Diálogo Petista 85

A luta contra a AP 470 é um dos temas da

Plenária Nacional de Petistas

A prisão de José Genoíno, José Dirceu e Delúbio Soares, ex-dirigentes do PT, ordem de Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal, é mais um episódio brutalmente revelador desse julgamento de exceção.

O Diálogo Petista lançou uma campanha contra a Ação Penal 470, em defesa do PT e dos Direitos Democráticos (11/2012). Agora o DP chama, com ex-candidatos à presidente de chapas “Constituinte, Terra, trabalho e Soberania” no PED, uma plenária nacional de petistas para 30 de novembro e 1 de dezembro. Estará em discussão o balanço do PED e as lutas que estão colocadas, “para agir como o PT agia”. O luta contra a AP 470, tema destacado nessa pagina, terá seu lugar na pauta.

 

image002                               Delegação do SINDSEP-DF na Papuda.

15 de novembro: em pleno feriado, Joaquim Barbosa expediu, no meio da tarde, a ordem de prisão, pegando de surpresa os condenados e os petistas que estariam dispostos a se mobilizarem. Genoíno e José Dirceu se apresentaram no final da tarde, na Policia Federal em São Paulo. Cerca de cem petistas foram prestar solidariedade, “partido, partido, é dos trabalhadores”, gritavam. Dirceu e Genoíno permaneceram encarcerados, apesar do regime de prisão ser semi-aberto.
 
16 de novembro: numa operação espetacular da Polícia Federal, transmitida minuto a minuto pela TV, um avião sai de Brasília para os presos, em São Paulo e Belo Horizonte e trazê-los para a capital federal. Cerca de 200 pessoas, sindicalistas, jovens, parlamentares e dirigentes do PT, em frente à Polícia Federal do DF, com carro de som e muitas bandeiras do PT, manifestavam sua indignação, acompanhada de preocupação com o estado de saúde de Genoíno. “Julgamento de exceção, exigimos anulação!”, foi uma das palavras de ordem mais gritadas. Os presos foram levados para o presídio da Papuda. No dia seguinte a família de Genoíno inicia uma vigília na porta do presídio.
 
 
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                       Família  de Genoíno na vigília na porta do presídio

18 de novembro: o diretório nacional do PT, em uma nota critica a AP 470, mas não pede sua anulação e a única iniciativa prática, depois de muita discussão, foi fazer um ato no Congresso do PT em 12 de dezembro, em solidariedade aos companheiros e contra “os descaminhos” da AP 470.
 
Dilma reúne com lideranças da base aliada. O líder do PT no Senado, Wellington Dias (PI), propôs que o senado tomasse providências contra Joaquim Barbosa, por ilegalidades praticadas na prisão, mas os “aliados” não toparam. Já o vice- presidente do PMDB, Michel Temer, aconselhou Dilma a não se manifestar sobre o tema, pois “poderia criar uma crise institucional”. (Valor 19/11)
 
19 de novembro: chegam notícias de atos contra a AP 470. A CUT vai fazer uma manifestação em Brasília, no próximo dia 26. Petistas, em particular a juventude do PT, em várias cidades organizam reuniões para discutir iniciativas.
A plenária nacional de petistas certamente se somará ao combate!
 
Misa Boito
Ex-candidata à presidente PT-SP


Inaceitável a passividade da direção do PT

Quando da condenação dos petistas, tive a certeza de que o STF estava mexendo com sentimentos muito profundos e explosivos. Quase podia sentir os ânimos exaltados dos militantes e simpatizantes. Essas reações muitas vezes são subterrâneas, mas a classe dominante certamente as leva em conta. Por isso, esperaram o fim do processo de eleição das novas direções do PT, que bem ou mal é um momento de mobilização do partido, para essa estúpida prisão de Dirceu e Genoíno.

Pois bem, o que houve a partir de 15 de novembro foi uma manifestação de revolta coletiva raramente vista. Desenvolve-se um movimento em grande medida espontâneo de repúdio à AP 470 e de defesa do PT e, inclusive, um processo sem precedentes de filiação ao partido. O que é ininteligível se nos basearmos na lógica do bom mocismo: porque os novos aderentes escolheram exatamente este momento para fazer tal opção? Muitos militantes já foram para as ruas expressar sua indignação. A maioria, porém, espera um sinal das direções do partido. Querem ter no partido um canal de organização e de luta. Estão prontos para assumir todas as bandeiras históricas do PT, principalmente aquela que ocupou a ordem do dia nos últimos meses: Constituinte por uma profunda reforma política, além de uma reforma radical desse Judiciário apodrecido.

É o que torna mais inaceitável o silêncio, a passividade da direção nacional do PT. É a recusa a assumir a direção desse movimento. Tal como em junho e julho, o PT corre o risco de ficar de fora do movimento real. Pode ser que Dilma seja reeleita, mesmo assim. Torcemos para isso. Porém, ao custo de aumentar tremendamente a dificuldade de reatar os laços com aqueles que sempre quisemos representar.

Roberto Salomão
Ex-candidato a presidente do PT-PR
 

Curtas

 

Reação espontânea

De 15 e 17 de novembro, numa reação espontânea, 392 pessoas manifestaram interesse em filiar-se ao PT, 2.613% mais que os 15 registrados no final de semana anterior. “’A única maneira de enfrentar a direita, a mídia conservadora e a injustiça da Justiça, é filiação em massa ao PT’, diz um internauta, outros completavam que o STF ‘fez surgir a maior campanha de filiação ao PT’” (JB, 18/11)

Julgamento de exceção

Notoriamente, buscou-se punir de qualquer modo os principais nomes do Partido dos Trabalhadores. A seguir, sucederam-se os contorcionismos para a montagem de um roteiro em que se busca provar o inexistente. Não há nada a copiar neste julgamento de exceção – a Ação Penal 470”. (cientista político Wanderley Guilherme dos Santos)

Pior agressão é a humilhação

“Da forma como conduzem as prisões, os deslocamentos, parece haver a nítida intenção de expô-los à execração pública. No auge da perseguição que sofreu de Joseph Stalin na União Soviética, Trotsky disse que ‘a pior das agressões a uma pessoa, a um cidadão, é expor-lhe a humilhações, porque elas desarmam o indivíduo e o agridem no essencial de sua dignidade’”. (escritor Fernando de Moraes)

Como aceitar?

“A toga que deu cobertura silenciosa à ditadura é a mesma toga que criminaliza dirigentes do PT que não cometeram nenhum crime. Como aceitar?” (José Guimarães, líder do PT na Câmara dos deputados)

Provas ocultadas

É imperdoável a postura do ministro Cardozo frente à “fuga para a Itália” do ex-diretor do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato, entrando imediatamente com o pedido de sua extradição junto ao governo de Roma. O caso Henrique Pizzolato (cidadão com dupla nacionalidade) é uma das maiores aberrações do processo em curso: todos sabemos (é mais que público) que o doutor Joaquim Barbosa ocultou cínica e despudoradamente as provas de inocência do réu, que constavam do processo.” (Alípio Freire, Brasil de Fato)

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