Diálogo Petista 77

 

DIÁLOGO PETISTA

DISCUTE O PED-2013

 

O  Diálogo  Petista  não  se  pretende uma nova tendência do PT. Congregam do militantes de diferentes origens, o Diálogo Petista respeitará a opção de cada  um  de  seus  componentes  em relação às chapas que se apresentarão no Processo de Eleições Diretas (PED), previsto para o mês de novembro. O que nos une são os compromissos assumidos desde a constituição do DP, pelos quais combatemos no partido e na luta de classes, seja nas chapas nas quais se apresentarão no PED, seja na luta concreta.

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Essa foi a conclusão da reunião da coordenação  depois  da  consulta  feita aos aderentes do DP em todo país. O Diálogo Petista seguirá sendo um fórum de livre discussão, de todos que queiram lutar pelos princípios que deram origem ao PT.

 

“Que PT vai prevalecer?”

A Coordenação nacional do Diálogo Petista (DP) reuniu-se no dia 8 de junho em São Paulo. Estiveram presentes seis dos seus oito membros eleitos no 5º Encontro nacional, realizado em 24 e 25 novembro de 2012.

A reunião foi aberta com um informe de  Julio  Turra,  membro  da  executiva nacional da CUT, sobre os resultados da Conferência Pela Retirada das Tropas da ONU (Minustah) do Haiti, realizada em 30  de  maio  e  1º  de  junho  em  Porto Príncipe, destacando a proposta de uma semana  de  mobilização,  entre  29  de julho e 3 de agosto, nos diferentes países que têm tropas ou cujos governos estão envolvidos na operação de ocupação militar do Haiti.

Em seguida, o companheiro Markus Sokol, membro da Direção Nacional do PT, sugeriu encaminhar a proposta do companheiro Rodrigo Valverde, membro da Executiva do PT de Mogi das Cruzes (SP),  para  fazer  uma  rodada  sobre  a conjuntura, a política da direção do PT e do governo Dilma diante dela.

Valverde, abriu a discussão referindo-se ao livro “Os 10 anos de governo”. Ele destacou uma afirmação feita por Lula de que “hoje existem três PTs: o PT que está no governo federal e acha que não precisa do PT; o PT dos mandatos, dos
governos locais, dos técnicos (que inclusive vieram de outras administrações); e o PT da base (que ainda sonha com a busca pelas mudanças que estavam nas origens do PT), que muitas vezes não são nem filiados, que é o mais importante, e que faz o PT ser diferente dos outros partidos”. Sobre esse último PT, Valverde disse ter o receio de que se acabe se prevalecer a lógica dos dois primeiros.  “Quando  vejo  uma  ação como a de Haddad, desapropriando o terreno na zona leste de São Paulo, fico orgulhoso. Mas tem ações dos governos do PT que não dá para defender”.

Colocou ainda a questão de “achar um meio termo entre não perder aquilo que fomos e não perder as eleições e ficarmos de fora do poder”. E que, para isso, era “preciso saber o que devemos e não devemos apoiar”. Disse que devemos nos definir, no PT, em relação a algumas  questões  polêmicas  (aborto, controle social da mídia, maioridade penal, etc.), para buscar esse meio termo.

Misa Boito, da direção estadual do PT-SP, ressaltou a responsabilidade do próprio Lula na situação em que hoje se encontra o PT, e indagou o que seria o “meio termo” proposto por Valverde.

Por  exemplo,  na  questão  do  aborto, “quando a Igreja faz a ofensiva que fez contra Dilma, não dá para se calar”.

Acrescentou que o problema é que se trata de um governo onde o PT se dispõe a uma ampla coalizão de partidos, encabeçada pela presidente Dilma, que é do PT, mas que contempla interesses contraditórios e opostos aos dos trabalhadores.

Deu como exemplo a situação em  relação  à  demarcação  das  terras indígenas e o fato de que o governo estava  atendendo  aos  interesses  do agronegócio.

Já Batisti, ex-vereador em São José (SC), avaliou que cada vez que Dilma amplia a base de apoio do seu governo, mais concessões ela faz a empresários, ruralistas e outros. Chamou também a atenção para a luta contra as privatizações, que tende a ganhar importância maior no próximo período e que deve ser um dos eixos de atuação dos aderentes do Diálogo Petista que tem entre seus compromissos a defesa do projeto de lei da Federação Única dos Petroleiros (FUP-CUT), com os movimentos sociais, por uma Petrobras 100% estatal que controle todo o petróleo do país.

Markus Sokol, perguntou: como mudar o jogo? Ele disse que o governo, nesses 10 anos e com três eleições sucessivas de presidentes do PT, não fez o que se esperava que fizesse. Agora, diante da crise, mesmo medidas simples já se tornam mais difíceis. Então como explicar?  Sokol  apontou  que  uma questão  de  fundo  são  as  instituições herdadas da Ditadura Militar e remodeladas em 1988, questão que só uma Assembleia Constituinte Soberana poderia resolver.

A discussão vai prosseguir e todos os companheiros do DP estão chamados a participar.

DECISÕES DA REUNIÃO

Sobre o PED 2013: Todos os integrantes do DP são livres para tomar a posição que considerarem a mais adequada,  no  que  diz  respeito  à  participação em chapas no próximo PED, ao mesmo tempo todos assumem o compromisso, como propôs o companheiro Caçapava do DM do PT de Porto Alegre na consulta feita, de defender as propostas  acumuladas  no  agrupamento, mesmo que estejam em chapas distintas.

Os membros da coordenação do DP que apoiam Markus Sokol como candidato  a  presidente  nacional  do  PT, anunciaram que trabalharão por uma chapa nacional que, sem que seja identificada  como  “chapa  do  DP”,  terá como base as posições adotadas nos encontros nacionais para a elaboração de tese e plataforma. Anunciaram também  que  incentivarão  a  formação  de chapas estaduais e municipais com as mesmas características.

Em relação às campanhas e iniciativas em curso, foi decidido:

Punição aos crimes da ditadura: dar  conhecimento  aos  membros  do Diálogo Petista para que divulguem às entidades  sindicais,  populares,  bem como  nos  parlamentos,  da  Carta  a Dilma adotada no ato realizado em São Paulo por “Justiça para Olavo Hansen”, em 25 de maio, que exige a Punição dos Crimes  e  Abertura  dos  Arquivos  da Ditadura;

Retirada  das  tropas  do  Haiti: apoiar no Brasil a realização de atividades  pela  Retirada  das  Tropas  da Minustah do Haiti na semana de 29 de julho a 3 de agosto próximos. Em relação a isso, o companheiro V
alverde, suplente da Câmara Municipal de Mogi das Cruzes, que assumiria alguns dias depois como vereador, em função da licença de outro vereador, se mostrou disposto a dar conhecimento à Câmara Municipal  da  resolução  adotada  pelo senado haitiano que determina a retirada das tropas do Haiti, no prazo máximo até maio de 2014.

A próxima reunião da Coordenação nacional do DP foi proposta para o dia 27 de julho, sábado, às 14 horas, em São Paulo.

Edmílson Menezes