Depois do “No Kings”, o “May Day Strong” está em preparação no Estados Unidos

No sábado (28/3), mais de oito milhões de pessoas em mais de 3300 mil atividades foram às ruas para as manifestações convocadas pela coalisão No Kings (“Sem Reis”) nos EUA. Essa é a terceira vez em menos de um ano que manifestações são convocadas sob este movimento. Há diferenças em relação à primeira rodada ocorrida em junho de 2025: comparativamente houve um aumento de quase 40% de atos em cidades menores. Em comparação aos atos de outubro, o de março ocorreu em 500 novos locais.

Além do crescimento geográfico, Cara Tobe, membro do comitê político nacional dos Socialistas Democráticos da América (DSA, em inglês), explicou em entrevista ao jornal Informations Ouvrières que as reivindicações se tornaram mais explícitas. Agora incluem a exigência de abolição do ICE (Serviço de Imigração e Controle de Aduanas) que aterroriza comunidades em todo o país. Além de haver fortes reivindicações contra a guerra: “não à guerra, não às bombas”, mas também contra o genocídio na Palestina. E, conclui, a consigna central continua sendo “No Kings”, ou seja, uma exigência de pôr fim ao que Trump está fazendo.

Pesquisa Reuters/Ipsos realizada entre 20 e 23 de março aponta que somente 35% aprovam os ataques no Oriente Médio enquanto que a maioria, 61%, reprova. Olhando outros dados do levantamento é fácil explicar a queda de popularidade de Trump, que hoje está em apenas 31%. Quanto ao tema inflação/aumento de preços, o cenário não é diferente. 68% dos estadunidenses desaprovam a forma como Trump conduz enquanto somente 23% aprovam.

Questões concretas são a base da preparação das mobilizações previstas para o 1º de Maio convocadas pela coalizão “May Day Strong” (Primeiro de Maio Forte). Após a greve geral em Minneapolis em resposta ao ICE, este apelo tem crescido e envolvido os sindicatos, como o sindicato dos metalúrgicos UAW, atraindo neste esforço organizações e entidades.

Os bombardeios dos EUA e Israel já deixaram 5 mil mortos, 50 mil imóveis destruídos e forçaram o deslocamento de mais de um milhão de pessoas. O barril de petróleo chegou a saltar a um aumento de 50% após um mês de ataques.

A incerteza quanto ao fim da guerra é alimentada pelo próprio Trump que dá informações contraditórias, e mesmo sobre seu objetivo. Ele afirmou que quer “tomar o petróleo” do Irã, como na Venezuela. Para isso teria que ocupar o principal escoadouro de gás e petróleo daquele país, a ilha de Kharg. Estabeleceu 6 de abril como prazo de “acordo”.

Tudo isso expõe impotência da ONU, mas também a passividade dos países componente do BRICS divididos a respeito, contrariando quem acreditasse que o “bloco” fosse oferecer algum contraponto ao imperialismo estadunidense.

Estados Unidos e Israel bombardearam também universidades, o que leva a guerra ao nível de barbárie de Gaza. A destruição da Universidade de Ciência e Tecnologia do Irã confirma fala de Trump de que quer “levar aquele país à Idade da Pedra.”

Shahab Esfandiari, presidente e professor da Universidade Sada e Sima, lançou um apelo que chegou ao DAP, dirigido aos reitores e entidades ligadas ao mundo acadêmico:

“- Quero que todos os professores e acadêmicos de todo o mundo condenem estes ataques violentos contra as universidades iranianas”. No Brasil, começaram as primeiras tomadas de posição. A Redação reforça este apelo.

Marcelo Carlinimembro do Diretório Estadual do PT-RS

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