Onde tudo começou: aqui estivemos, aqui estamos

A benvinda iniciativa do ato da candidatura de Lula à reeleição na Vila Euclides com o mote “onde tudo começou”, nos leva a rememorar e a uma reflexão.

Final dos anos 1970, princípio dos anos oitenta, a classe trabalhadora fez do estádio o cenário onde atuou como sujeito da história. Uma demonstração de força que se materializou na construção do Partido dos Trabalhadores, trabalhadores que abraçaram, sem pestanejar, a tarefa de construir sua própria representação política.

Quem saiu às ruas para buscar os 500 mil filiados e legalizar o partido há de testemunhar. De porta em porta, conversando com as famílias trabalhadoras, programa de todos os finais de semana naqueles meses de 1981, para pedir adesão. O apoio vinha com a força de quem sentia-se identificado, como classe, à luta dos metalúrgicos do ABC. “Queremos construir um partido nosso”, explicávamos, “para isso precisamos de 500 mil adesões”. “É dos trabalhadores do ABC, é do Lula? Então assino!”, respondiam.

Um bonequinho “João Ferrador”, criado em 1972 pelo jornalista Antonio Carlos Félix Nunes e popularizado por Laerte, virou um ícone das mobilizações dos metalúrgicos. Sempre mal humorado, seu bordão era “hoje não estou bom”, referência à situação dos trabalhadores e a disposição de lutar para mudar as suas condições de vida.

É fato que muita coisa mudou no mundo do trabalho. Por exemplo, a Volkswagen da via Anchieta em São Bernardo nos anos 80 tinha cerca de 40 mil trabalhadores. Com o processo de automação, hoje emprega 13 mil somando as unidades no país.

Mas, o que começou ali, nas décadas de 1970/80 está resolvido? Nos dias de hoje, cinco décadas depois, o João Ferrador teria razão para estar bem, num país ainda regido por um sistema que subtrai a representação e os interesses do povo, um sistema comandado pelos interesses capitalistas?

A construção de uma representação independente dos trabalhadores nasceu questionando o sistema político que os oprimia. Sim houve conquistas nos governos do PT, mas o sistema e as instituições que o sustentavam seguem impávidas.

No discurso que oficializou sua candidatura (02/08), Lula disse num próximo mandato “a gente vai ter que ser mais ousado. Muito mais ousado. Para mudar muita coisa.” Sim, a começar por remover os entulhos (sistema político) que bloqueiam avanços estruturais.

Uma batalha que começa na campanha para reeleger Lula e que deve estampar o rosto da maioria oprimida do nosso país.

O Diálogo e Ação Petista não vê como coisa do passado o que começou na Vila Euclides. É pressente o futuro.

No dia 16, estaremos lá para ajudar a luta para construir a força da ousadia que o próximo mandato deve ter.

Votar em Lula e pôr fim ao entulho oligárquico que sufoca o país: Reforma Política Radical!

Votar em Lula e retomar os direitos suprimidos dos trabalhadores: revogação das contrarreformas trabalhistas e previdenciária;

Votar em Lula e recuperar o que foi saqueado da nação: reestatização das empresas privatizadas;

Votar em Lula e levar paz ao campo: reforma agrária;

Votar em Lula e devolver aos povos indígenas as terras usurpadas, dar aos quilombolas o que lhes é de direito.

Vamos lutar pelo voto que indique: estamos dispostos a sustentar, com a mobilização popular, a ousadia necessária para corresponder aos anseios expressos ali onde tudo começou. E aí sim, o João Ferrador poderá ficar de bom humor.

Misa Boito, Comitê Nacional do DAP

Leia também

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *