Contra a terceirização, contra o ajuste, nas ruas!

Dezenas de milhares de trabalhadores e jovens ocuparam as ruas de todas as 27 capitais brasileiras e outras cidades, no dia 15 de abril, em protesto contra o PL-4330, que libera geral as terceirizações no país e cujo texto base foi aprovado pela Câmara dos Deputados na semana passada. As manifestações, convocadas pela CUT, foram uma resposta eficiente dos trabalhadores e suas entidades: o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que havia prometido votar todas as emendas entre terça e quarta-feira, foi forçado a suspender a sessão e deixar a votação para a semana que vem.

No maior ato, em São Paulo, houve duas concentrações: uma em frente à Fiesp, outra no Largo da Batata, de onde os manifestantes partiram em passeata até a Avenida Paulista. O presidente da CUT, Vágner Freitas, exigiu a mudança da política econômica (“se for para fazer ajuste, que se faça nas grandes fortunas”) e garantiu que a luta não vai parar por aí: “Se for preciso fazer uma greve geral (contra o PL-4330), não tenham dúvidas de que faremos”.

O coordenador nacional do MTST, Guilherme Boulos, disse que este é “o maior ataque aos direitos dos trabalhadores da história do Brasil. Vamos barrar o PL-4330 nem que seja na marra”. Já o dirigente do MST, Gilmar Mauro, anunciou grandes mobilizações neste mês para lembrar o massacre de Eldorado dos Carajás: “Não haverá golpes neste país sem resistência de massa. Nossos movimentos não formaram covardes”.

Nos atos do dia 15, as falas, faixas e cartazes não se resumiram ao PL-4330. A recusa às MPs 664 e 665 e ao Plano Levy, a defesa da Petrobras e da Caixa Econômica Federal e a bandeira da Constituinte da reforma política também ganharam as ruas.

Os metalúrgicos do ABC pararam a pista sentido Santos-capital da Via Anchieta. Mais de cinco mil trabalhadores da Ford e da Mercedes participaram da mobilização desta manhã.

Em Salvador, pararam o transporte coletivo, as escolas, os bancos e boa parte do comércio. Em Belo Horizonte, petroleiros, educadores e servidores da saúde paralisaram as atividades por 24 horas. Em Brasília, foram espalhados cartazes com o rosto e os telefones dos deputados que votaram a favor do PL-4330. Em Curitiba, várias metalúrgicas pararam e rodovias foram bloqueadas.

O Diálogo e Ação Petista, com os trabalhadores

PL4330

Militantes do Diálogo e Ação Petista participaram das manifestações em várias capitais, portando faixas e cartazes contra o PL-4330, as MPs-664 e 665, e defendendo a Constituinte da reforma política.

É necessário tirar lições da votação das terceirizações. O Diálogo e Ação Petista conversará com todos os deputados federais do PT, expondo uma ideia simples: a bancada que votou unanimemente contra o PL-4330 não pode, por coerência e compromisso com a história do PT, votar a favor das MPs do Plano Levy, que retiram direitos de milhões de trabalhadores.