Diálogo Petista 44

Preparando o 4º Encontro

Debate revela maturidade no agrupamento de São Paulo

Convocada de última hora, uma reunião do Diálogo, realizada ao final do Lançamento, em São Paulo, do Abaixo-Assinado pela Revogação das OS’s, surpreendeu. Mesmo atrasando, num horário complicado (hora de almoço), o encontro onde Markus Sokol, membro do DN-PT, apresentou a “Contribuição Ao Debate” da Coordenação Nacional do DP (publicada na edição passada desta Página do DP), só terminou porque a sede do Sindicato dos Médicos tinha que fechar.

Na véspera do 4º Congresso do PT, em 20 de agosto, ela parece – pela qualidade das intervenções e a sua representatividade – ter catalisado uma busca que existe, entre setores petistas, de uma saída para a difícil situação interna. Participaram do Diálogo 20 dentre as 40 lideranças de diferentes entidades presentes no Lançamento. Vale a pena conhecer o registro.

Reunião DP

Membro do Conselho Regional de Psicologia – Tenho interesse e o próprio Conselho, em participar destas discussões. Uma questão importante é o problema da Desvinculação das Receitas da União (DRU), que o governo agora quer estender. É preciso ver o impacto na Saúde que vai ter a contenção dessa verba não repassada, de 20% da destinação total. Isso se liga à luta contra as OS’s, para garantir o acesso à saúde pública. Assim, pretendo participar destas discussões, algo salutar para as entidades e o próprio PT.

Presidente de DZ – Defendo o direito das tendências no PT. Tenho saudade dos tempos de tendência, eu era da DS. Hoje vejo que são os mandatos parlamentares que mandam, inclusive nas tendências. Essa discussão é muito boa.

Candidato a presidente do DM de Guarulhos – Fui metalúrgico da região de São Miguel, vejo vários companheiros que estão nos governos aplicarem a Lei das OS’s.

Lembro dos embates acalorados entre tendências no partido que iam às vezes até tarde, mas às 5 horas da manhã estávamos todos na Estação para fazer o que foi decidido.

Hoje, ao contrário, há pouco debate e não há ação. Os remanescentes das tendências têm que falar para incendiar o partido, porque as informações não chegam. Hoje sou assessor de um parlamentar, com 60 anos de idade sou livre o bastante para participar e dizer o que acredito.

A informação do que são as OS’s foi só aqui que ouvi. Aonde tiver este Diálogo, pode me chamar!

Diretor do Sindicato dos Médicos – No passado, foi engajado ao PT. Estou voltando a participar com garra e ética.
Lembro das discussões com Adriano e Neder (hoje, deputados NdDP) e no Diretório da Vila Matilde. Éramos oposição e falávamos de socialismo.

Lamento que os governos e mandatos tenham burocratizado e escorregado as relações, antigos companheiros e batalhas preciosas foram esquecidas.

Há até uma dissociação entre o sindicato e sua representação. Sinto a fragilidade sindical – aonde está a CUT?

Tenho vontade de afirmar a Saúde e a Ética dentro do PT. Se for isso, então podem contar comigo.

Conselheiro da Saúde – É certo que quando tinha a disputa, era salutar. Eu mesmo, sempre briguei com a Babi aí, mas hoje estamos aqui, discutindo o que fazer. O PT é o que fazemos dele.
Qual é a face que queremos da reforma política?

Diretor do SINNSP (previdenciários) – Penso que os líderes que subiram ao poder sentaram no trono e se distanciaram da base. Hoje há ‘caciques’ no PT como nos partidos tradicionais. O Diálogo Petista é a possibilidade de discutir sem pressão de disputa das tendências por poder. Antes havia embate, mas tinha um projeto nacional que saía da discussão, era um resultado coletivo.

Também me preocupa a extensão da DRU, vai bater nos planos de expansão do INSS que, apesar de ter crescido com Lula, acabou toda terceirização, o atendimento ainda não cobre a demanda da população. E o PMDB do ministro já começa a cooptar servidores para assumir os postos do INSS. Estou aí, vamos participar!

Liderança do movimento de Saúde – Questiono se haverá abertura dessa nata do PT para ouvir a base, para nos ouvir. Os dirigentes devem ouvir a base. Se não, nós envelhecemos, a juventude no PT está diminuindo, os movimentos esfacelados e os sindicatos enfraquecidos. É preciso reunificação para defender os anseios da nação.

Diretora do Sindsep – Minha visão sobre o PT mudou, não tem mais a linguagem em que eu acreditava. Tenho balançado com essa mudança. Por exemplo, como é possível falar em aliança com PSD de Kassab? É inacreditável! Isso é uma porretada na cabeça, que não deixa você falar. O resultado é que a base no sindicato reclama, cobra coerência, passando em seguida a duvidar do próprio Sindsep e da CUT.

Diretor dos Médicos – Vejo o PT galgar o poder mediante acordos com as empreiteiras. Os setores que almejam os objetivos do PT são minoritários. Conseguiremos ampliar as adesões se ampliarmos o diálogo com outros setores da sociedade. A juventude não enxerga o PT como agente que contribui para a mudança. Eu mesmo sou filiado recente, no Centro Acadêmico não queria obedecer as tendências.

Estou conhecendo os Diretórios, mas já identifico a ação dos “caciques” no PT. Como socialista, é um desafio.

CONCLUSÃO

Na fala final da rodada animada, Sokol lembrou que é assim mesmo, sempre que se reúnem petistas, hoje em dia, tem uma boa dose de desabafo. E aqui a discussão é livre. É assim, pois é único jeito de defender uma posição de independência política dos trabalhadores, que, “para nós, é no terreno do PT que se deve defender, mas sem fazer concessões”.

Sokol retomou a agenda comum do Diálogo – a campanha das OS’s que todos conhecem, mas também a preparação do Ato pela Retirada das Tropas do Haiti. Sokol explicou porque o projeto de reforma política tem apenas o objetivo
de “baratear as campanhas, não vai ao cerne da representação”. Por fim, declarou: “se vamos ser ouvidos, depende. Se não acabar este sistema do PED no Congresso do PT, será somente como resposta ao movimento social, de fora do PT para dentro. Por isso mesmo nossas campanhas e iniciativas não estão só esperando o Congresso”.

Dando sequência à preparação do 4º Encontro Nacional do Diálogo, os presentes já agendaram duas reuniões locais para ampliar a discussão da “Contribuição” da Coordenação Nacional.