Sindicatos franceses se unem a estudantes e convocam greve dia 5

Uma onda de manifestações estudantis contra o corte 54 bilhões de euros (R$ 301,6 bilhões), pela contratação de professores, melhores condições de ensino e acesso à Universidade se espalhou pela França. Os protestos são respondidos com uma brutal repressão do governo Macron, incluindo o toque de recolher pela terceira noite consecutiva em várias cidades. Já foram efetuadas mais de 8 mil prisões, em sua maioria de menores, com operações policiais até nas escolas e em casas.

Os sindicatos anunciaram a preparação de uma jornada interprofissional de greves e manifestações em 5 de novembro em apoio aos estudantes, e integram pautas como o congelamento de preços, aumento de salários e fim das demissões.

O chamado dos sindicatos foi antecedido por uma reunião da Coordenação Nacional Estudantil em 18 de outubro, com 110 estudantes delegados, representando 34 universidades e escolas de 19 cidades. Em seu apelo por uma greve geral exigem “o fim às políticas antioperárias que abrem caminho para a extrema direita e para o crescente militarismo. Diante do futuro de guerra e miséria que os capitalistas nos reservam, todos nós somos afetados e devemos reagir juntos para impor um outro futuro.”

Na quarta-feira (21) o primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, recebeu as principais centrais sindicais, sem contudo convidar os estudantes. Após a reunião, a secretária-geral da Confederação Geral do Trabalho (CGT), Sophie Binet, afirmou que não houve “qualquer consideração pelas nossas reivindicações”, criticou a ausência das organizações estudantis e concluiu com um apelo por uma mobilização o mais ampla possível em 5 de novembro.

Lecornu tenta demonizar Jean-Luc Mélenchon e a LFI (França Insubmissa) acusando-os “de instilar violência e caos no país”. O pânico tem um motivo, em pesquisa eleitoral Mélenchon aparece com 16,5% das intenções de voto, em condições de passar ao 2º turno em abril, atrás apenas da candidata de extrema-direita Marine Le Pen, com 36%.

Comunicado do Partido Operário Independente (POI) responsabiliza Macron: “Os saques e as destruições não têm rigorosamente nada a ver com os métodos do movimento operário. Precisamente organizados, encorajados ou até observados com complacência, eles são utilizados para justificar uma repressão ainda mais brutal e todas as violações aos direitos democráticos elementares”.

Há protestos em 12 países europeus, em comum pautas como educação, custo de vida, e moradia, todos efeitos de ajuste fiscal. Na Grécia, por exemplo, milhares foram à ruas exigindo investimentos na educação e aumento de salários em protestos que uniam estudantes e sindicalistas.

Na Espanha, professores de Madri iniciaram uma greve por tempo indeterminado para exigir melhores salários e condições de trabalho. Já na Bélgica, foram protestos de estudantes contra o aumento das taxas de matrícula nas universidades. O governo reagiu acusando o movimento de “violência organizada”.

Marcelo Carlini, membro do Diretório Estadual do RS

Leia também

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *