“Não queremos muros, queremos horizontes”

Com essa frase o deputado Rui Falcão (PT-SP) abriu a Audiência Pública da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, no último dia 8, sobre a questão dos brasileiros deportados pelo governo Trump.

Falcão participou da Delegação que em setembro passado esteve no México na Conferencia Continental pelo Direito de Migrar e pela Soberania Nacional. Na Audiência ele pediu o fortalecimento do Programa “Aqui é Brasil” do governo, lançado no ano passado, para a reintegração de brasileiros repatriados à força. “Apesar de toda a boa vontade, tem baixo orçamento. Mais de 4 mil brasileiros foram deportados com violência e precisam de acolhimento, direito à moradia, acesso a benefícios sociais e também reinserção no mercado de trabalho. Nós não queremos muros, queremos horizontes”, disse o deputado. Defendeu ainda a formalização de uma “delegação multipartidária de parlamentares para verificar a situação dos brasileiros presos nos Estados Unidos”.

O DAP esteve em Brasília no debate, que contou com parlamentares, dirigentes sindicais e partidários e de movimentos populares.

Esta Audiência, agora, veio cobrar medidas propostas na Audiência realizada em novembro de 2025, no bojo da preparação da Jornada Continental de março de 2026, sob o lema “Migrar não é crime, é um direito”.

“Como integrante do DAP Capital SP, e dirigente do PT”, disse Bárbara Corrales, “estive no Mexico junto com vários que aqui estão, e denuncio a truculência do ICE (Serviço de Imigração). Na semana passada, os agentes do ICE prenderam 10 mil pessoas em cinco dias. É isso que o imperialismo quer: a guerra pode ser com bombas, como no Irã e na Palestina, mas também pode ser guerra social. Mas não podemos esquecer que há resistência, o levante de Minneapolis contra o ICE, e os milhões nas ruas no ‘No Kings, No Ice, No War’.

De janeiro de 2025 até junho deste ano, cerca de 600 mil foram deportados, dos quais 4,6 mil brasileiros. Cerca de 17 mil brasileiros estão detidos em condições desumanas, de forma prolongada, enfrentando dificuldades de defesa.

Jaime Torrez, do DAP ABC, enfatizou “queremos estabelecer um fio de continuidade do internacionalismo e da fraternidade. Acreditamos que perseguir os migrantes e colocá-los como inimigo interno é um mecanismo para dividir a classe trabalhadora. Queremos a unidade da classe trabalhadora”. Jaime esteve no México como dirigente do Sindicato dos Médicos de SP.

A vereadora Sandra Perpétuo, do PT de Governador Valadares, que também participou no México, denunciou o descaso da prefeitura de GV. “Nossa cidade é o epicentro da imigração para os EUA e agora temos muitos deportados que chegam sem nada, e precisam de auxílio. A prefeitura tem um lindo programa, mas que ficou só no site, não funciona. Fizemos Audiências Públicas e nem o básico, nada foi feito até agora. Nem pela prefeitura, nem pelo governo federal”

Outro organizador a Audiência, o deputado Reimont (PT-RJ), afirmou que “fronteiras administrativas não podem impedir o livre deslocamento das pessoas”. Já a deputada Erika Kokay (PT-DF) sugeriu a criação de um observatório para monitorar a situação dos migrantes.

Sumara Ribeiro, dirigente do PT MG e do Comitê Nacional do DAP, que esteve no México, destacou “onde mais guerras existem, mais problemas de migração ocorrem. Os povos se movem fruto da destruição e da falta de condições, e quando chegam lá encontram barreiras para que se instalem. Nos Estados Unidos – o problema não é de agora, antes, Biden e Obama também deportaram – Trump trata os imigrantes como inimigos do país, como problema de defesa nacional”. 

Ao final, foram propostos requerimentos de informação ao governo federal sobre ações do Programa “Aqui é Brasil!”, e o compromisso com uma articulação para preparar uma delegação aos Estados Unidos após as eleições.

Barbara Corrales, DAP Capital SP

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