É hora de medidas concretas em defesa dos empregos e salários frente à agressão de Trump

Na noite de quarta-feira (6) foi encerrada a “ocupação” da mesa da Câmara por deputados a serviço da família Bolsonaro, e em última análise teleguiados por Trump, em busca da tramitação de um projeto de anistia aos golpistas de 8 de janeiro e de proposta de blindagem de políticos contra investigações e denúncias criminais. No dia seguinte entraria em vigor a sobretaxa estadunidense sobre produtos brasileiros como represália à “caça às bruxas”, segundo Trump, em meio à escalada da tentativa de ingerência sobre o STF e a sanções econômicas sobre Alexandre de Moraes. Mas enquanto a crise se agrava, medidas concretas de reciprocidade e defesa de empregos e salários ameaçados ainda não vieram.

O ex-presidente do Banco Central no governo FHC, e fundador do Grupo Gávea com R$ 10 bi sob sua gestão, Armínio Fraga, recusa a ingerência política de Trump, mas não seus interesses econômicos. Em entrevista ao Estadão afirmou: “Acredito que, na área política, ele não vai ter os seus desejos atendidos de jeito nenhum. Do lado econômico, curiosamente, alguns dos desejos eu sinceramente compartilho, porque acho que o Brasil é uma economia muito fechada. Então, se isso for algo que leve a uma abertura racional do país, pode ser gradual em algumas áreas, acho que vai ser bom para nós. E, se for bom para ele, tanto é melhor”.

Ricardo Alban, presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), em entrevista à Folha de São Paulo, foi mais preciso no que Armínio chamou de abertura da economia e defendeu que o país inclua nas negociações temas como o etanol, as big techs e os minerais críticos.

Enquanto a burguesia trata a soberania como uma palavra oca e não esconde sua disposição de colaborar com os interesses econômicos de Trump os efeitos do tarifaço já são sentidos pelos trabalhadores. A pressão dos patrões pela suspensão de contratos de trabalho, redução de jornada e salários cresce. Lula reagiu aos ataques, fez um pronunciamento à nação reafirmando a defesa da soberania. Mas fora declarações de Haddad sobre estudos de cenários, até agora não foi anunciada nenhuma medida de garantia dos direitos dos trabalhadores atingidos.

Lula começou conversas com os representantes dos países que integram o Brics para dar uma resposta conjunta. Era o que os países deveriam fazer, vão fazer? Já ofensiva estadunidense continua, nesta quarta-feira (7), o presidente estadunidense anunciou mais 25% de tarifas sobre a Índia por comprar petróleo da Rússia.

No 17º Encontro Nacional do PT, delegados do DAP aprovaram resolução com medidas de reciprocidade. A emenda afirma que “é hora de ir para as ruas em um calendário popular de mobilizações – se ligando à resistência que se expressa em outros países da América Latina e dentro dos próprios Estados Unidos – onde o PT joga um papel central, em apoio a: taxação recíproca aos produtos estadunidenses, taxar as big techs e avançar para a soberania digital nacional, quebrar as patentes farmacêuticas americanas, garantia real dos empregos ameaçados pela taxação”.

Sim, a soberania nacional deve ser defendida ao lado dos direitos da classe e das medidas de reciprocidade à agressão de Trump. Mas o jogo não está jogado. Bolsonaro agora cumpre prisão domiciliar, mas seus generais golpistas seguem livres e cuidadosamente fora do foco. Não será a toga, mas as ruas que podem garantir um Brasil soberano.

Marcelo Carlini, suplente do DR PT/RS

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *