Revolta Secundarista na França

O movimento de protesto começou no início de ano escolar 2026/27, na semana passada, mas cresceu muito e nesta quinta-feira, eram 640 escolas de ensino médio e 30 universidades bloqueadas, 1.793 detidos (90% menores de idade) e 119 feridos.

As reivindicações de melhores condições de ensino variam de escola em escola – estima-se em 50% sem condições ou falta de professores – e há a demanda geral dos secundaristas contra as medidas que dificultam o acesso à vagas no ensino superior.

As federações de professores da Força Operária (FO) e da Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT), chamaram ao apoio e à participação para proteger os jovens nas portas de escola.

Em um colégio, uma estudante segura um cartaz: “15 anos de escolaridade para terminar na lista de espera”. Em outro colégio: “De novo nos mandam a polícia ao invés de nos escutar. Mas desta vez vamos aguentar!”

O protesto se produz em meio a um crescente mal estar social com os cortes socais, a alguns meses das eleições presidenciais. Nesta mesma quinta-feira, o Governo apresentou um orçamento para 2027 propondo cortes históricos 54 bilhões de euros (cerca de R$ 330 bilhões).

Os serviços de inteligência “consideram que o movimento de bloqueio dos institutos é uma manobra organizada pela França Insubmissa (LFI) e seus satélites de ultra-esquerda”, assinalou em nota a equipe de Lecornu, o primeiro-ministro do presidente Macron.

“O governo provoca a juventude estudantil”, reagiu Jean-Luc Mélenchon, líder da LFI e principal candidato da esquerda às presidenciais. “Ele quer instaurar uma taxa de inscrição para os cursos técnicos superiores de dois anos ou em cursos preparatórios”.

Em nota oficial, Mélenchon convoca. “O movimento secundarista é inofensivo. O governou ordenou a repressão, cuja ferocidade tem um toque de racismo evidente. Não toquem nos jovens. Parlamentares e prefeitos insubmissos, interponham-se onde vocês puderem”. Podem-se ver os resultados.

Sindicalistas, parlamentares e prefeitos, como Bally Bagayoko, o novo prefeito LFI de Saint Denis, vizinha a Paris, estão na porta dos colégios junto com os secundaristas face à repressão, escoltando as suas marchas etc.

A federação de professores FNEC-FO foi ao Ministério da Educação exigir o fim da repressão. “Nós temos as mesmas reivindicações. Convocamos os colegas a juntar-se às mobilizações e no 6 de outubro: greve nacional!”. As centrais aderiram a mobilização. Na França, deverá ser a primeira vez que os sindicatos se manifestam junto com os estudantes. Se o governo francês não recuar, o movimento vai crescer.

Correspondente

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