Nova doutrina de segurança de Trump quer “preeminência” na continente

O presidente Trump anunciou dia 4, a nova Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos, como faz cada presidente eleito. Trump quer retomar a Doutrina Monroe de 1823, do então presidente Monroe – “A América para os americanos” -, na época do capitalismo ascendente nos EUA.

Dois séculos depois, não haverá ressurreição de Lázaro. O que querem é se livrar, mais de trinta anos após a queda da URSS, do que resta da ordem mundial criada após 1945.

Trump diz que a OTAN não é mais prioridade, que não tem mais o propósito de se expandir, e que a Europa deve assumir o Orçamento de sua própria segurança.

Dmitry Pskov, o porta-voz do Kremlin, considerou “um passo positivo”.

No texto divulgado pela Casa Branca, pela primeira vez, o continente – Hemisfério Ocidental – aparece antes da Europa, Ásia ou África.

Deixemos os gringos falar:

“Os EUA devem ser preeminentes no Hemisfério Ocidental como condição para nossa segurança e prosperidade, razoavelmente estável e bem governado o suficiente para prevenir e desencorajar a migração em massa para os EUA; queremos um hemisfério cujos governos cooperem conosco contra narcoterroristas; que permaneça livre da apropriação de ativos-chave, e que apoie cadeias de suprimentos críticas; e queremos garantir nosso acesso contínuo a locais estratégicos importantes.”

“Buscaremos apoio dos aliados já estabelecidos no hemisfério para controlar a migração, deter o fluxo de drogas e fortalecer a estabilidade e a segurança em terra e no mar. Recompensaremos e incentivaremos os governos, partidos políticos e movimentos da região que estejam amplamente alinhados com nossos princípios e estratégia. Mas não devemos ignorar governos com perspectivas diferentes, com os quais, ainda assim, compartilhamos interesses, e que desejam trabalhar conosco.”

Tais são os interesses imperialistas: migração; narcoterrorismo, real ou imaginário; minerais críticos e petróleo, sob concorrência chinesa.

São objetivos que os EUA já visavam, mas agora vem com força, e mais a grosseria de Trump externar a “recompensa” a governos … e também a “partidos políticos e movimentos”!

A nova estratégia de Washington busca o lendário “quintal dos EUA” na América Latina, citado pelo secretário de Guerra, Hegseth. Dia 8, ele atacou e roubou um petroleiro guianense carregado na Venezuela, junto à costa.

Mas a geopolítica entra em contradição com as relações entre as classes em plena crise do imperialismo.

O brilho de Trump foi abalado nos EUA pelas manifestações “No Kings” e pela eleição de Mamdani prefeito socialista em Nova York, que defendeu os migrantes. Hegseth é questionado no Congresso sobre a legalidade dos ataques a barcos

Os povos rechaçam essa ofensiva e vários governos, em vários graus, não aceitam as exigências de Trump, Petro na Colombia, Lula no Brasil e Claudia no México.

O PT, em particular, deve captar a mensagem sobre a “recompensa aos partidos e movimentos” em vista das eleições presidenciais de outubro – é ingerência anunciada!

Um passo, desde já, é confrontar as deportações em massa de Trump, na Jornada Continental pelo Direito à Migração e pela Soberania Nacional, em março. Ela traz uma resposta do norte ao sul do continente à esta nova doutrina de Trump.

Esta luta interessa a milhões de compatriotas e familiares, e a todos os trabalhadores que precisam construir elos de solidariedade internacional contra o capital financiero e a reação, no rumo da sua emancipação.

Markus Sokol, Comitê Nacional do DAP

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