DIÁLOGO PETISTA – 23 de abril de 2009

ENCONTRO PARA DISCUTIR MEDIDAS DE EMERGÊNCIA

“Oportunidade para discutir alternativas e levar ao Planalto”

“Os 5 mil trabalhadores do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) estão aflitos”. Afinal, explica Danilo Farias, o Caçapava, dirigente do Sindsaúde, “é inconcebível o governo federal que gerencia o GHC anunciar demissões, fala-se em mais de mil!, praticar assédio moral e perseguir, como falei hoje mesmo ao diretor- administrativo do hospital. Ele nem se sensibilizou”.

O sindicalista conclui “é por isso que a proposta de Medida Provisória é tão aceita na base, é preciso dar um jeito nisso. O abaixo-assinado já tem quase mil adesões só no hospital.”

Caçapava, também membro da Executiva da CUT-RS, foi um dos 83 delegados presentes ao Encontro que, em 15 de novembro passado quando a crise começava a estourar no Brasil, decidiram manter um laço entre si fundando o Fórum de Diálogo Petista.

Hoje, se vê como eles de fato respondiam à uma necessidade cada vez mais premente: um fórum de discussão em bases realmente petistas para enfrentar problemas agudos.

Confrontado à brutal onda de demissões na virada do ano, o Fórum não se paralisou. No PT, muitos se perguntam o que fazer em debates sem fim, se limitam a questões administrativas e eleitorais. O Fórum se ligou a uma iniciativa que vem do movimento sindical, ajudou a ampliá-la à mais de 11 mil adesões, integrando-a na discussão mais ampla com um conjunto de petistas sobre medidas de emergência – como a reforma agrária, o fim do superávit primário e outras – para efetivamente tirar o país da crise.

Assim, vai se conformando um agrupamento através das reuniões e debates locais que se expressará no Encontro para discutir Medidas de Emergência, 16 de maio, na Assembléia Legislativa de S. Paulo. Entre as discussões, preparar um ato de entrega do abaixo-assinado em Brasília.

“É muito positivo esse Encontro dia 16” diz Caçapava, “uma oportunidade para militantes preocupados construir alternativas. Não pode só deixar o governo tocar, o PT teria que ter a sua posição. O país tem que sair da crise, mas não são os trabalhadores que vão pagar. Então, vou ao Encontro discutir as alternativas, e depois levá-las ao Planalto, tranquilamente”.

 

Plenária em Portão (RS)

50 pessoas lotaram a Câmara Municipal da pequena cidade de Portão, na grande Porto Alegre, no último dia 16. Era uma Plenária convocada sete dias antes por José Rodrigues do Nascimento (Sindicato do Curtimento e Peles de Portão), Pedro Noeli Amaral (Sindicato do Calçado), Luiz Henrique Becker (representante no CPERS Sindicato) e o vereador do PT João Pedro Gaspar. A convocatória era sobre o tema "É possível barrar as demissões?".

Mais de 40 adesões ao abaixo-assinado da MP foram coletadas e o vereador deve colocá-lo como moção na Câmara, além de pedir informações da prefeitura sobre as medidas frente à crise, fora os cortes anunciados.

Tirou-se uma "Carta de Portão" para se dirigir às cidades da região para que "façam o mesmo e juntem forças".

Decidiu-se procurar o Sindicato dos Calçadistas de Parobé para levar o abaixo-assinado à unidade da Azaléia/Vulcabrás (última do grupo no Estado, com 3 mil operários, mas que está demitindo). E se iniciou a discussão da extensão do seguro-desemprego no setor calçadista, excluído de um recente benefício governamental.

O lugar do Fórum

Toda essa movimentação passou por uma reunião anterior de 16 petistas no Fórum do Diálogo Petista em Porto Alegre, no começo do mês.

Ali, com companheiros de diferentes origens e trajetórias no PT, se articulou a extensão de iniciativas de campanha com o abaixo-assinado em algumas outras cidades do Estado, como Estrela, Caxias, além da Capital. Os gaúchos têm quase 1.000 adesões a MP já centralizadas.

É normal, portanto, que na Plenária em Portão tenha aparecido um grupo local de petistas que decidiu não sair do PT e discutir uma chapa "contra esses caras que estão aí" – eles se identificaram com as propostas.

É significativa a disposição do dirigente calçadista, Pedro Noeli, de representar os petistas no Encontro de Emergência, dia 16, em São Paulo.

São trabalhadores e sindicalistas que começam a ver nas atividades impulsionadas pelo Fórum um ponto de apoio que lhes falta para combater por reivindicações concretas. (Correspondente)

 

“Gostaria de mais reuniões como essa” (BA)

IRECÊ – Nesse centro produtor de feijão administrado pelo PT, 10 petistas formaram o Fórum no último dia 29, como meio de retomar a discussão, pois quase não há reunião das instâncias do partido.

Os petistas levantaram várias questões específicas, e decidiram passar o abaixo-assinado a Lula pela Medida Provisória que proíba as demissões na igreja católica, na Universidade Estadual da Bahia e numa banquinha na feira, além de divulgar na rádio.

Uma sindicalista que pedira desfiliação do partido, desolada com as alianças do PT na região, reconsiderou. Uma dirigente da comunidade da igreja local fará um debate com o grupo de jovens.

Na Câmara da vizinha Lapão é possível um Requerimento a Lula pela MP.

O sentimento era de finalmente ter encontrado um espaço de debate – “gostaria que houvesse mais reuniões como essa, para que o partido não se resumisse a cúpula das tendências”, resumiu um militante.

O prefeito de Irecê, José das Virgens, compareceu ao final e questionou se era possível essa MP. Explicado que sim, o prefeito alegou que se fosse um abaixo-assinado contra as desonerações, ele assinaria (assumiu que sofrera um corte de R$200 mil na prefeitura). Por fim, pediu um debate “mais sério”. Talvez por não estar “seriamente” ameaçado de desemprego…

Os militantes presentes confirmaram a disposição de preparar o Encontro de Emergência e construir a campanha da MP: a banca na feira obteve 60 adesões.

SALVADOR – 17 presentes ampliaram o Fórum, dia 17. Na discussão, um militante parabenizou o espaço, mas falou que “não há crise, é a direita que demite para derrubar o governo”. Depois de convencido pelas falas, levantou as estatizações fazendo alusão à Venezuela e Bolívia.

Hipólito, ex-candidato a presidente estadual, destacou que o PT deve ter independência do governo, e a necessidade de chapas nessa linha no PED.

Todos pegaram cartazes para colar e assumiram a agenda do abaixo-assinado da MP em empresas, bairros, eventos do PT e 1º de Maio. Dia 9, se fecha a delegação ao Encontro.

CACHOEIRA – 9 petistas, trabalhadores e donas de casa, deram o passo para formar o Fórum nessa cidade. Foi o resultado do debate de um grupo que questiona o rumo atual do PT e quer trazê-lo “de volta para junto dos trabalhadores”. Uma dúvida sobre a LRF na reunião não impediu as decisões de passar o abaixo-assinado da MP e arrecadar para enviar ao menos um para o Encontro. (Correspondente)

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