Zona Oeste luta contra fome e desemprego em São Paulo

No último dia 30 de julho, comunidades e movimentos sociais realizaram passeata até a subprefeitura do Butantã, Zona Oeste da cidade de São Paulo, para cobrar da prefeitura a distribuição de cestas básicas e abertura de frente de trabalho. O movimento levou uma carta de reivindicações à subprefeitura onde afirma que o “ato Passeata realizado nesta manhã é um grito de ‘desespero’ e de ‘alerta’”.

Esse é o segundo ato na frente da sub-prefeitura para cobrar ações do governo municipal contra a fome. O primeiro movimento ocorreu no dia 22 de abril de 2021. Na ocasião o DAP Butantã, juntamente com lideranças da Associação Morada do Sol e da Comunidade do Jardim Jaqueline realizaram a manifestação contra a fome em frente à subprefeitura da região.

Agora, o movimento ganhou nova força. Em 30 de julho mais de 10 comunidades da região do Butantã, Rio Pequeno e Raposo Tavares na Zona Oeste de São Paulo se unificaram para marchar até a prefeitura. São elas: Jardim D’Abril, 1010-Bode Zé, Polop, Gelo, Cohab Raposo Tavares, Buracanã, Uirapuru, João XXIII, Educandário, São Jorge, Arpoador, São Remo, Vila Dalva, Sapé, Nova Vitória, Miolo do Butantã, Viela da Paz, Monte Kemel e novamente o Jardim Jaqueline e Morada do Sol. Dessa vez o Diretório Zonal do PT apoiou a iniciativa, além de militantes do Psol e do PCdoB da região.

O movimento levou uma carta de reivindicações à subprefeitura onde afirma que o “ato Passeata realizado nesta manhã é um grito de ‘desespero’ e de ‘alerta’”. Na carta as comunidades afirmam “milhares de famílias no Butantã passam fome, como há muito não se via e os programas de segurança alimentar não alcançam 20% dos necessitados e não são transparentes”. Cobram a “ação imediata da Subprefeitura do Butantã para assegurar o fornecimento de 14.000 cestas básicas mensais até o final de 2021″. 

Frentes de Trabalho

Outra reivindicação central das comunidades é o emprego. A taxa de desemprego na capital paulista, de acordo com dados do IBGE publicados em junho, é de 15,6%. Maior que a taxa nacional. São 1,9 milhão de desempregados na região metropolitana, e 1 milhão apenas na cidade de São Paulo! 

Daí que as comunidades da Zona Oeste cobrarem da prefeitura a “criação em caráter de urgência de um amplo Programa Municipal de Frentes de Trabalho na subprefeitura do Butantã, onde a seleção e contratação sejam de trabalhadores desempregados das próprias comunidades, assegurando condições dignas de remuneração e treinamento para capacitação profissional”

Fechamento dos Centros de Criança e Adolescentes (CCA)

Decidiu-se somar as reivindicações as exigências da manutenção dos Centros de Criança e Adolescentes (CCA) Clarisse, Gracinha localizados no Jardim Jaqueline e o Circo Escola. Os CCAs são unidades mantidas pela prefeitura que atendem crianças e adolescentes de centenas de famílias na região.  

A subprefeitura quer fechar esses Centros, que atendem crianças e adolescentes que vivem em situações precárias, pois não quer investir dinheiro neles para adequar os prédios das unidades CCA Clarisse e Gracinha, geridas por ONGs que também dizem que não tem recursos para as obras de acessibilidade, obrigatórios por lei agora.

Os moradores das comunidades da região temem que eles acabem tendo o mesmo destino do Circo Escola, CCA localizado próximo a USP foi fechado em março de 2020. A prefeitura encerrou o contrato com a ONG que administrava o local e simplesmente fechou o prédio que nunca mais voltou a atender as crianças da região. Por isso os moradores exigem que a prefeitura assuma sua responsabilidade. Ela deve assumir diretamente a administração dos CCA, em vez de terceirizar e precarizar, reabrir o Círculo Escola e garantir a continuidade do funcionamento do CCA Clarisse e Gracinha. 

Cristiano Flecha e Ely Aoki

user

Diálogo e Ação Petista

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: