Uczai está certo, o “inimigo dos trabalhadores”, Alcolumbre, quer engavetar o fim da 6×1!

Em 18 de julho começa o recesso parlamentar. Restam 5 dias úteis e não há nenhum sinal de que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União/AP), dará andamento ao projeto aprovado na Câmara dos Deputados que acaba com a escala 6×1 e reduz a jornada de trabalho. Alcolumbre sequer enviou a PEC 221/26 para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Ele atende à cobrança da Fiesp que quer jogar para depois das eleições para poder desfigurar ou enterrar o projeto de vez.

Pedro Uczai, líder do PT na Câmara, corretamente declarou que se Alcolumbre não encaminhar a PEC, “vamos elegê-lo como inimigo dos trabalhadores”. Nervoso, em nota à imprensa, Alcolumbre rebateu que “esse tipo de ameaça e tentativa de intimidação não será mais tolerado” e que não se submeterá a pressões “político-eleitorais”.

O problema é que Teresa Leitão (PT/PE), a nova líder do governo no Senado, desautorizou Uczai e afirmou ser contra a pecha de “inimigo dos trabalhadores” para quem há mais de 40 dias senta em cima da reivindicação que tem o apoio de mais de 70% do povo e beneficiaria mais de 30 milhões de celetistas. Ela poderia ter uma opinião dissonante no partido, mas manifestá-la desse modo de público desmoraliza o líder do PT na Câmara, na verdade, desmoraliza o partido

A situação é grave. O Congresso fica em recesso de 18 a 31 de julho e analistas políticos avaliam que, depois, nenhuma votação relevante será feita no Legislativo até as eleições de outubro. Mas após outubro, sem o trunfo da pressão das urnas, é ainda menos provável que a maioria reacionária dos senadores esteja disposta a pôr fim à 6×1, isso se não houver modificações para jogar de volta para a Câmara, que também já não estará sob pressão do voto.

Imaginar um grande acordo por cima com esse Congresso inimigo do povo, sem pressão máxima sobre os parlamentares, traz consequências desastrosas. A orientação corrente na maior parte da cúpula sindical, inclusive na CUT, verbalizada as vezes, é de não atacar os senadores e fazer uma pressão “respeitosa”. Isso já desarmou e ajudou a esvaziar o dia de luta de 30 de junho pelo país. A reunião no dia 1/07, entre o “inimigo dos trabalhadores” Alcolumbre com as Centrais sindicais, foi erroneamente interpretada como um compromisso de que a tramitação “seria célere”.

Sem a pressão do calendário eleitoral, o futuro da PEC está em questão. Faltam menos de três meses para as eleições, Alcolumbre e o Senado têm lado e só não vê quem não quer. Satisfazer-se como um grande debate eleitoral sobre a 6X1 é muito perigoso.

Um acordo por cima não colocará fim na 6×1, muito menos mudará a composição do Senado, o que só uma reforma política radical pode dar início.

A vida é dura com esse Congresso, quem quer vender ilusões?

Marcelo Carlini, membro do Diretório Estadual do PT-RS

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