Diálogo Petista – 6ª edição – novembro-2008

Suplemento de O TRABALHO nº 650

ENCONTRO NACIONAL DE DIÁLOGO PETISTA DECLARAÇÃO DE 15 DE NOVEMBRO Companheiros e companheiras petistas, . Nos reunimos – 83 militantes vindos de 13 Estados – num Encontro Nacional para uma discussão urgente sobre a difícil situação que se abre. Agora, está clara a crise mundial para a qual o sistema capitalista da propriedade privada dos meios de produção, controlado pela especulação, arrasta o país e o mundo. É a indignação com essa situação, encadeando-se a outros fatores em desenvolvimento na sociedade estadunidense – com a mobilização nunca vista dos negros, latinos, jovens e sindicalistas – o que explica a vitória do candidato Obama nas eleições presidenciais. Há um sentimento comum em diversas partes do mundo: – Nenhum mais um tostão para a especulação: os trabalhadores e as nações não devem pagar a crise! Que paguem aqueles que sempre lucraram, os especuladores, privatizadores e desregulamentadores. Esses que agora se lançam à pilhagem do Estado para salvar os bancos, cobrindo-se com a hipocrisia “neo-regulamentadora”.MesaPreSal Nessa hora, nós reafirmamos a nossa luta para “construir uma sociedade igualitária, onde não hajam explorados e nem exploradores” [Manifesto de Fundação do PT]. De fato, no Brasil, a insegurança se amplia: antecipam-se férias coletivas em grandes empresas, começa uma onda de demissões, anunciam-se de cortes no Orçamento federal de 2009, assim como nos Estados e municípios. O presidente Lula falou contra a “socialização das perdas”, afirmou que “o Brasil não pode pagar a crise deles”, e até que “o FMI e o Banco Mundial não servem para nada”. Mas na reunião do chamado G20 (as principais economias do mundo), o governo propôs reformar o FMI. Como se fosse possível regulamentar o “cassino financeiro”! Tem razão Chávez quando diz que o que resta ao FMI fazer “é dissolver-se”. Para nós, a preocupação torna-se um questionamento quando vemos que no Brasil as medidas adotadas em nome da crise, foram em favor das grandes empresas, nenhuma foi destinada ao povo trabalhador em cujas costas as empresas querem fazer cair as conseqüências.

“A direção subordinada ao Planalto não ouve os militantes e quadros do partido.”

Companheiros e companheiras, O que diz o Diretório Nacional do PT? Segue as medidas tomadas pelo “governo de coalizão” elogiando a sua política. Pretende que “os emergentes” salvem o sistema. Diz que “faliu o neo-liberalismo”, mas silencia quando o governo anuncia privatizar Estradas e Aeroportos. Como é possível? A direção do PT não quer ver a estagnação eleitoral – 16,5 milhões de votos no 1º turno de 2008 contra 16,3 milhões em 2004 – ligada ao desgaste provocado pela política atual. Ainda assim, com o voto dos trabalhadores o PT ganhou vários centros, onde a direção não retirou o PT da disputa em favor da “base aliada” (Cuiabá, Goiânia, Campinas, BH etc). A direção não é capaz nem de abrir o debate sobre o Reuni das universidades federais, ou avançar a luta pelo Passe Livre para os jovens estudarem, como decidiu o Congresso da Juventude do PT. Enfim, a direção subordinada ao Planalto não ouve os militantes e quadros do partido. A direção do PT precisa dizer ao governo o que a base quer, e não deixar o PT ser destruído, deixar de ser PT! Mais do que nunca, um Diálogo Petista é necessário! Para o PT cumprir com aquilo para o que foi fundado: “o PT proclama que sua participação em eleições e suas atividades parlamentares se subordinam ao objetivo de organizar as massas exploradas e suas lutas” [Manifesto de Fundação]. O PED recém-convocado para novembro de 2009 coloca no centro qual direção o PT precisa, e não pode ser mais uma “repetição”.

“Nós decidimos nos manter agrupados. Constituímos um Fórum de Diálogo Petista.”

Companheiros e companheiras, Nós lançamos o Diálogo Petista, afirmando que “o governo Lula tem mudar de política” e, ainda mais, “queremos um governo petista que faça o que um governo petista deve fazer para nos livrar da política imperialista”. O que hoje significa proteger os trabalhadores, e não os especuladores – nenhuma união com os que organizaram a crise! Nessa hora, ainda mais que uma grave crise se precipita, nós decidimos nos manter agrupados. Constituímos um meio de ligação entre nós e componentes das Mesas do encontro, num Fórum de Diálogo Petista. Decidimos sustentar uma publicação bimensal que circula como Suplemento do jornal O Trabalho. Nos agrupamos para desenvolver a luta com as organizações construídas pelos trabalhadores: – Sim, é hora de mudar de política para proteger a nação e os trabalhadores! Não nos venham dizer que não cabem “nacionalismos” e “protecionismos”. Foi justamente esse o discurso que ouvimos há décadas da boca do FMI, de Washington e do Banco Mundial. Foi em nome deste “realismo” que nos impuseram a “abertura comercial”, a privatização, a austeridade fiscal, as taxas de juro astronômicas, enfim, tudo que levou à crise atual.

“O governo Lula tem que mudar de política, queremos um governo petista que faça o que um governo petista deve fazer para nos livrar da política imperialista”.

Não nos venham dizer que a solução está no G20 reforçado ou no FMI com novos poderes. Não, a solução não está em nenhuma nova “governança mundial”! MesaHaitiVamos à luta por: • Dinheiro para o povo, não para especulação! Empresa quebrada deve ser estatizada! • Nenhuma demissão, Estabilidade no emprego! • Nenhum corte no Orçamento! Defesa dos Serviços Públicos e cumprimento dos acordos com os servidores! • Fim do Fator Previdenciário! Aplicação do Piso Salarial Nacional dos Professores! • Reforma Agrária! Assentamento imediato dos acampados! Apoio aos pequenos produtores e não ao agro-negócio! • Recálculo do Salário Mínimo corroído pela “inflação de alimentos”! • Responsabilização e Punição dos torturadores! • Chega de fazer “lição de casa” do FMI. Como diz a Marcha da CUT: Fim do Superávit Fiscal, Revogação da LRF! • O Pré Sal é Nosso: com a CUT, o PT e a CNBB, todo apoio ao abaixo assinado da FUP pela reestatização do petróleo; Lula adiou o novo marco regulatório: com o Comitê de Defesa do Petróleo de SP, enviemos Moções a Lula! • Soberania para todos: Retirada das Tropas brasileiras do Haiti! 

 

 

 

 

O COMEÇO DE UMA VERDADEIRA DISCUSSÃO PETISTA PROPOSTAS PARA O PARTIDO E PARA A LUTA DE CLASSE

Claudinho

Um dia de trabalho, uma rica e diversificada discussão fechando proposições comuns. Assim concluiu o Encontro Nacional que constituiu o Fórum Diálogo Petista. Militantes contaram a receptividade popular ao abaixo-assinado da FUP pela retomada do petróleo. Outros discutiram como a especulação sobreposta à produção levou à crise atual pela própria lógica do sistema – é impossível regulamentar o “cassino financeiro”. Sindic
alistas da Articulação defenderam “a volta do PT às origens dos trabalhadores nas vilas”, ou propuseram “exigir da direção defender o PT. Não sou OT, mas tenho orgulho de estar aqui. O PT tem história, e se acabar vamos ter o que?”. Até a singular intervenção do ex-dirigente do PSOL, do ABC paulista. Todos recusando qualquer “união” ou “consenso” com os banqueiros e privatizadores. Daí, o apoio às principais bandeiras da Marcha da CUT. Tudo confluindo num conjunto de decisões e as iniciativas. Sem dúvida, o interesse pelo evento entre organizadores da classe trabalhadora, vem da busca de um quadro de resistência petista numa situação onde o PT é esmagado pela subordinação da direção ao Planalto que “não ouve os militantes”, como diz a base, “sobrepõe personalismo de líderes (inclusive Lula) ao próprio PT”, etc. As eleições mostraram uma estagnação eleitoral que a direção esconde atrás do crescimento de prefeituras, mas que custou 1 milhão de votos à menos nas Capitais, apesar da recuperação de várias cidades operárias,mostrando como os trabalhadores ainda procuram utilizar o instrumento que construíram. Até porque as “alternativas de esquerda” sofreram um tombo – PSOL com 25 vereadores, PSTU caindo de 130 mil para 72 mil votos para vereador. Tanto que a Folha de SP diz o governo ajusta a “cláusula de barreira” na reforma política de 5% para 1% para preservar a legalidade do PSOL. Os delegados testemunharam como nessa situação o Diálogo pode ser uma força no terreno do PT, com seus componentes discutindo em pé-de-igualdade iniciativas para a luta de classe, em direção ao governo Lula e à liderança do PT, cobrando uma política petista de fato. Agora, o 1º passo é convocar as Reuniões de Volta do Diálogo ainda este ano, para apresentar a Declaração e discutir as propostas de ação como sobre o Haiti e o Pré-Sal. 

 

Ordem do Dia do Encontro 10:30 – Discussão Geral – Markus Sokol (DN-PT), Biancho (vereador eleito Sarandi-PR) 12:00 – 13:30 – Mesa “O Pré-Sal É Nosso” – Julio Turra (CUT), deputado Adriano Diogo (PT-SP), Cristiane Granha (Oposição Cutista Sindipetro-RJ) 13:30 – 15:O0 – Almoço 15:00 – 16:00 – Mesa “Defender o Haiti É Defender Nós Mesmos” – Milton Barbosa (MNU), Claudinho (Secr.Combate Racismo DR-PT/SP), Bárbara Corrales (DM-PT/SP) 16:00 – 17:00 – Discussão de propostas e adoção da Declaração Final Propostas adotadas:

1 – Declaração DP de 15 de Novembro 2 – Convocação de Reuniões de Volta (ainda este ano) para apresentação das decisões 3 – Abaixo-assinado de apoio ao pedido de Audiência a Lula de 23 organizações do Haiti 4 – Moções a Lula pelo “novo marco regulatório” com a retomada do petróleo 5 – Carta dos Vereadores do DP aos Prefeitos e Vereadores do PT: Luta pelo fim do Superávit Fiscal e Revogação da LRF 6 – Mensagens de apoio ao senador Paulo Paim pela aprovação do Fim Fator Previdenciário 7 – Apoio à Marcha da CUT a Brasília em 3 de dezembro.

 

    DEPOIMENTOSUm agrupamento que será um ponto de apoio para todos ” Depoimento de Biancho, vereador eleito em Sarandi-PR Minha presença no Encontro, junto com o outro vereador do PT eleito na cidade, foi pela importância que tem um agrupamento dos que defendem a organização dos trabalhadores para lutar pelos seus direitos, e querem um partido que seja um ponto de apoio para resistir aos ataques do imperialismo. Hoje, é preciso dizer que os trabalhadores não vão pagar a conta da crise. Nosso mandato vai estar na linha de frente, ajudando o povo de Sarandi na luta por hospital, por creches, escolas e transporte. Sou um dos signatários do Diálogo desde o começo e nossa campanha levou questões que hoje estamos discutindo: a exigência da retirada das tropas do Haiti pelo governo Lula e a luta pela retomada do petróleo. Tenho certeza que nosso agrupamento será um ponto de apoio para todos aqueles que lutam por saúde e por educação, bandeiras da minha campanha, que agora com a crise estão ameaçadas em todo o país.

“Voltamos ao PT para discutir com a base com toda liberdade” Depoimento de Fernando Oliveira, antigo Coordenador da campanha a prefeito e vice-presidenteFernandoOliveira do PSOL de Mauá (SP) Fernando Oliveira PT-Mauá/SP  Eu e outros companheiros do PT de Mauá, saímos do Partido dos Trabalhadores na época da crise do ‘mensalão’. Nós decidimos nos juntar com aqueles que estavam construindo o PSOL. Fizemos a campanha da Heloísa Helena e percebemos que ela tinha tantos problemas quanto o Lula. Como um personalismo que deixava os militantes de lado. Essa prática pode ser vista agora em São Paulo, onde o candidato a prefeito, o deputado Ivan Valente, tratorou o restante do partido, transferiu seu título de São Caetano para São Paulo sem discussão no partido, passando por cima da opinião dos militantes. No PSOL a única coisa que conseguíamos era discutir acordos com os caciques da direita. Nós queríamos discutir com o povo, com os trabalhadores, por isso decidimos voltar ao PT para discutir com a base, com o povo, com toda liberdade, como neste Encontro.

Fernando Oliveira

  MENSAGENS RECEBIDAS A crise financeira mundial do capitalismo em decadência, que agoniza, mas não perde a oportunidade de sugar as últimas gotas de sangue do proletariado, os novos desafios do PT para a sucessão presidencial de 2010 e o futuro do Brasil merecem um aprofundamento por parte de todos. (…) Gostaríamos de ficar a par do conteúdo da discussão para debatermos com os nossos companheiros(as) de partido aqui no nosso Estado.

Josean Espíndola da Silva , Presidente do Sindicato dos Agentes de Trânsito (Sindat-PE)

  Estando a frente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa de SP, neste sábado estava programado para estar entre vocês e discutirmos a situação dos nossos irmãos e irmãs haitianos e exigir a retirada imediata das tropas daquele país, mas fui solicitado pela comunidade quilombola de Cafundó a qual tem sofrido há anos com a violação de seus direitos fundamentais. (…) Colocando sempre meu mandato a disposição para esta e tantas outras lutas, aguardo ser informado do resultado desta reunião já me prontificando a participar do próximo encontro.

José de Souza Candido, deputado estadual (SP)

Diz senadora Ideli Salvatti: ‘Daqui a pouco será preciso criar uma república só para os projetos do Paim’ (…). Paim retruca corretamente: ‘O governo disse que o projeto (aumentos nas aposentadorias iguais aos concedidos ao salário mínimo) sai por R$ 9 bilhões. Quantos bilhões o governo deu para salvar os bancos, as montadoras e a construção civil? Dinheiro não falta’. São dois caminhos que se apresentam, e neste caso, os projetos do senador Paim justificam o que deve significar o PT para a classe trabalhadora. O outro coloca em risco nosso partido.

Antonio Carlos Battisti, vereador eleito, São José (SC)