1° de maio de luta pelo fim da escala 6×1

A tônica dos atos e manifestações convocadas para o 1° de Maio será o da luta pelo fim da desumana escala 6X1 sem redução de salários, bandeira histórica dos trabalhadores.

A luta pela redução da jornada de trabalho entra numa fase decisiva, após a iniciativa do governo Lula de apresentar um Projeto de Lei (PL) com urgência constitucional no último dia 14, que tem até 45 dias para ser votado pela Câmara dos Deputados.

Por outro lado, na quarta-feira (22), a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou a admissibilidade das propostas de Erika Hilton (PSOL-SP) e Reginaldo Lopes (PT-MG). A PEC 8/2025 da deputada Erika Hilton, que tem o apoio do movimento Vida Além do Trabalho (VAT), prevê semana de quatro dias e limite de 36 horas de jornada semanal. Já a PEC 221/2019 do deputado petista, reduz a jornada das atuais 44 para 36 horas semanais, com uma longa transição de dez anos para ser implantada.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou que uma Comissão especial será instalada para preparar a votação das PECs em plenário ainda no mês de maio. Ele corre pra passar na frente dos 45 dias do projeto de Lula.

Motta opera um caminho diferente da proposta defendida pelo presidente Lula para a aprovação da medida. O processo via PEC implica um maior tempo de tramitação, o que facilita a ação da extrema direita para barrar o projeto este ano e do lobby empresarial para, caso não barre, descaracterizar a proposta (com compensações fiscais etc.). Eles realizam uma intensa e agressiva campanha de mídia.

Os barões da mídia divulgam a mentira de sempre: a redução da jornada vai “quebrar as empresas, gerar desemprego e perda de competividade”. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) quer que uma eventual redução de jornada seja negociada por setor, e não implementada de forma geral.

Há uma surda queda de braço entre o governo e o presidente da Câmara. O projeto de Lula não terá um caminho fácil no Congresso inimigo do povo, dominado pelos partidos corruptos do Centrão e pela extrema direita bolsonarista a serviço do patronato, que bloqueiam ou desnaturam as pautas populares.

Essa é uma das razões pelas quais o DAP levantará neste 1º de Maio a luta por uma Reforma Política radical. Não se opõe a aprovar a redução da escala 6X1 agora, ao contrário, a luta aumentará a confiança do povo nas suas forças para as questões como a revogação das contrarreformas trabalhista e previdenciária de Temer-Bolsonaro.

O projeto de Lula – PL 1838/26 – apoiado pelas centrais sindicais, pretende reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas, garantir dois dias de descanso remunerado e consolidar a escala 5×2, sem corte de salários.

Nos próximos dias, a tendência é de acirramento da disputa em torno desta pauta extremamente popular que reforça o cardápio eleitoral de Lula e do PT na corrida presidencial.

É preciso intensificar a pressão política sobre o Congresso, transbordando a luta pelo fim da escala 6×1 para as ruas, redes sociais, locais de trabalho, moradia e estudo. O 1° de Maio, Dia Internacional dos Trabalhadores (as), que nasceu da luta pela redução da jornada de trabalho para 8 horas diárias, é um momento especial para ampliar a batalha política de classe pela redução da jornada sem redução salarial.

Milton Alves, jornalista e membro do Comitê Nacional do DAP

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