Encontro Nacional lança um movimento pela Reforma Política Radical

Cerca de 81 delegados, que representavam reuniões realizadas em 14 estados, se encontraram no sábado, 8 de agosto, em São Paulo (SP), para debater, acumular forças e adotar encaminhamentos.

A principal decisão foi a de lançar um “movimento por uma reforma política radical dentro da agenda do novo governo, e que desague numa Assembleia Constituinte Soberana” – movimento este que busca abrir o caminho para o conjunto das mudanças de fundo que o Brasil precisa, como a revogação das contra reformas e o adoção do Imposto de Grandes Fortunas. Uma discussão urgente no período eleitoral, enquanto fazemos a maior campanha para eleger Lula e os candidatos de esquerda, mas conhecendo os limites que serão impostos pelas próprias regras do jogo.

O instrumento adotado para isso foi um Manifesto, construído a partir das discussões que se iniciaram no PT com uma Declaração em abril, e se estenderam por entidades, sindicatos e outros partidos, com quase 5000 adesões. O Manifesto deve agora servir para aprofundar a discussão com o conjunto dos militantes e novos setores. O Manifesto está aberto para receber novas adesões em www.reformaradical.com.br

Os próximos passos serão discutidos em novas reuniões nos estados, as quais prestarão contas do Encontro e devem preparar atividades, de acordo com a realidade em cada.

Por exemplo, sobre a abordagem do tema nas campanhas dos candidatos que aderem ao Manifesto. Ou o planejamento de levar o documento para atos e agitações das candidaturas no próximo período que devem aglutinar milhares, terreno fértil para discutir a podridão do sistema e os obstáculos que impõe ao povo (por exemplo, com o Senado, como câmara revisora, até aqui impedindo a aprovação do fim da escala 6×1, apesar do clamor social). No centro do próximo período está a defesa da soberania nacional, a qual carece da soberania popular para ser sustentada plenamente, o que reforça a necessidade de uma Constituinte Soberana, o qual o Congresso Constituinte de 1988 não foi.

O encontro de quase quatro horas, com transmissão de Youtube disponível aqui , foi aberto pela mesa: José Genoíno, ex-presidente do PT, Carla Ayres, vereadora de Florianópolis pelo PT, Rui Falcão, deputado federal do PT e ex-presidente do partido, Marcos Pereira, Diretório Municipal do PT de Conde (PB), Markus Sokol, fundador do PT e Pedro Paulo de Abreu Pinheiro, militante do PT-MG.

Entre os assuntos, discutiu-se táticas para avançar essa discussão, como a apresentação de emendas à Constituição que pudessem ajudar a desvelar aos olhos da população a natureza do Congresso. O deputado teve a presença de espírito de resumir que aqui será “Onde tudo começou” na próxima fase da luta dos trabalhadores para avançar até a Constituinte.

Carla elucidou o quanto a atual Constituição, que já havia recebido o voto contrário do PT em 88, foi sendo passo a passo piorada pelo Congresso, como com a adoção das emendas parlamentares orçamentárias impositivas. Este foi um dos principais elementos abordados pelo conjunto dos presentes, e Genoíno propôs a possibilidade de um plebiscito para submeter a questão ao crivo da população.

A violência do Estado cometida pelas forças policiais todos os dias também foi um assunto recorrente na fala, inclusive com o relato indignante de um pai que busca justiça pelo seu filho assassinado pela polícia. Essa que é uma das principais chagas do nosso povo é a prova contundente de como mudar as instituições brasileiras é absolutamente vital e urgente – o Fim da Violência Policial integrou o manifesto.

No próximo período, uma Comissão constituída pelos membros da mesa está responsável de colher as experiências com o manifesto nos locais, receber novas adesões e eventuais propostas ao movimento.

O Encontro aprovou, por aclamação, que o conjunto dos presentes aderiram ao apelo pela libertação imediata do Dr. Hussam Abu Safiya, diretor do Hospital Kamal Adwan, da Faixa de Gaza, um dos 14 médicos palestinos que estão sequestrados por Israel, sem nenhuma acusação. A situação do Dr. Abu Safiya é grave, com lesões graves, sinais de agressão física, dificuldades respiratórias e repetidos episódios de perda de consciência.

Também foi integrada no debate uma Jornada internacional, contra a militarização da juventude, a qual vai ocorrer dias 20 e 21 de novembro – no Brasil, coincide com o Dia da Consciência Negra, dia de luta pelos negros, que são os que mais sofrem com a polícia militarizada.

Priscila Chandretti, presidente da mesa e membro do Diretório Nacional do PT

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