Imprensa, Juventude e Brasileiros na Argélia

Imprensa da Argélia destaca Conferência

A imprensa argelina deu ampla cobertura à 8ª Conferência Mundial Aberta (CMA) contra a Guerra e a Exploração. Sob o título "Os bárbaros estão às nossas portas" – referência à declaração de um sindicalista irlandês quando uma missão do FMI desembarcava em seu país -, "La Tribune" de 28 de novembro anunciou a abertura da conferência, "co-organizada pela UGTA, o Partido dos Trabalhadores e o Acordo Internacional dos Trabalhadores e dos Povos. É a primeira vez que essa conferência ocorre no continente africano, precisamente na Argélia. Fato que muitos participantes, militantes operários, personalidades políticas e dirigentes sindicais, vindos de 60 países, saudaram".

"Liberté", da mesma data, citou Louisa Hanoune, para quem "são as riquezas naturais, como o urânio, o petróleo e o ouro que estão por trás do apetite das potências mundiais, que buscam se impor por meio do terrorismo". Além disso, afirmou ela, "as crises atingem países capitalistas desenvolvidos, nos quais medidas para salvar o capital são tomadas em detrimento dos interesses dos operários e dos jovens".

"Le Courrier d’Algérie", de seu lado, viu nessa conferência "uma oportunidade de debater o futuro da classe operária (…), uma ocasião para o debate dos diferentes entraves encontrados pela classe operária em todo o mundo".

Esse jornal citou Daniel Gluckstein, coordenador internacional do Acordo Internacional dos Trabalhadores e dos Povos, para quem "a nova ordem internacional que os poderosos do mundo querem instaurar, apoiados por todos os governos com assento na ONU, a serviço e em proveito da especulação, conduz ao agravamento da opressão dos povos dominados e da exploração dos trabalhadores do mundo inteiro". Para apoiar suas palavras, o orador observou que a dívida mundial é de 90 trilhões de dólares, e que em nenhuma hipótese "deveria caber à classe operária pagar um único centavo".

Para o jornal "Horizons", "a ambição fixada na abertura dos trabalhos da conferência é a de caminhar para uma mobilização internacional da classe operária, a fim de se contrapor à política imperialista (…). Os oradores, por unanimidade, acentuaram a necessidade de conjugar esforços e de coordenar as ações".

"L’Expression" citou o secretário-geral da UGTA, Abdelmadjid Sidi Saïd, para quem, com os mercados financeiros, "estamos diante de bombeiros piromaníacos, enchendo de gasolina um motor ao qual puseram fogo, com a convicção de vê-lo voltar a funcionar".


Jovens de 17 países se reúnem

Participantes decidem editar boletim bimestral para trocar experiências e manter uma ligação permanente

Os jovens presentes à Conferência Mundial Aberta contra a Guerra e a Exploração realizaram uma reunião para trocar experiências das lutas que desenvolvem em seus países e manter uma ligação entre si.

A mesa foi formada por representantes da ORJ (Organização de Jovens pela Revolução) da Argélia, da JR-IRJ (Juventude Revolução, Brasil) e da AJR (Aliança de Jovens pela Revolução) da França.

Cerca de 40 jovens de 17 países (Argélia, Brasil, França, Hungria, Burundi, Palestina, Paquistão, Haiti, Alemanha, Guadalupe, Estados Unidos, Suíça, Azânia (África do Sul), Marrocos, Romênia, Eslováquia e Republica Tcheca) participaram dos debates.

A reunião foi aberta pelos jovens argelinos, que relataram a situação de suas lutas e apresentaram a proposta de manter uma ligação entre os presentes através de um boletim internacional.

Um  jovem  da  Palestina  contou que  “a  maioria  dos  mártires  na Palestina  são  militantes  jovens,  a maioria  dos  presos  nas  prisões israelenses  também.  No  sistema educacional, enquanto um jovem de Israel  leva  quatro  anos  para  se  formar,  os  da  Palestina  passam  cerca de dez anos. Além da dificuldade de organização, pela pressão forte que sofre a juventude” .

Os  jovens  do  Paquistão explicaram  que  em  seu  país  não podem  organizar-se  como  estudantes,  pois  é  proibido.  Mas  eles buscam  os  sindicatos  dos  trabalhadores e neles se filiam para, dessa forma, estar organizados para lutar.

Ao  final  da  reunião  foi  adotada uma declaração dos jovens contra as guerras e a exploração e  foi  formado  um  comitê  de  redação  responsável pela publicação de um boletim bimestral  abordando  a  luta  dos jovens  em  todo  o  mundo.

Inicialmente  o  comitê  é  formado pela  ORJ-Argélia,  JR-Brasil  e  AJR-França, mas está aberto para outros membros.  O  primeiro  boletim  será lançado em janeiro de 2011.


Brasileiros na Argélia

A delegação brasileira na conferência era constituída por oito companheiros e companheiras. Eram eles Julio Turra e Shakespeare Martins, ambos da executiva nacional da CUT, Fernando Ferro, deputado federal pelo PT de Pernambuco, Milton Barbosa, dirigente do Movimento Negro Unificado (MNU), Markus Sokol (membro do DN PT) e Misa Boito (DR PT SP), ambos da corrente O Trabalho, Miriam Gonçalves, advogada trabalhista e vice-presidente do PT de Curitiba, e Joelson Souza, delegado da Juventude Revolução.

Tomaram a palavra em plenário, entre os 97 oradores, Julio, Milton, Ferro e Joelson, sendo que este último também participou da reunião dos jovens.

Fernando Ferro, no início de sua intervenção, recordou que quando ocorreu o golpe de Estado militar de 1964 no Brasil, foi na Argélia que encontraram asilo vários militantes perseguidos, entre eles o então governador de seu estado, Miguel Arraes.

Milton Barbosa arrancou aplausos ao dizer de sua "imensa satisfação por estar nesta terra que Frantz Fanon (nascido na Martinica) escolheu para fazer revolução, nos ensinando que a pátria do revolucionário é o mundo" e ao centrar a sua intervenção na defesa da soberania do heroico povo do Haiti, protagonista da "única revolução vitoriosa de escravos na história da humanidade". A partir daí o companheiro apresentou ao plenário a proposta inspirada na Carta à presidente eleita do Brasil que exige a retirada das tropas do Haiti.

Shakespeare Martins disse ao nosso jornal que "foi um encontro importantíssimo de sindicalistas e militantes em que ouvimos oradores de vários países que relataram as mais diversas situações e dificuldades de opressão e mesmo de guerra, e chegamos à conclusão que é preciso aglutinar todos na resistência e numa luta conjunto para reconquistar nossos direitos".

Intercâmbio com delegados de outros países, é claro, também fez parte das atividades da delegação.