O PT não tem espaço para Kátia Abreu

O PT anunciou a filiação de Kátia Abreu, dando mais um passo na via de “ampliar o palanque” para a reeleição de Lula. Ela veio do Partido Progressistas (PP) de Ciro Nogueira, prata da casa no Congresso Inimigo do Povo. Nos momentos mais difíceis, quando o PT sofreu com o Lawfare do judiciário, Kátia Abreu estava ao lado de Ciro Gomes e declarou voto nulo no 2º turno entre Haddad x Bolsonaro.

Antiga conhecida dos trabalhadores rurais do Tocantins, Kátia Abreu não é aliada, mas inimiga histórica, vide a sua atuação em favor do agronegócio no Estado. No plano nacional, foi peça importante para aprovar o retrógrado Marco Florestal. Não é à toa que recebeu o título “Motosserra de Ouro”, também dado a Ricardo Salles. Em 2022 afirmou: “Votar em Lula não é uma ameaça às nossas fazendas e negócios”, dando um sinal claro dos rumos que defendia para o governo. Fará diferente agora no partido?

Todos nós, petistas, estamos determinados a reeleger o presidente Lula. Porém, a ampliação do palanque com uma das principais lideranças dos ruralistas, não ajuda nesta necessária tarefa. Ao contrário, atrapalha, ao nos afastar da base social do partido. Na batalha eleitoral de 2026, o PT deve se credenciar como principal defensor da Reforma Agrária junto aos movimentos do campo. Infelizmente, o governo Lula vem priorizando a compra amigável de terras, no lugar da política de desapropriações, sinalizando um distanciamento com a luta dos trabalhadores rurais. É preciso dar um giro, e essa política de alianças – expressa na filiação de Kátia Abreu, torna-se um obstáculo, ainda mais,  para avançar na democratização da terra.

Considerando que o PT na sua Carta de Princípios (1979) afirma: “(…) como um partido que tem como objetivo acabar com a relação de exploração do homem pelo homem”, entendemos que não há espaço para o agronegócio, não há espaço para o centrão, não há espaço para Kátia Abreu no Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras.

Hélio Barreto e Leda Gonçalves, militantes do PT/DF

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