Rol de acusações ao capitalismo | CILI

Apresentação

Nós, militantes políticos e sindicais brasileiros, consideramos muito positiva a iniciativa proposta pelo Comitê Internacional de Ligação e Intercâmbio (CILI) na Carta abaixo, nos associamos a ela e convidamos a todos e todas companheiros e companheiras que, nas difíceis condições
existentes em nosso país combatem pelo fim do governo Bolsonaro, o quanto antes melhor, a também se associarem ao rol de acusações ao capitalismo e aos governos a seu serviço que será elaborado em países de todos os continentes, através de contribuições que reflitam a situação vivida pela maioria explorada e oprimida de nosso povo e as suas lutas.

Saudações fraternas e internacionalistas

Luís Eduardo Greenhalgh e Julio Turra (membros da coordenação CILI); Misa Boito (exec. PT-SP), Paulo Farias
(CUT-RS), Markus Sokol (membro da comissão executiva do PT), José Genoíno (PT), João B. Gomes (membro da
comissão executiva da CUT), Marize de Carvalho (membro da comissão executiva da CUT), Sérgio Ronaldo
(Condsef), Edvaldo Pitanga (Condsef), Vicente Paulo da Silva (Vicentinho, deputado federal pelo PT).

Chamado a estabelecer um rol de acusações ao capitalismo

Um verdadeiro tsunami atinge todo o planeta. A “gestão” da pandemia pelo capital provoca uma catástrofe em escala mundial, golpeando violentamente todas as populações. Esta pandemia constitui uma formidável oportunidade para os multimilionários aumentarem ao máximo as suas fortunas.

Essa situação inédita pela sua amplitude é dramática, destacando a responsabilidade criminosa do capital e dos governos a seu serviço, bem como a da ONU, do FMI, da OMS, na destruição de todas as conquistas sociais e da civilização. É particularmente o caso na saúde, com a política de destruição
de hospitais, mas também pela submissão da pesquisa científica às exigências de lucro dos trustes farmacêuticos.

Nos países da África, da América Latina e da Ásia, a política da dívida e pilhagem pelos grandes trustes contribuiu para a destruição dos serviços de saúde, mesmo que limitados, erguidos depois das independências ou mais recentemente em certos países (por exemplo, há 30 leitos de reanimação no
Níger, 30 em Serra Leoa e num país como o Brasil, na cidade de Manaus, 130 pessoas morreram nos corredores dos hospitais por falta de meios e de oxigênio impedindo de colocá-las em respiradores).

Nas velhas potências imperialistas, como na Europa, a corrida pelo lucro e pela rentabilidade, em nome da redução das despesas públicas, já havia golpeado serviços eficazes existentes: na França, em trinta anos, 135 mil leitos hospitalares foram suprimidos e na Alemanha 600 hospitais foram liquidados no mesmo período, levando os hospitais na Europa, como ocorre também na América Latina, à saturação.

As exigências do capital – metido numa louca corrida para garantir seus lucros – destroem a humanidade e tudo o que foi conquistado pela luta dos trabalhadores e povos nos últimos séculos.

O capital é o responsável pela terrível catástrofe atual, que se soma à pilhagem destruidora das
nações, às guerras e à fome que provoca anualmente nove milhões de mortes, quando para ela existe vacina: o alimento. Existem, também, dezenas de milhões de seres humanos, em todos os continentes, chamados de “migrantes”, que fogem de guerras, da miséria e da fome.

Nesta situação, o capital e os governos a seu serviço, utilizam a pandemia para tentar provocar uma mudança fundamental na sociedade. A golpes de campanhas de terror, de leis liberticidas (que atacam as liberdades de organização e manifestação, os direitos democráticos NDT), eles tentam
levar a cabo tudo o que antes não conseguiram devido à resistência dos trabalhadores e povos: destruição da força de trabalho, atomização da classe operária, destruição das conquistas, das bases produtivas e das nações.

Para fazê-lo, em escala mundial e sob formas as mais diversas (estado de urgência sanitária, estado de exceção, toques de recolher combinados com o boicote “negacionista” das medidas sanitárias), eles aplicam – ou ameaçam aplicar– medidas que atacam as liberdades com o objetivo comum de
impor a sua política destrutiva, buscando amordaçar os povos para prevenir mobilizações revolucionárias que eles pressentem, como ocorreu na Argélia, Chile, Líbano, Paraguai etc.

Ao redor das grandes instituições internacionais e junto a numerosos governos, grandes manobras começaram, visando dividir os trabalhadores e povos e desviá-los de seus próprios objetivos. É preciso dizer que as cúpulas “oficiais” do movimento operário, na maioria dos casos, apóiam ou
acompanham essas políticas, provocando no seio das organizações a resistência de militantes e dirigentes sindicais, pois a política dos dirigentes coloca em perigo a própria existência dos sindicatos.

Para além das origens e pontos de vista diferentes, todos e todas que participam da atividade do Comitê Internacional de Ligação e Intercâmbio se encontram na necessidade de preservar a independência de classe e, portanto, de recusar toda “união sagrada” aberta ou camuflada, toda
“concertação” com os exploradores. É por isso que chamamos a todos e todas que levantemos em conjunto um rol de acusações ao
capital. Convidamos a que nos enviem contribuições sobre a situação em cada país e sobre os combates que são travados, para que possamos dar um alcance mundial a esse rol de acusações ao capital.

Ao elaborar em comum esse rol de acusações ao sistema baseado na propriedade privada dos meios de produção, nós temos a consciência de estarmos contribuindo em comum para a luta para acabar com a opressão e a exploração.

Os coordenadores do AcIT (Acordo Internacional dos Trabalhadores e Povos):
Luisa Hanoune,secretária do Partido dos Trabalhadores da Argélia
Dominique Canut, pelo secretariado nacional do Partido Operário Independente da França
19 de abril de 2021

One thought on “Rol de acusações ao capitalismo | CILI

  • 12 de julho de 2021 em 13:45
    Permalink

    Compas:

    Foi com muito entusiasmo que aderi ao Movimento que expõe as enormes contradições causadas pelo Modo Capitalista de Produção. Nós, então, os habitantes da América do Sul, somos fadados a ser o celeiro rico a serviço dos donos do Planeta, como tal, impedidos de gerir políticas públicas capazes de incluir a nossa gente mediante: vínculos trabalhistas justos, educação crítica, saúde, moradia e segurança alimentar. Quando começamos a dar pequenos passos, nessa direção, as parcelas da elite financeira do Mundo e seus vassalos, imediatamente, nos Golpeiam e esmagam os nossos sonhos.
    Diante de tanta desigualdade, cabe a nós exercemos o nosso compromisso permanente com a formação política dos nossos pares , assim como, com a organização dos trabalhadores, pela implantação do Socialismo.
    Essa tarefa, nada fácil, deve começar. Essa Carta é como se estivéssemos abrindo uma grande porta para a concretização dessa nossa Utopia.
    Estamos juntos!

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