Em defesa da Petrobras e do pré-sal: somos todos petroleiros!

Os petroleiros de todo o país paralisaram suas atividades no último dia 24 de julho, em protesto contra o plano de redução dos investimentos na Petrobras e as tentativas de entregar as reservas do pré-sal às multinacionais. A paralisação, que significa apenas o início desta luta, foi um sucesso e mostrou a disposição de luta da categoria.

Numa demonstração de consciência política do que está em jogo, a categoria, organizada na Federação Única dos Petroleiros-FUP e nos sindicatos, coloca neste ano como ponto principal de suas reivindicações a defesa da Petrobras e do pré-sal. É claro que a exploração sensacionalista em torno da operação Lava-Jato tem como motor o apetite do mercado financeiro internacional em se apropriar do pré-sal. Para isso, a Petrobras tem de ser tirada do caminho, enfraquecida, sucateada.

Um exemplo é o projeto de lei 131/2015, de autoria do senador José Serra (PSDB/SP), que tem o objetivo de retirar da Petrobrás o direito de ser operadora única do pré-sal. A mobilização dos petroleiros conseguiu retirar o regime de urgência do projeto, mas este continua na pauta.

Os ataques à Petrobras encontram eco na direção da empresa, cujo Conselho de Administração aprovou, em junho, um novo Plano de Gestão e Negócios que prevê cortes de 89 bilhões de dólares em investimentos e despesas e a venda de ativos no valor de 57 bilhões de dólares. Com essa política, sabota-se a capacidade da Petrobras de explorar e refinar o pré-sal, as refinarias em construção são paralisadas e as demissões proliferam.

Tem razão o coordenador geral da FUP, José Maria Rangel, quando cobra da direção da empresa: “Tenho participado de debates na Câmara dos Deputados e no Senado e os representantes da Petrobras que vão lá para falar sobre a Lei da Partilha ficam igual chuchu. Se você coloca camarão, o chuchu pega gosto de camarão, se você bota carne, pega gosto de carne. O cara tem que ter firmeza, tem que chegar lá e dizer que a Petrobras está preparada e tem competência para isso.”

A luta em defesa da Petrobras e o pré-sal é de todos os trabalhadores, de toda a Nação. A decisão dos petroleiros de politizar sua pauta de reivindicações deve ter como contrapartida o envolvimento de todas as organizações de trabalhadores neste combate. Em Curitiba, por proposta do Diálogo e Ação Petista, deverá ser realizada no dia 13 de agosto uma Plenária Popular em Defesa da Petrobras e do Pré-Sal. Sim, porque não é uma responsabilidade apenas dos petroleiros. Trata-se da defesa da Nação e de sua soberania, dos direitos dos trabalhadores, de seus empregos, da educação e da saúde.

Por isso, a mobilização deve continuar. Há 20 anos, a histórica greve dos petroleiros barrou a privatização da Petrobras pelo governo FHC. A situação hoje é outra, mas o objetivo é o mesmo: defender a Petrobras e a soberania nacional sobre as riquezas do país.