Conferência de Argel

Em seus encontros, o Fórum do Diálogo Petista decidiu apoiar e divulgar no Brasil a Conferencia Mundial Aberta de Argel, 27-29 de novembro de 2010.
Como prestação de contas dos seus debates e decisões, distribuímos a informação publicada como encarte da edição do jornal O Trabalho no. 685.


Conferência Mundial na Argélia é um êxito

Realizada entre os dias 27 e 29 de novembro, a Conferência Mundial Aberta contra a Guerra e a Exploração foi um grande êxito. Pela primeira vez uma atividade deste tipo foi organizada num país africano, a Argélia, e contou com a participação de mais de 400 delegados de 52 países. Nestas 4 páginas especiais trazemos a Declaração final adotada (abaixo), o relato de algumas intervenções, a repercussão na imprensa local e os resultados da reunião de jovens. A conferência foi realizada no Centro dos trabalhadores da construção civil, em Zeralda (a 45 km da capital, Argel).

Plenario


Declaração da Conferência Mundial Aberta contra a Guerra e a Exploração

Argel, 27-28-29 de novembro de 2010

Nós, militantes operários, políticos e sindicais, delegados de 52 países reunidos na Conferência mundial em Argel, nos dias 27, 28 e 29 de Novembro de 2010 – depois de ter ouvido os informes precisos apresentados por 97 oradores sobre a situação dos seus países – chegamos a uma conclusão: só a união dos trabalhadores e povos do mundo pode impedir que a humanidade seja arrastada para um desastre como o que já sofrem os povos do Haiti, Afeganistão e de muitos outros países martirizados.

Trata-se de uma catástrofe que deriva da sobrevivência de um sistema econômico que tem como base a exploração capitalista e as políticas postas em prática para tentar salvá-lo, assumidas por go-vernos de todas as cores políticas que aceitam aplicar as diretivas do governo dos EUA.

A nossa Conferência tem como título: contra a guerra e a exploração.
Somos contra a guerra, que provoca sofrimentos intoleráveis aos povos e trabalhadores do mundo inteiro e impõe, em todos os países – seja nos que são vítimas de intervenções militares estrangeiras, seja nos que as organizam – a destruição de setores inteiros da indústria, o desemprego generalizado, medidas de desregulamentação, destruição do ensino e da cultura, a desertificação dos campos e as migrações sem fim. Opomo-nos às ingerências estrangeiras, às ameaças de intervenções militares (onde quer que sejam) e à presença de bases militares imperialistas que questionam a soberania das nações.

Somos contra a exploração

Rejeitamos os ditados feitos pelas "cúpulas" – do G20, do G8, do FMI, da UE, etc. – que dizem lutar contra as consequências da "crise", fazendo pagar um preço cada vez maior e devastador aos trabalhadores e à juventude, às suas conquistas, seus direitos e garantias.

Recusamos, também, a pretensão dessas mesmas instituições de associar as organizações sindicais ao acompanhamento de suas reuniões de cúpula e das decisões nelas tomadas, contra a indispensável solidariedade operária internacional.

Rejeitamos o ditado que impõe o pagamento de uma dívida que não é dos povos, utilizada como instrumento de pilhagem e desmantelamento da soberania das nações e de todas as conquistas dos trabalhadores no mundo inteiro.

Rejeitamos o ditado lançado às organizações operárias, das quais se exige – em nome do pretenso "interesse geral" – que aceitem as regras de uma "governança mundial" e de um pretenso "diálogo social", cuja única função é subordinar e integrar as organizações dos trabalhadores aos planos dos governos e das instituições internacionais, colocando em questão a soberania nacional. Ao aceitar agir deste modo, organizações dos trabalhadores se subordinariam a esse ditado e seriam impedidas de desempenhar o seu papel de defesa dos interesses dos trabalhadores e dos povos. Afirmamos que a independência das organizações operárias é uma das condições da democracia, do progresso social e da soberania e independência dos povos.

Nós, delegados de 52 países, reunidos em Argel durante três dias de intercâmbio e discussão, constatamos que, apesar dos terríveis sofrimentos impostos em todo o mundo, em toda a parte se levanta a resistência dos povos, da juventude e dos trabalhadores que procuram reapropriar-se de suas organizações para lutar, resistir e reconquistar os direitos perdidos.

Há vinte anos, em 4 de Janeiro de 1991, o Manifesto adotado pelo Acordo Internacional dos Trabalhadores e Povos (AcIT), em sua Conferência de fundação de Barcelona, afirmava a confiança dos participantes "na capacidade dos trabalhadores do mundo inteiro para se libertar das cadeias da exploração e da opressão, na sua capacidade para edificar um mundo em que a colaboração harmoniosa entre as nações e os trabalhadores se substituirá a este mundo de barbárie que aumenta cada vez mais".

Vinte anos depois, nós, reunidos em Argel, reafirmamos esta confiança reforçada pelos acontecimentos que se produziram: apesar de todos os sofrimentos e de todas as destruições, a vontade de resistência e de luta dos trabalhadores e povos – que não aceitam desaparecer – continua sendo o elemento essencial que está na base do futuro da humanidade.
Vinte anos depois, reafirmamos: a paz e a fraternidade entre os trabalhadores e os povos só pode ser realizada pelos próprios trabalhadores e povos. Só pode ser realizada sobre a base da satisfação das suas necessidades fundamentais, as quais se chocam com as da classe dos exploradores, que traz no seu seio a guerra e a bancarrota.

O nosso dever é, mais do que nunca, atuar para organizar e contribuir no combate que vai ajudar os povos e as classes trabalhadoras a salvarem, através de seu próprio movimento e preservando a independência das suas organizações, a humanidade das guerras e das cadeias da exploração e da opressão.

Retomamos à nossa conta a palavra de ordem, lançada em 4 de Janeiro de 1991, em Barcelona: "Governos responsáveis pela guerra e pela miséria, temei a revolta dos povos. Abaixo a guerra. Abaixo a exploração".

Sobre esta base, nós, delegados representantes de 52 países, pensamos ser indispensável desenvolv
er ainda mais o intercâmbio e o diálogo entre as delegações de todos os países, de modo a reforçar, em cada um dos nossos países e no plano internacional, o movimento iniciado para preservar a independência das organizações operárias, da qual depende a salvaguarda da civilização humana. Damos mandato à Coordenação internacional do Acordo Internacional dos Trabalhadores e Povos para organizar esse intercâmbio e esse diálogo.

Comitê de coordenação:

Anton Vechkunin (Rússia); Patrick Hébert, dirigente sindical CGT-FO (França); Charly Lendo, dirigente sindical UGTG (Guadalupe); Julio Turra, dirigente sindical CUT (Brasil); Nancy Wohlforth, co-presidente de Pride at Work (Orgulho no Trabalho) e vice-presidente da California Federation of Labor (Federação do Trabalho da Califórnia) (EUA); Salah Salah (Conselho Nacional da Palestina) (Palestina); Tiyani Lybon Mabasa, Presidente do Socialist Party of Azania (Partido Socialista da Azânia) (África do Sul/Azânia); Jordi Salvador Duch, dirigente sindical (Espanha); Gotthard Krupp (SPD, Ver.di), (Alemanha); Rubina Jamil, Presidente da All Pakistan Trade Union Federation (Federação de Todos os Sindicatos do Paquistão); Nambiath Vasudevan, coordenador do Trade Union Solidarity Committee (coordenador do Comitê Sindical), Mumbai (Índia); Louisa Hanoune, secretária-geral do Partido dos Trabalhadores (Argélia); Daniel Gluckstein, secretário nacional do Partido Operário Independente (França); Alan Benjamin, OPEIU local 3, membro do San Francisco Labor Council (Conselho do Trabalho de San Francisco) (EUA).