Extrema-direita eleita num estado alemão

Teve repercussão mundial a ascensão da AfD, partido trufado de fascistas, na Saxônia-Anhalt, um pequeno estado de 2,1 milhões de habitantes. O impacto, no caso do Brasil, tem a ver com as ameaças eleitorais.
O partido do governo CDU, de direita, foi apeado neste estado com metade dos votos (!), a oposição Die Linke (A Esquerda) não se beneficiou e social democrata SPD recuou; a Aliança Sahra Wagechnet (BSW), esquerda, fundada há três anos, entrou no parlamento regional. O AfD com 44% dos votos não fez maioria absoluta no parlamento. Na BSW se discute a abstenção (deixá-los governar) ou forçar a novas eleições.
Publicamos abaixo trechos da posição dos sindicalistas.
A Redação
Declaração do conselho de porta-vozes da AGBSW, comissão “Trabalho e Sindicato” da BSW (08/09/2026)
O resultado das eleições na Saxônia-Anhalt demonstra a força do desejo de grande parte da população – e não só lá – por uma mudança fundamental nas condições políticas e sociais.
A esmagadora maioria das pessoas em situação econômica precária e com baixo nível de escolaridade votou no AfD (Alternativa para Alemanha). Este partido abordou questões importantes e a necessidade de uma política diferente com sua retórica simplista e chamativa contra os “partidos tradicionais”, desviando a atenção dos problemas reais, e com uma retórica divisionista e excludente contra as minorias.
Na questão central da economia, a BSW não conseguiu convencer os eleitores; precisava apresentar claramente uma alternativa tanto à CDU quanto ao AfD. Os eleitores do BSW estão divididos em relação à AfD, mas segundo uma pesquisa mais de 60% deles consideram um governo da AfD bastante preocupante.
“Os problemas não se resolvem com política anti-imigração, ideologia étnico-nacionalista e guerra cultural”
O perigo de guerra está se tornando cada vez mais ameaçador com a escalada do conflito na Ucrânia e contra a Rússia, incentivada pelo governo federal e pela UE. Sua política de rearmamento está, simultaneamente, acelerando o desmantelamento do Estado de bem-estar social. A sociedade está se militarizando. As demandas dos empresários para restringir os direitos dos trabalhadores, especialmente o direito à greve, estão se intensificando.
Os problemas não se resolvem com políticas anti-imigração, uma ideologia étnico-nacionalista, uma guerra cultural contra comportamentos e opiniões dissidentes, aumento da pressão nas escolas e negação da crise climática.
O próprio partido (BSW) corre o risco de fracassar. Um partido não é um fim em si mesmo, mas deve defender interesses e objetivos políticos específicos que não sejam comprometidos por razões táticas ou oportunistas. Essa é a verdadeira essência da credibilidade.
A BSW não deve estar no “Time CDU” nem no “Time AfD”. Ela deve lutar por votos contra ambos os lados.
“Retomar o ímpeto da criação”
A BSW deve se concentrar em se opor ao rearme e à guerra e em representar os interesses dos trabalhadores, dos “pequenos” e de suas famílias. Em todas essas questões, nem a continuidade das políticas atuais nem a cooperação com a AfD oferecem uma solução.
Não basta se concentrar apenas na luta dentro dos parlamentos. Ela deve estar enraizada e ativa nos círculos sociais, sindicatos e outras organizações, e ser capaz de se mobilizar para além dos parlamentos. Somente conquistando segmentos crescentes da população contra a política de guerra e rearme, e a favor do fortalecimento, em vez do desmantelamento, do Estado de bem-estar social, e mobilizando-os contra a política governamental, a BSW poderá se aproximar da conquista de seus objetivos.
A BSW defende a paz e a liberdade, a igualdade de direitos para todas as pessoas que vivem aqui permanentemente, independentemente de sua origem social ou geográfica, características físicas, gênero e orientação sexual, ou crenças religiosas ou políticas. Em outras palavras, defende um Estado democrático e social, regido pelo Estado de Direito e pelos direitos fundamentais consagrados na Lei Básica.
O BSW precisa retomar o ímpeto da sua criação. Como tal, o BSW é extremamente necessário, pois essa necessidade existe – mais do que nunca.
