neste mesmo dia, cerca de dois mil estudantes, professores e servidores se concentraram em frente ao Palácio Iguaçu, para exigir “fora, Beto Richa!”. O 1º de Maio em Curitiba e outras cidades do Paraná teve o mesmo conteúdo.

O Diálogo e Ação Petista, cujos militantes participaram ativamente das manifestações, manifesta sua total solidariedade aos servidores e o mais completo repúdio à ação combinada dos três poderes. O Diálogo e Ação Petista entende que é necessário tirar lições dos acontecimentos.

Em primeiro lugar, todos os esforços devem ser feitos para invalidar a votação de aprovação do projeto de Beto Richa pelos deputados. Foi uma votação completamente ilegítima, com a Assembleia cercada pelas tropas de choque durante três dias. O Ministério da Previdência Social, como já fez em outros estados, deve impedir a verdadeira tunga que Beto Richa pretende aplicar contra os servidores. Medidas judiciais e parlamentares também devem ser tomadas. Mais importante, porém, é a continuidade da mobilização. Os professores e funcionários de escolas da rede estadual continuam em greve, bem como as universidades estaduais. Anula a votação!

Em segundo lugar, o que aconteceu no dia 29 mostra, de maneira definitiva, que não há diálogo possível com o governo Beto Richa. E isso não diz respeito apenas aos servidores. No dia 29, no dia 30, no 1º de Maio, nas esquinas, o sentimento é o mesmo: este é um governo que ultrapassou todos os limites. O sentimento de classe dos trabalhadores mobilizados já apontou a saída: Fora, Beto Richa!