É o L de Lula que explode nas ruas!

A partir de 5 de outubro, centenas de milhares puxados pelos jovens, começam a sair às ruas, espontâneos, sem esperar comando, nem se intimidar pela pequena margem do voto. De Niterói, passando pelo estrondoso ato na Paulista em 11 de outubro, até as pequenas cidades do interior.

Nas semanas seguintes, exuberantes milhões mostraram a disposição de virar o jogo.

As ruas mostram o grito dos que não querem entregar suas conquistas nem abrir mão do futuro, os direitos que ainda reivindicam, que não aceitam a entrega ao imperialismo de Trump. O playboy Flavio Bolsonaro, pilantra desqualificado, tem a maior bancada eleita no de outubro no Congresso Nacional, é verdade. Ela vem do fato que a direita foi engolida pela extrema-direita, a mais beneficiada pelas atuais regras eleitorais e as vergonhosas emendas parlamentares.

O contexto

O livro “Coronelismo, enxada e voto” (Vitor Nunes Leal, 1948) mostrou como as oligarquias rurais controlavam e manipulavam os eleitores, enfim, o poder político, nas eleições na República Velha (1889/1930). Décadas se passaram, mas esta manipulação da classe dominante nunca se foi. Inclusive na chamada “Nova República” inaugurada com o fim da ditadura militar (1985) e “carimbada” pela Constituição de 1988.

Frente a declaração de Flávio de que quer mudar a Constituição, para pior (PEC da maioridade penal etc.), há setores que reagem defendendo-a. Será esta a melhor atitude?

A bancada do PT votou contra a Constituição de 1988, porque ela não atendia as necessidades mais prementes do povo. Flávio quer adequá-la ainda mais à oligarquia agrária e aos seus senhores estadunidenses. Mas defender a Constituição de 1988 tal qual, não!

Primeiro, porque isso não resolve. Afinal, ficar a cada quatro anos – e foi feito em 2022 – defendendo esta Constituição, já deformada por mais de 130 emendas reacionárias, é um impasse conformista. Este sistema não atende aos anseios populares!

É preciso uma nova Carta Constitucional, cujo caminho começa por uma Reforma Política Radical, que permita eleger uma genuína Câmara, liberta do poder econômico, da desproporcionalidade da representação e do despolitizado voto uninominal (não em listas partidárias). Esta, então, será uma Assembleia Constituinte Soberana, com todo o poder para fazer as transformações que o povo espera.

Uma Constituinte Soberana onde, com a decisiva contribuição do presidente Lula, a “caneta” esteja na mão dos representantes do povo livremente eleitos.

À época da Velha República, os coronéis confiscavam títulos eleitorais do povo. Hoje o confisco do livre direito vem dos patrões que assediam seus trabalhadores, vem de outra instituição secular, o Judiciário, e agora também das moderninhas BigTechs manipuladoras. 

Voltando ao presente

Os associados do DAP e simpatizantes do PT não precisam de novos argumentos sobre Flávio. Sabem bem (6X1, tesouraço etc.).

Precisamos é focar na calçada para seguir a caminhada. Pois Flavio já tem a maioria nas duas casas. Lula eleito, enfrentará o seu bloqueio. Mas, alto lá!, Lula tem ao seu lado a força que se levantou no segundo turno, a fé que será preciso organizar para “mover montanhas”.

De hoje a domingo todo empenho para reeleger Lula. Vamos buscar eleitores, vamos com todos os cuidados, evitando provocações e, na noite do 26, velar pela apuração para comemorar a força mobilizada, que será tão necessária na próxima etapa.

Desde 5 de outubro o país vermelhou, a partir do 26, vamos avermelhar de vez.

Misa Boito, membro do Comitê Nacional do DAP

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