O que Haddad foi fazer lá?

Markus Sokol

O deputado do PT Alexandre Padilha (CNB), o vereador Eduardo Suplicy e o ex-candidato a presidente, Haddad, foram ao ato virtual dito “Direitos Já – Fórum pela Democracia”, no último dia 26.
O que eles foram fazer lá? O evento foi puxado por um setor do PSDB. Lula, Dilma e Gleisi não foram.

De Luciano Huck a Fernanda Melchiona

Entre os convidados a falar, as estrelas foram o ex-presidente FHC e Luciano Huck. Ao lado de vários chefes do PSDB, desfilaram por 5 horas Ciro Gomes, Marina e Boulos, ex-candidatos a presidente, mais a líder do PSOL, deputada Fernanda Melchiona, o governador Flavio Dino e outros líderes do PCdoB, grande entusiasta do evento. Ao todo, nada menos de 16 partidos cuja descrição vamos economizar aqui.

É verdade que, na sua vez, Haddad disse ao apresentador, Fernando Guimarães, que queria “tornar pública as conversas com você ao redor do movimento Direitos Já”, onde, como relatou, defendeu o impeachment de Bolsonaro e a restituição de plenos direitos políticos para Lula. Certo, são algumas das posições do PT. Mas a que serviu ir lá?

Na longa lista de 100 oradores, a grande maioria de golpistas exaltaram a “democracia”, mas ignoraram o impeachment e os direitos Lula. FHC, por exemplo, é contra o impeachment, pede “paciência” com Bolsonaro, além de não falar dos direitos sociais. Foram acompanhados por apenas 9500 internautas, apesar da “amplitude” por cima.

“Passar o pano” nos golpistas?

Para que, então, serviu prestigiar este “movimento”? É legítimo perguntar se não serviu para “passar o pano” nos golpistas. Afinal, PSDB e outros líderes presentes, estão entre os maiores derrotados das últimas eleições, e agora que está virando a barca de Bolsonaro, os apoiadores do golpe e da sua eleição, alguns no 1º turno outros no 2º turno ou que abstiveram, todos precisam limpar a cara. É algo que essa direita parlamentar derrotada precisa para se levantar.

É legítimo perguntar se, então, não é mais possível nenhum amplo ato unitário pela democracia? Sim, é. Mas à condição de que seja uma ação com pelo menos um objetivo democrático concreto.

Também é legítimo perguntar se, então, não é mais possível nenhum amplo ato unitário pela democracia? Sim, é. Mas à condição de que seja uma ação com pelo menos um objetivo democrático concreto. Ali, cada força, o PT e outros, poderiam se expressar mais amplamente (no caso do PT sobre os direitos sociais de interesse do trabalhador). Foi assim na campanha das Diretas Já e na campanha do Impeachment de Collor.
Mas este movimento de espertalhões “Direitos Já” não tem um objetivo prático, como o impeachment de Bolsonaro ou outro. Ficar falando de democracia em geral, não enche a barriga de ninguém, nem contribui efetivamente para remover o governo autoritário. Serve para passar o tempo, muito útil para quem só faz esperar 2022.


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