Nós contra eles!

Nesta sexta-feira, 5 de setembro, o Diretório Nacional do PT reúne-se extraordinariamente para discutir uma situação política complexa e uma campanha eleitoral difícil. Markus Sokol, membro do DN, da corrente O Trabalho e do Diálogo e Ação Petista, faz esta contribuição para o debate.

Companheiros e companheiras,

A situação é difícil e a franqueza é necessária. O cerco à candidatura do PT à presidência da República, Dilma Roussef, é maior do que nunca. Candidaturas majoritárias do PT nos estados são fragilizadas.

O Diretório reunido vai debater e propor medidas. Entre elas, entendo que a medida decisiva é colocarmos no centro da campanha eleitoral A LUTA PELA CONSTITUINTE para fazer a reforma política.

Essa questão, que vem das manifestações de junho e julho de 2013, mobiliza hoje mesmo milhares de militantes em todo o país, no campo e na cidade, colhendo milhões de votos no Plebiscito Popular pela Constituinte Exclusiva e Soberana sobre o Sistema Político.

Minha principal proposta é colocarmos no programa de governo definitivo a Constituinte Exclusiva para a reforma política, que já consta do abaixo-assinado lançado pelo PT no ano passado. Sejamos claros, não apenas um Plebiscito da reforma política, como está nas Diretrizes de programa. Afinal, sem Constituinte essa seria uma “reforma sem povo” onde as questões seriam ditadas pelo Congresso Nacional.

É preciso explicitar: se trata de colocar a luta pela Constituinte Soberana Exclusiva para a reforma política, como pede justamente o Plebiscito Popular levado por centenas de entidades populares, sindicais e democráticas, e apoiado pelo próprio PT.

Para destravar as reformas no Congresso, das 40 horas à reforma agrária, da desmilitarização das PMs à reestatização, passando pelo fim do superávit primário para destinar as verbas aos serviços públicos.

Esse é o verdadeiro caminho das mudanças que interessam ao povo! Esse é o fato novo político no cenário!

Aliás, foi a própria presidente Dilma quem disse na TV em 2013, que “para fazer mais, é preciso mudanças nas instituições”. Mas recuou depois, face aos obstáculos abrigados nas próprias instituições.

Agora, é hora de retomar. Os acontecimentos fizeram o necessário tornar-se imprescindível!

Essa orientação aprofunda a contraposição à candidatura do PSDB, Aécio, já abalada. Mas também desnuda a candidatura Marina que pretende falar em nome das ruas, pela mão da “divina providencia”, quando, na verdade, é mais a mão do capital internacional.

Essas duas candidaturas, não as combateremos eficazmente com juras a falsos aliados, que abandonam o PT e a própria Dilma nos estados. Muito menos prometendo mais concessões e desonerações aos grandes doadores empresariais. Nem com elogios a governabilidade da “coalizão” no atual Congresso.

Sejamos claros: Marina é a candidata da contra-reforma política. Ela propõe as candidaturas avulsas contra os partidos, ela defende o “distritão” (como outros), com a unificação das eleições e ainda mandatos de 5 anos, o que quer dizer 2 eleições em 10 anos… A quem interessa tudo isso, senão à mais dura reação!

Marina ainda propõe a independência do Banco Central (entregue ao mercado), a terceirização ampla do trabalho contra os sindicatos, o abandono do pré-sal como querem os EUA, a liberação do câmbio, e ainda mais superávit primário: é lógico, ela é bancada pelo Itaú e não por acaso se afasta do direito ao aborto e dos direitos em geral!

É hora de passarmos à ofensiva. Defender a democracia representativa, sim, que no Brasil ainda não existe plenamente. Para tanto, é preciso, pelo menos, instaurar a proporcionalidade (um eleitor, um voto) e acabar com o Senado oligárquico, além de introduzir o voto em lista e o financiamento público exclusivo.

“Esse Congresso não dá”, disse o povo, e hoje se vê no Plebiscito Popular como ele entende a Constituinte para a reforma política.  Está certa a presidente Dilma quando declara que apoia e vai votar no Plebiscito Popular.

Tiremos, pois, todas as consequências, resgatando a bandeira da mudança para a candidatura do PT! Nos 30 dias de campanha, na TV, comícios, carreatas e passeatas, com a bandeira da Constituinte para fazer a reforma política.

Companheiros e companheiras,

Erros e acertos são inevitáveis numa campanha, até certo ponto. Depois do acidente que vitimou Eduardo Campos, se fez uma operação politiqueira. Não era preciso entrarmos na onda da “união nacional” ao redor do enterro, com três dias de luto e a suspensão de uma semana de campanha.

À previsível “santificação” de Eduardo se seguiu a “beatificação” de Marina, que agora temos que desconstruir!

A classe dominante viu a chance do “fim da polarização PT-PSDB”, ideal para ela, pois a sociedade continua dividida em classes, com a exploração, opressão e privilégios. Mas sem o PT na presidência, para os trabalhadores é mais difícil se defender, ainda mais num governo de “união nacional” (a crise mundial está aí, mostrando as desastrosas derrotas que essa política provoca).

Não tem “plano B”, realismo, agora é nós contra eles. “O sonho de 10 entre 10 integrantes do mercado financeiro é a derrota da candidata do PT” (Valor, 29/8).

DILMA NÃO HESITE, ASSUMA O PLEBISCITO POPULAR E ENCABECE A CONSTITUINTE!

Os militantes, candidatos membros de O Trabalho, candidatos apoiados pelo Diálogo e Ação Petista, todos estamos nesta luta.