Conferência Mundial Aberta contra a Guerra e a Exploração (3)

Por iniciativa do Acordo Internacional dos Trabalhadores e Povos (AcIT) e organizada pelo Partido dos Trabalhadores (PT) da Argélia (país do norte da África), realizou-se com sucesso a 9ª Conferência Mundial Aberta (CMA) contra a guerra e a exploração.
O Diálogo e Ação Petista (DAP), agrupamento de militantes do PT que participou ativamente na preparação dessa conferência, sendo aderente do AcIT desde a sua formação, apresenta, nessa terceira de quatro matérias previstas, seus resultados.

plenário durante os trabalhos da Conferência Mundial

Declaração Final

A situação está marcada por enor­mes convulsões mundiais, numa crise sem precedentes da domina­ção imperialista que abre a via para aventuras das mais perigosas para a humanidade.

Governos e regimes, ainda que frágeis e em crise, atacam os traba­lhadores e os povos oprimidos para preservar o sistema capitalista.

Logo no início da sua sessão plená­ria, a conferência adotou por unani­midade e de forma solene a seguinte resolução:

“Nós, 230 delegados reunidos na 9ª Conferência Mundial Aberta do AcIT, que foi apoiada por cerca de 700 dirigentes políticos e sindicais e por militantes anti-imperialistas de 60 pa­íses, repudiamos de forma veemente a provocação de Donald Trump com a sua decisão anunciada de transferir a embaixada estadunidense de Tel Aviv para Al Quds (Jerusalém) ocupada, visando torná-la a capital do Estado hebreu. Nós afirmamos nosso apoio incondicional ao povo palestino em sua luta pela recuperação de seus direitos nacionais”.

Ao longo de toda a conferência, os oradores saudaram o combate do povo palestino por seus direitos inalienáveis. Muitos dentre eles res­saltaram a pesada responsabilidade das instituições internacionais e, por trás de “lágrimas de crocodilo”, dos regimes e governos reacionários do Oriente Médio.

Os participantes da conferência chegaram a uma mesma conclusão. Os trabalhadores e povos oprimidos estão confrontados, em toda a parte, com uma crise terrível que é resultado da decomposição do sistema capita­lista. E resistem com determinação.

Sob pretexto de “luta contra o terrorismo”, guerras imperialistas que desagregam nações e semeiam o caos se generalizam, a serviço de grandes multinacionais que se jogam numa feroz concorrência pela pilhagem dos recursos naturais e das matérias primas.

Guerras que jogam milhões de trabalhadores e jovens nas rotas do êxodo. Enquanto isso, os governos imperialistas atacam os povos oprimidos, aumentando os orçamentos militares, e, em nome da crise, tentam destruir todas as conquistas dos trabalhadores nos próprios países imperialistas.

Essa ofensiva desagregadora das nações por parte do imperialismo se expressa também na política de “golpe de Estado” no Brasil e nas ameaças contra a Venezuela.

É preciso constatar que a opressão colonial e imperialista se perpetua e se agrava, com a cumplicidade de regimes preocupados em preservar seus vínculos com o imperialismo.

Todas as conquistas sociais e demo­cráticas da classe operária são ataca­das, aumentando a exploração dos trabalhadores e particularmente das mulheres: privatizações, destruição de leis trabalhistas, questionamento das convenções coletivas, dos direitos à educação e à proteção social, dos direitos à saúde, provocando a resis­tência dos trabalhadores com suas organizações.

Os delegados à 9ª Conferência Mun­dial Aberta (CMA) saúdam e apoiam o combate em defesa da Seguridade Social em escala internacional e em cada país.

O direito de greve é questionado sistematicamente.

A independência das organizações sindicais é atacada e ameaçada de destruição através de sua integração.

Os trabalhadores e povos, em toda a parte, buscam bloquear essa ofensiva para defender seus direitos vitais, suas conquistas sociais, a soberania nacional nos países opri­midos, engajando novas forças na re­sistência à política do imperialismo. Uma política de decomposição que atinge particularmente a juventude, empurrando-a para a precariedade, a guerra e a migração.

Para além das situações nacionais, essa resistência sofre pressões que se exercem sobre os dirigentes do movimento operário e popular para que aceitem, acompanhem e até mesmo participem de todos os golpes preparados e dados pelos distintos governos a serviço do capital, com o argumento de que “não há outra alternativa”.

A CMA considera, ao contrário, que a ruína e o caos aos quais o regime capitalista empurra a humanidade não são inevitáveis, como demons­traram 80 oradores que se pronun­ciaram durante esses três dias. Todas essas intervenções expressaram a resistência dos trabalhadores e povos com suas organizações que, em seu próprio terreno, o da luta de classe, procuram abrir uma saída.

Diante dessa situação, a CMA saúda todos os combates dos trabalhadores e povos oprimidos por seus direitos. Ela considera que nada é mais im­portante do que ajudar a preservar ou reforçar a independência das organizações da classe operária e da juventude e todos os processos em curso de resistência no interior do movimento operário, como explicaram muitos oradores.

Desta conferência, da riqueza dos debates e da qualidade dos partici­pantes, afirma-se a necessidade de manter o contato, do intercâmbio de informações e de prosseguir a discus­são aberta entre todos os participan­tes. A unidade dos problemas enfren­tados, a solidariedade internacional e a ajuda ao combate travado em cada país, confirmam essa necessidade.

Em 4 de janeiro de 1991, na conferência de fundação do Acordo Internacional dos Trabalhadores e Povos em Barcelona, era adotado o seu manifesto que afirmava a confiança dos participantes “na capacidade dos trabalhadores do mundo inteiro de se libertar das cadeias da exploração e opressão, na sua capacidade de construir um mundo onde a colaboração harmoniosa entre as nações e os trabalhadores substituirá esse mundo de barbárie que aumenta cada vez mais (…)”.

Esta CMA faz suas também as conclusões da precedente 8ª CMA de Argel de novembro de 2010 e re­afirma: “Essa confiança é reforçada pelos acontecimentos: apesar de todos os sofrimentos e de todas as destruições, a vontade de resistência e de combate dos trabalhadores e povos que não aceitam desaparecer permanece sendo o elemento essen­cial sobre o qual repousa o futuro da humanidade (…).

Nós reafirmamos: a paz e a frater­nidade entre os trabalhadores e ospovos só pode ser realizada por eles próprios. Ela só pode ser realizada sobre a base da satisfação de suas necessidades fundamentais que se chocam com aquelas da classe dos exploradores, portadora da guerra e da ruína.”

Por isso, nós apoiamos a proposta da coordenação do AcIT de estudar a possibilidade de que, nos próximos meses, representantes de todos os países presentes possam novamen­te reunir-se para constituir o Comitê internacional de ligação da 9ª CMA, para assegurar o intercâmbio entre nós, organizar as ações comuns e a solidariedade internacional.

Contra a guerra e a exploração

Em defesa:

  • dos direitos socioeconômicos dos trabalhadores e da juventude;
  • da independência das organiza­ções sindicais;
  • das liberdades democráticas;
  • da soberania dos povos e das nações.

Argel, 10 de dezembro de 2017.

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