Um eleitor(a) um voto: a questão da proporcionalidade
Iniciamos uma série de publicações no Boletim Sexta-feira até agosto, quando será realizado um evento nacional pela Reforma Política no rumo de uma Constituinte Soberana.
O debate foi lançado por José Genoíno, ex-presidente do PT, Rui Falcão, deputado federal e ex-presidente do PT, Luiz Eduardo Greenhalgh, fundador do PT e Markus Sokol, fundador, numa Declaração à Militância Petista. ela vem recebendo adesões de parlamentares, sindicalistas, lideranças populares dentre eles: Luiza Erundina, deputada federal, PSOL-SP, Larissa Gaspar, deputada estadual (PT Ceará); Luna Zarattini, vereadora (PT São Paulo), Cézare Pastorello, vereador (PT Cáceres-MT), Professora Adriana Almeida, vereadora (PT Fortaleza), Pedro Alcântara, vice-presidente do PT Pernambuco), João Gabriel Buonavita, presidente do Sindsep (SP), Paulo Farias (Executiva CUT-RS), Rodrigo Mondego, advogado e militante de DH, Rio de Janeiro, Madalena Prata, liderança do Quilombo Boqueirão da Arara (Caucaia-CE); Thiago Maciel (Executiva Estadual PT-SP); Rômulo Jerri Andrade, DR PT-CE; Diego Pandullo e Cristiano Flexa (DM SP), Eudes Baima (DM Fortaleza), Antônio Serafim diretor SINTECT (Santa Maria RS), Luiz Henrique Becker, direção central CPERS, Rosane Nascimento, presidente SIMEV (Estância RS)
Aqui abordaremos A proporcionalidade direta nas eleições
Como é hoje
A Constituição determina o cálculo das cadeiras de cada Estado na Câmara dos Deputados através da divisão da população brasileira pela quantidade de cadeiras da Câmara (513). Uma lei complementar (LCP 78/93) estabelece que cada estado deve ter no mínimo 8 e no máximo 70 deputados.
Uma proporção desproporcional
O sistema representativo deformado, reforçado na Constituição de 1988 que transformou territórios em Estados, leva ao domínio dos latifundiários no Congresso. Nas tabelas abaixo mostramos um exemplo da distribuição entre a população dos menores e maiores Estados e a ocupação das cadeiras na Câmara.
3 MENORES ESTADOS DO BRASIL
| ESTADO | POPULAÇÃO | % BRASIL | CADEIRAS NA·CÂMARA | % OCUPAÇÃO |
|---|---|---|---|---|
| ACRE | 884.4 mil | 0,4% | 8 | 1,6% |
| AMAPÁ | 806.5 mil | 0,4% | 8 | 1,8% |
| AMAPÁ | 738.8 mil | 0,3% | 8 | 1,6% |
| TOTAL | 2.4 milhões | 1% | 24 | 4,9% |
3 MAIORES ESTADOS DO BRASIL
| ESTADO | POPULAÇÃO | % BRASIL | CADEIRAS NA·CÂMARA | % OCUPAÇÃO |
|---|---|---|---|---|
| SÃO PAULO | 46,1 milhões | 21,6% | 70 | 14% |
| MINAS GERAIS | 21,4 milhões | 10% | 53 | 10% |
| BAHIA | 14,9 milhões | 7% | 39 | 7,6% |
| TOTAL | 82,4 milhões | 38,6% | 162 | 31,6% |
A desproporcionalidade é absurda, o voto de um eleitor de Roraima (400 mil votantes) equivale a 10 vezes mais do que o de um eleitor de São Paulo para eleger um deputado federal. O voto de um eleitor do Amapá (menos de 600 mil votantes) equivale a quase 7 vezes mais do que o eleitor de São Paulo para eleger um deputado federal.
É um padrão que se repete em favor de outros estados agrários criando uma sub-representação dos grandes centros urbanos e, portanto, da classe trabalhadora. Daí é que vem a vultosa bancada ruralista e o domínio dos coronéis no Congresso.
Nada é tão ruim que não possa piorar
Um Projeto de Lei (PLP 177/23) aprovado em tempo recorde pelo Congresso Inimigo do Povo, prevê a ampliação das atuais 513 para 531 cadeiras na casa.
A mudança é fruto de uma decisão do STF para a Câmara atualizar a quantidade de deputados de acordo com o Censo de 2022, o que acentuaria ainda mais as distorções de 1993.
O projeto foi vetado pelo presidente Lula, o Congresso ainda não analisou o veto, mas a reação popular colocou o PLP por enquanto na gaveta.
Reforma política radical
Esse congresso não nos representa. A forma que ele foi concebido privilegia as oligarquias (e agora, até o crime organizado). Conquistar novos parlamentares alinhados com a classe trabalhadora, apesar de importante, não resolve o problema, não muda as regras do jogo.
Defendemos uma reforma política onde, de fato, 1 eleitor (a) valha 1 voto, mudando as regras de distribuição das cadeiras na Câmara, mexendo nas regras mínimas e máximas e garantindo a participação dos Estados menores. Afinal, o Brasil é seu povo, os Estados são unidades administrativas, têm suas Assembleias Legislativas. Esse sistema político já deu, por aí não vai mudar a relação de forças. Como diz a Declaração “O Brasil precisa de uma reforma radical nas instituições. O PT deve se qualificar nas eleições como o genuíno partido antissistema na luta por uma Reforma Política – com o financiamento público exclusivo, o voto em lista partidária pré-ordenada e a proporcionalidade direta (um eleitor, um voto). Sim, é uma ruptura pela via democrática que queremos.”
PH, militante do PT-AL

