Primeira avaliação do 2º turno da eleição presidencial

Segunda-feira, dia 26 de janeiro de 2026

Ontem, dia 25, o povo brasileiro surpreendeu o mundo. Numa virada inédita, reelegeu Luiz Inácio Lula da Silva presidente no 2º turno, com 10,4 milhões de votos à mais do que no 1° turno, totalizando 64,3 milhões. Foram 51,8% dos votos válidos no candidato do PT, contra 48,2% de Flávio Bolsonaro (PL). Duas vezes a diferença sobre o pai em 2022. O povo pôs um freio à subordinação ao imperialismo na América Latina!

O dólar subiu e a Bolsa caiu 50%, até acionarem o “circuit braker” (anti-crash). Enquanto isso, numa escola de ensino médio na Cidade Tiradentes, extremo-leste de São Paulo, no intervalo os jovens cantavam e dançavam ao som de “Olê, Olê, Olê, Olá, Lulá, Lulá”.

Trump, por seu lado, disse hoje que a eleição “parece ter sido fraudada”, sem qualquer prova. O seu moleque, Flávio, que anunciou “o fim da era do PT”, agora diz que vai pedir “a cassação da chapa do PT”.

Nos jornais, os escribas da classe dominante estão assustados, com medo de uma “inflamação”.

Em 21 dias, milhões saíram às ruas em centenas de cidades, em milhares de atos, na maior mobilização popular da história do Brasil. Agora, nada será como antes!

É o produto do protagonismo da juventude que “assumiu a responsabilidade” (Lula) que estava em jogo, e começou a sair às ruas de forma espontânea no dia seguinte ao 1º turno, sem esperar pelo comando que batia cabeça.

Seu movimento guarda relação histórica com as poderosas manifestações juvenis, cada uma nas suas condições, na França, Itália, Bélgica, Grécia, Sérvia e Albânia, além dos EUA. A pesada roda da história está se movendo.

No Brasil, a mobilização envolveu setores populares e democráticos, e se espalhou pelas redes (e não o contrário). Sim, havia risco às conquistas sociais do governo Lula e de antes, havia risco à democracia, havia risco à soberania; o futuro da juventude estava em jogo.

Era “politicamente necessário, difícil, mas matematicamente possível virar o jogo”, dissemos no DAP no dia 10.

As massas populares entraram na cena desenvolvendo formas elementares de auto-organizando, manifestações autoconvocadas, equipes de campanha, de produção de materiais e grupos de apoio mútuo para levar pessoas a votar.

Foi uma vitória contra os prognósticos dos “analistas” nacionais e internacionais. Afinal, o bolsonarista era apoiado pelo imperialismo norte-americano, o que permitiu ao PL reunir rapidamente a cúpulas dos partidos de direita, todos juntos com o Agro, a Faria Lima, os Varejistas e as Big Techs, na frente com os milicianos e as máfias anexas (Master etc.).

O presidente bolsonarista do TSE, por sua vez, Nunes “Orgia”Marques, organizou a confusão dos locais de votação, e ontem não julgou os recursos apresentados contra o boicote dos ônibus, crime eleitoral cometido por prefeitos e empresas de transporte.

As ameaças ao resultado do pleito chamam uma mobilização gigante para a posse em Brasília dia 5 de janeiro, se não antes. O fim da escala 6X1 entra em vigor em 50 dias, mas a sabotagem patronal, com a qual Flávio tem compromisso, já chegou às empresas.

Na véspera do pleito, Lula disse na TV que “a participação do povo e a saída na rua dos estudantes, vai nos obrigar a fazer um novo jeito de governar”. De fato. A Nação aguarda a palavra do presidente.

A direção do PT tem que mudar. Não pode continuar só acompanhando o Planalto, como a esquerda e muitos sindicatos e movimentos. Foi dessa toada que saiu a linha da “defesa do legado” que rebaixou o programa em alianças impossíveis, e quase pôs tudo a perder no 1º turno. A direção deveria trocar os tapetes pelo asfalto e o barro, e ajudar nas suas lutas vitais.

Vamos encarar a realidade de frente, o sistema está podre.

Na Globo, o playboy provocou com os “nove dedos”. Mas quando Lula denunciou que “milhões de trabalhadores se acidentam por irresponsabilidade patronal que obriga a gente a trabalhar em jornada que a gente tem que ir trabalhar”, Lula mostrou quem é que é antissistema.

O sistema podre não se apresenta como uma saída.

Esta Constituição, que foi remendada por 130 PECs reacionárias, não resolve os problemas da vida do povo. O governo Lula 4 para cumprir os seus compromissos e as expectativas populares, para “fazer mais”, estará sitiado pela reação: pelo Orçamento sequestrado pela Câmara das bandalheiras, pela gritaria do ajuste fiscal e pelo desmoralizado STF na mão do Senado de direita.

Hoje, a melhor saída é avançar com Lula no comando para construir uma Reforma Política e Judiciária Radical, e abrir caminho para uma Constituinte Soberana livremente eleita, que proceda às reformas estruturais – revogue a Reforma trabalhista, o artigo 142 (GLOs), implante o Imposto das Grande Fortunas, decida a Reforma Agrária, as Reestatizações necessárias e a derrubada dos Juros.

É preciso uma ruptura democrática com esse sistema.

Chamamos todos que estiveram conosco na batalha eleitoral, agindo com o PT agia, para se associar ao DAP. Para avançarmos juntos com outros setores políticos e sociais na construção do Movimento pela Reforma Política Radical, preparando um Encontro Nacional no início de 2027.

Chamamos agora, já, para discutir o balanço eleitoral e os próximos passos, a realizarem-se, Reuniões do DAP – com atenção especial para juventude que desperta – nas cidades, bairros, escolas, faculdades e categorias profissionais.

  • Em defesa dos direitos e da luta por novas conquistas!
  • Em defesa da Soberania nacional!

Comitê Nacional do Diálogo e Ação Petista

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