Diálogo Petista 34

PORQUE VOU AO ENCONTRO NACIONAL DO DIÁLOGO PETISTA?

DP34c_AdrianoDiogo2“Eu vou ao Encontro Nacional do Diálogo Petista, pois é onde se discutem ideias que hoje a direção do PT parece que esqueceu: a luta de classes, o papel dos trabalhadores; e de onde são tiradas campanhas das quais participo, com a luta pela retirada das tropas do Haiti e contra as Organizações Sociais. Será uma oportunidade de discutir com petistas, no âmbito nacional, questões que hoje nos afligem; tratar, do ponto de vista socialista e não autoritário, num espaço de diálogo franco mesmo, que é cada vez menor nas instâncias partidárias.

É uma chance para dialogar, por exemplo, sobre a questão do Haiti. E não temos outro espaço para fazer isso, pois esta questão está trancada no PT. Por isso, quando discutimos o Haiti, quando trazemos um dirigente haitiano para participar da reunião, para expor sua opinião, oxigenamos não só o Dialogo, mas o próprio PT. O Haiti é a escola do militarismo, não vejo  distinção entre as forças ditas de paz no Haiti e as tropas de ocupação do exercito americano no Iraque e no Afeganistão. Qual é a diferença entre a ocupação do Haiti e de Kosovo? Vejo que é a tentativa de exterminar o povo negro e pobre. O Brasil não consegue explicar sua participação na liderança das tropas. É uma espécie de neocolonialismo, com interesses econômicos, como sabemos. E tudo pelo fetiche de participar do Conselho de segurança da ONU. Não vejo com bons olhos e por isso é muito importante que a gente dialogue, explique, pois há um silencio de cemitério sobre o tema. Hoje o Haiti é um enorme campo de concentração e não há nada que me convença da posição do governo sobre isso.

E uma chance também de dialogar sobre a questão da política de alianças. Você sabia que havia que defendessem, no PT, que o partido, em São Paulo, se aproximasse do atual prefeito, Kassab, do DEM, e até tivesse candidatura em comum, tipo 3ª. via? A posição adotada pelo PT, de oposição ao Kassab e pelo lançamento de uma candidatura própria em 2012 é correta, mas a discussão não esconde que havia quem quisesse que o PT abrisse mão de ter candidato próprio. O Kassab e seu pretenso candidato – o Chalita talvez – são apenas um cavalo de tróia, oco e podre, mas com alguns petistas dentro. E isso tem uma relação com a política do Kassab de privatização da saúde, de entrega mesmo da saúde pública para a iniciativa privada. Nós, junto com diversos petistas, temos combatidos as Organizações Sociais por entender que isso leva a corrupção. E leva a outras propostas, como a das PPPs para a construção de hospitais, que seriam operados por consórcios de construtoras! Mas também entendo que não é uma questão “paulista” por isso espero que a reunião do DP dê conta de abordar este tema do ponto de vista nacional, pois sei de outros governo, inclusive do PT, que aplicam as OSs.”

Adriano Diogo, Deputado Estadual do PT-SP


Fórum do Diálogo Petista se reúne no Cruzeiro (DF)

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Fórum do Diálogo Petista se reúne no Cruzeiro (DF) e prepara delegação ao Encontro Nacional do Diálogo Petista

No dia 16, a reunião de Cruzeiro, considerado um reduto petista, um dos bairros mais petistas do DF onde nas últimas eleições a população votou 80,13% no PT para Governador. Essa reunião contou com a presença de 30 companheiros. No debate um relato vivo da preparação do Encontro Nacional do Diálogo Petista. Entre as várias intervenções podemos recordar algumas

O companheiro André Shalders, membro do DCE-UnB comentou que atualmente na universidade os jovens não se identificam com o PT como antes, A companheira Jussara, servidora do Incra, comentou a dificuldade de reunir com Dilma para discutir a campanha pela limitação da propriedade da terra. Dilma tem priorizado falar com o agronegócio, mas a bandeira histórica do PT tem sido a luta pela Reforma Agrária.

Já Jorge Rondelli, servidor do INEP falou que é importante ter um espaço de discussão dentro do PT como o Diálogo. Apesar de ser um militante independente e não pretender entrar nenhuma corrente. Preocupação a política de aliança do PT-DF ao coligar com partidos que sempre foram inimigos históricos do nosso partido no DF, ele explica que o PT deveria ter uma política de aliança apenas com partidos que tenham alguma aproximação com as bandeiras ideológicas do PT.

O companheiro Salin Siddartha, administrador regional do Cruzeiro comenta que o PMDB se organiza para dar um golpe no PT. Ele observa que a burguesia se rearticula depois da derrota do arrudismo e do rorizismo pela via mais econômica, o vice-governador Fillipeli (PMDB). Levantando o problema do erro dessa aliança.

Ao final da discussão, foi arrecadado R$ 144,75 entre os presentes. Logo depois foi encaminhada uma atividade de coleta de assinaturas da campanha pela limitação da propriedade da terra para o dia 20 pela manhã.

No dia 24 de fevereiro houve uma reunião no Gama. além de encontros em Taguatinga, Ceilândia, Plano Piloto, Sobradinho, Cidade Ocidental-GO. Estamos convocando para o dia 23 de março uma plenária do Diálogo Petista do DF no auditório do Sindsep-DF para preparar uma boa delegação ao Encontro

Correspondente


“Escutam quem a atacava, e não quem suou a camisa”

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A reunião em Curitiba (25/2) do Diálogo Petista reuniu sete companheiros, entre eles trabalhadores dos Correios, da Previdência Social, bancários e professores. Um companheiro que abriu a reunião falou: “Hoje vemos muitos militantes querendo discutir as lutas… mas não tem espaço. Os espaços que existem não respondem a necessidade de discutir como lutar para, no PT, colocar militantes de todas as origens para debater o que é possível lutar. As reivindicações do convite (Petróleo, Reforma Agrária, Defesa dos Serviços Públicos, retirada das tropas do Haiti) são pontos comuns que unem centenas de militantes para agir em conjunto no PT buscando expressar a independência dos trabalhadores na luta. Nós votamos na Dilma e elegemos contra o PSDB. Mas as medidas dela estão indo no caminho oposto da esperança da maioria dos que votaram. A CUT pedia 580 para o Salário Mínimo e o governo impôs 545. Os cortes dos
orçamentos atingem em cheio os serviços públicos. Várias categorias precisam de concurso. Muita gente votou na Dilma esperando a continuidade da valorização do serviço público. Então o Diálogo tem esse objetivo, ser um espaço amplo de discussão no PT, para lutarmos juntos.”

Um companheiro falou “na campanha todos atacavam a Dilma, e nós estávamos fazendo campanha; depois da eleição, parece que o governo escuta quem a atacava e não escuta nós que suamos a camisa.”

Nessa discussão um companheiro dos Correios falou “Nos Correios o PMDB foi uma desgraça, muitos terceirizados, diretor sindical e companheiros da base demitidos com justa causa, pela direção, na época do PMDB. São companheiros que fizeram a campanha da Dilma, que votaram no PT. Foram demitidos pelo PMDB que mandava nos Correios.”

Outro emendou “é preciso tirar os carrascos das chefias nos Correios. Não dá pra Gleisi (senadora do PT-PR)  falar que se o PT tiver candidato será ‘entrar para perder’ .Ducci (PSB) não dá, se é para ser igual aos outros, não precisa PT. Mas precisamos o PT, pedimos votos pro PT, mas não pra isso!”

Essa discussão gerou a proposta de uma campanha dirigida a Presidente Dilma e ao novo Ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, pela reintegração dos demitidos dos Correios.

No debate um companheiro da trabalhador da Previdência Social também falou “O INSS tá sem concurso, o atendimento todo atrasado, uma situação difícil. Precisamos lutar para valorizar o serviço público, não para a ‘governabilidade’ ficar na frente das necessidades do povo, não para ficar essa lei de responsabilidade fiscal que nos lasca.”

Os bancários relataram a expansão da terceirização nas empresas, com os correspondentes bancários e com as agências complementares. Um dirigente sindical dos Correios falou nessa discussão: “Você é bancário, temos de discutir como agir juntos. O banco postal é um exemplo da situação. No Paraná mais de 1000 assaltos a agências de correios, por conta do banco postal com o Bradesco. Mas o trabalhador do banco tem um piso de quanto? Nos correios o salário é 800 reais”. O Bancário respondeu: “nos bancários em geral é mais 1300 reais. No Banco do Brasil é mais de 1600  reais”. O trabalhador dos correios retomou “E o funcionário dos Correios, não tem adicional de caixa (quebra de caixa), não tem segurança no local de trabalho”, propondo unir as forças contra essa exploração.

Os bancários se responsabilizaram em fazer uma reunião do Diálogo com outros bancários e enviarem delegados ao Encontro Nacional

A reunião decidiu por batalhar por um transporte para levar a delegação. Encontro no dia 2 de Abril em São Paulo. Uma rifa de um Ovo de Páscoa está sendo feita junto com um livro d’ouro para arrecadação junto aos parlamentares petistas.

André Castelo


Aramari (BA): precisa “diálogo aberto no PT”

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Em Aramari, Bahia cerca de 20 petistas, entre eles ferroviários, trabalhadores rurais, químicos, estudantes, agentes comunitários, dirigentes sindicais reuniram-se em 26/02 para discutir a convocatória do Encontro Nacional de Diálogo Petista, apresentada por Paulo Riela, membro do Diretório Municipal de  Salvador, atualizada pela situação política.

Numa cidade com 78 petistas a executiva municipal, renovada após o PED, discute constantemente os problemas da cidade e dos trabalhadores e coordena as atividades de 22 diretórios municipais na região litorânea e do recôncavo da Bahia. Gervásio destaca “Aramari está completamente abandonada” e tece criticas as tendências no partido dizendo que “Defende o povo… apoia reivindicação individual e coletiva. Apoia candidato e, se eleito, tem que cobrar”. Irineu (presidente do PT municipal) critica as alianças e afirma que “o PT ficou atrativo para muitos, mas não pode abrir assim para qualquer um”, completa dizendo que é preciso “diálogo aberto no PT”. O Diretório Municipal de Aramari discute neste momento a luta contra a municipalização da escola estadual da cidade, inclusive cobrando dos deputados que votaram apoio à luta. Outra luta é cobrança do pagamento dos salários de 8 agentes comunitários que o prefeito parou de pagar.

Com boa receptividade, a convocatória do ENDP teve 12 adesões e o abaixo assinado a Dilma pela retirada das tropas do Haiti foi incorporado às atividades dos militantes que coletam adesões nas bases. A executiva considerou muito produtiva a reunião e discutirá arrecadação para um delegado  participar do encontro no dia 2 de abril.

Correspondente