De cada dois brasileiros, um está desocupado, segundo IBGE

Pela primeira vez na história, desde que a pesquisa começou a ser feita, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) registrou que a maior parte da população em idade para trabalhar está sem ocupação remunerada. É o que revelam os dados do IBGE divulgados em 30 de junho.

50,5% da população brasileira está desocupada

Pela primeira vez na história, desde que a pesquisa começou a ser feita, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) registrou que a maior parte da população em idade para trabalhar está sem ocupação remunerada. É o que revela dados do IBGE divulgados em 30/6. 

Pela pesquisa, somente 49,5% (85,93 milhões) das pessoas em idade de trabalhar tinham uma ocupação, ou seja, um emprego formal, informal ou trabalhando por conta própria. De fevereiro a maio deste ano a pesquisa revelou que 7,77 milhões de pessoas perderam seu trabalho. É uma redução de 8,3% em apenas 3 meses.  

Os setores que mais demitiram foram Alimentação e Hotéis que reduziram o contingente frente a fevereiro deste ano em 22,1%, seguido dos Serviços Domésticos que perderam 18,7% e Construção 16,4%. A Indústria reduziu em 10,1% sua força de trabalho em 3 meses, o que representa 1,2 milhão de pessoas a menos nesse setor econômico na estimativa do IBGE.

Desemprego, desalento e pessoas “fora da força de trabalho”

Os dados do IBGE mostram que há um total de 173,6 milhões de pessoas consideradas em idade de trabalho. Uma em cada duas destas pessoas (50,5%) não tem ocupação remunerada. Portanto a taxa de desemprego de 12,9%, medida pelo mesmo instituto, encobre a dimensão da situação desesperadora da classe trabalhadora brasileira, piorada pelas políticas do governo Bolsonaro/Guedes. 

Isto ocorre pois os desempregados são considerados apenas como aqueles que estavam buscando um trabalho no momento da pesquisa. Analisando os dados divulgados, observa-se que dos 87,67 milhões que não tem ocupação remunerada apenas 12,34 milhões se encaixam nessa descrição. Excluídos desse número há milhões em situação de “desalento”, como define IBGE, pessoas que não tem trabalho mas gostariam de trabalhar e desistiram de procurar um emprego apesar de já terem procurado um. Esse grupo soma 5,4 milhões.

Ao lado dos desalentados a pesquisa registra outros 11,9 milhões de pessoas que estão em idade para trabalhar, querem arrumar um emprego mas sua condição pessoal não lhes permitia no momento buscar uma ocupação por diversos motivos. Somados desalentados, desempregados e pessoas aptas a trabalhar mas consideradas “fora da força de trabalho”, são 30 milhões de brasileiros. Quase um terço do que o IBGE considera a “força de trabalho ampliada” (110 milhões), ou seja, o conjunto de pessoas que estão trabalhando ou declaram que querem trabalhar. 

Além desses há ainda outras pessoas fora do mercado de trabalho, 57,67 milhões estimadas pelo IBGE, que não tem trabalho e não estão à procura de um emprego no momento da pesquisa. Aí se enquadram muitos dos aposentados, pensionistas, “donas de casa”, estudantes e outras pessoas que não possuem ocupação remunerada.

Menor índice em 8 anos

A deterioração dos direitos da classe trabalhadora é palpável com a brutal redução de empregados com carteira assinada. O IBGE estimou o total deles em 31,1 milhões em maio, são 2,52 milhões a menos do que em fevereiro deste ano. É o menor índice de trabalhadores com carteira assinada já registrado pelo IBGE desde 2012, quando o instituto começou a fazer esse tipo de pesquisa.

Cristiano Junta
DAP São Paulo

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