Diálogo Petista – 28 de fevereiro de 2008

Companheiras e companheiros petistas,

Sexto ano de governo Lula. Na Venezuela e na Bolívia podemos ver a luta popular contra as exigências do presidente Bush levar a medidas de soberania, como as nacionalizações e a reforma agrária, apesar das ameaças ao processo revolucionário.

E o que vemos aqui?
O desemprego e o latifúndio continuam. Nas periferias, a violência focada nos jovens negros bate recorde. O ajuste fiscal continua e atinge proporções dramáticas em alguns Estados (AL, RS). No plano federal, se retomam as privatizações – ferrovia Norte- Sul, concessão de estradas, leilão de áreas de petróleo, privatização da Infraero – segundo as conhecidas exigências de Washington.

Agora, quando a “crise imobiliária” dos EUA se espalha pela economia mundial, e aqui a oposição derruba o CPMF, o que se propõe?
O governo Lula anuncia cortes nos gastos públicos e volta a apertar a política de juros para manter o superávit e pagar a divida eterna. O presidente Lula resolve atacar as “burocracias nacionais” para acelerar o livre-comércio no Mercosul que só beneficia as multinacionais.

Companheiras e companheiros petistas,

Onde está nos levando esta política do governo Lula? Nós não aceitamos, e como petistas dizemos Chega!
Não aceitamos a parceria Lula-Bush para ocupar o Haiti, e consagrar o “acordo do etanol”, super-explorador do trabalho e danoso ao meio-ambiente.

Não aceitamos que para aplicar esta política, os ministérios sejam entregues à coalizão dos partidos corruptos das elites. Nem aceitamos sua
conseqüência, a “política de alianças” de entrega nas eleições municipais de outubro.

Não aceitamos a recriação do imposto sindical pelo PL 1990 que mantém a integração dos sindicatos ao Estado e alimenta a divisão da CUT (em benefício da CTB do PCdoB).

Nós não aceitamos e chamamos à luta. Nos sindicatos, nas escolas e nos bairros, nós dizemos:

Lula, é hora de outra política! Chega de parceria com Bush!

Queremos medidas, como a ratificação da Convenção da OIT No. 158 (Proteção contra demissão imotivada) e a Convenção 151 (Garantia de
negociação para os servidores) que Lula, ouvindo a CUT, propôs ao Congresso Nacional.

Mas que agora enfrenta a resistência dos partidos pró-imperialistas, inclusive da “base aliada”, como já aconteceu com a Emenda 3!
Por isso nós queremos um governo petista que faça o que um governo petista deve fazer para nos livrar da política imperialista:

• enfrente a volta da “agenda derrotada”: ao invés de suspender acordos com servidores, cobre R$ 1,4 trilhão de tributos devidos por empresas à União (equivale a 34 anos de CPMF);

• anule o leilão de privatização da Vale e reverta as concessões e privatizações anunciadas;

• rompa com o Mercosul;

• faça a reforma agrária começando por publicar a portaria que atualiza os índices de produtividade da terra;

• acabe o superávit primário que come o gasto público para pagar a dívida, e a LRF que esmaga os Estados e municípios;

• recupere os salários, crie verdadeiros empregos e respeite a independência sindical;

• crie vagas nas universidades públicas sem “flexibilizar” os diplomas (revogue o Reuni);retire os mecanismos de distribuição de verbas por produtividade (PDE); garanta o passe livre.

Nós defendemos Candidatos Próprios do PT nas eleições municipais, candidatos que resgatem nossos compromissos, revertam as privatizações, as isenções às empresas, e lutem por verbas para recuperar os serviços públicos de educação, saúde, transporte e moradia.

As bandeiras que levantamos, cremos, correspondem ao sentimento dos petistas e inclusive da maioria do povo brasileiro.

Afinal, somos parte do movimento dos povos deste continente, cujas conquistas revolucionárias – notadamente na Venezuela – não abrimos mão.

Ao contrário, sua defesa integra nossa caminhada no Brasil pela soberania nacional, alimentando a luta pela Reestatização da Vale.

É por isso que, desde já, ajudamos a organizar 2º Encontro Continental “Contra os TLCs, Pela Soberania Nacional, Contra as Privatizações pelas Reestatizações” (4 de Abril, México) convocado pelo Acordo Internacional dos Trabalhadores, a Convenção Nacional Democrática do México (CND), sindicatos, centrais e associações.

Companheiras e companheiros petistas,

Markus Sokol, eleito ao DN-PT pela chapa Terra, Trabalho e Soberania, depositária do voto de mais de 3600 petistas, juntamente com Aurélio Medeiros, presidente da Federação dos Químicos do RJ/CUT e ex-candidato a presidente estadual do PT, Arnaldo Fernandez, Coordenador Geral da Federação Nacional Independente Sobre Trilhos/CUT, Bárbara Alves, Coordenadora Estadual do Setorial GLBT PT-BA, Francisnaldo Carvalho, da Executiva do PT de Serra Talhada-PE, Franscisco de Paula Silva, da Executiva do PT de Barretos-SP, nos dirigimos a todos para fazer uma reflexão e um convite.

Propomos nos reunir num quadro de respeito mútuo às posições de cada um, submetendo desde já nossas reflexões à discussão.

E perguntamos: não é chegada a hora, vendo o rumo que as coisas tomam, de juntos criarmos uma força? Nós pensamos que sim.

Uma força que não concorra com as organizações construídas pelos trabalhadores, mais necessárias do que nunca. Mas uma força para ajudar os
trabalhadores a servirem-se dessas organizações, combatendo aqueles que, de todos os lados, querem destruí-las.

Para isso, propomos realizar em Junho um amplo encontro para discutir como prosseguir no combate, com nossas organizações, para que o governo Lula rompa com as exigências de Bush, nos apoiando nas lutas em curso, nas iniciativas e campanhas do Encontro do México.

28 de fevereiro de 2008