“O principal inimigo é nosso próprio governo”

Segunda parte da reportagem do Comício contra Guerra.

O Comício Contra a Guerra em Londres, no dia 20 de junho, reuniu 3 000 presentes e mais 7 mil online a maior parte do tempo. Havia 27 países dando continuidade ao Comício contra a Guerra de 17 países em outubro passado, em Paris. Eram centenas de sindicatos, uma dúzia de deputados de vários partidos e inúmeras lideranças (abaixo). A Conferencia Contra a Guerra preliminar do dia 19 teve 200 assistentes.

Na Europa, a repercussão é grande. Por exemplo, a central espanhola UGT (União Geral dos Trabalhadores) já publicou comunicado assumindo as decisões de Londres.

Reproduzimos aqui trechos das falas.

John Rees, cofundador da coalizão Stop the War (Parem a Guerra)

É um evento histórico, porque nossos adversários estão constantemente se reunindo. Eles se encontram em cúpulas, no G7, em Davos. Mas para nós, isso é algo incomum.

Com que frequência nós nos reunimos para planejar e tornar as lutas ainda mais eficazes do que são?

Aqui em Westminster — logo do outro lado da rua — jazem os reis mortos da Inglaterra; e bem, aqui está o povo vivo da Inglaterra. E o povo vivo da Inglaterra diz: “Solidariedade com a Palestina, chega de guerra, larguem as armas, aumentem nossos salários; bem-estar social em vez de guerra, salários em vez de armas”.

Não podíamos só conversar: precisamos agir. Então declaramos: 10 de outubro, manifestações internacionais pela Palestina. Em novembro, ação internacional contra o alistamento obrigatório e o rearmamento. E quando os portuários convocarem um dia de ação, uma mobilização internacional em solidariedade.

Esse é o objetivo da conferência.

E termino com isto. Há 162 anos, há 1,5 quilômetros deste edifício, foi fundada a Primeira Internacional dos Trabalhadores. Karl Marx escreveu seu discurso inaugural que afirmou que os trabalhadores devem vigiar a diplomacia de seus governantes e lutar contra ela. E concluiu aquele discurso com estas palavras: “Proletários de todos os países, uni-vos!”

Ulrike Eifler, membro da direção do IG Metall, sindicato nacional dos metalúrgicos (Alemanha)

“Gaza não foi a exceção: Gaza foi o modelo. E aqueles que não respeitam o direito internacional também não respeitam os direitos dos trabalhadores. Os políticos alemães que se recusam a classificar o ataque ao Irã como uma violação do direito internacional são os mesmos que querem abolir a jornada de trabalho de oito horas.

Os estivadores na Itália e na Grécia mostraram o que podemos alcançar quando nos recusamos a se submeter. Imagine a força que teríamos se não apenas os estivadores se recusassem a carregar armas, mas também se os professores impedissem a entrada de soldados em suas salas de aula. Ou se as enfermeiras declarassem que só tratariam ferimentos sob a condição de que os soldados fossem enviados para casa, para suas famílias, e não de volta para o front.

É para isso que estamos aqui, construindo esse grande movimento contra a guerra.

Na França, o orçamento militar dobrou em 10 anos. E em apenas alguns minutos, o governo encontrou 36 bilhões de euros para o exército. Todos votaram a favor (na Assembleia Nacional, NdE). A França Insubmissa votou contra.

Quando organizações de proteção à infância pedem os 3 bilhões de euros que faltam, o governo responde que não tem. O governo reduziu os orçamentos para hospitais, previdência social e educação em 6 bilhões de euros. Mas em poucos minutos, encontrou 36 bilhões para a guerra. Nossos governos gastam dinheiro para prolongar e expandir guerras. E direi: para   o povo da França, para os trabalhadores, para os jovens, o principal perigo é o nosso próprio governo.”

Lindsey German, responsável pela coalizão Stop the War, Grã-Bretanha
Jeremy Corbyn, deputado do Your Party, Grã-Bretanha
Amara Enyia, corresponsável pelo Movement for Black Lives (Movimento pelas Vidas Negras), Estados Unidos
Maurizio Coppola, coordenador nacional do Potere al Popolo, Itália
Irene Montero, eurodeputada, Podemos, Espanha
Peter Mertens, dirigente do Partido do Trabalho da Bélgica (PTB)
John Rees, Stop the War Coalition, Grã-Bretanha
Jérôme Legavre, deputado da França Insubmissa e militante do POI
Micaela Tracey-Ramos, Comitê executivo do Unison, sindicato dos serviços públicos e terceirizados, o maior do Reino Unido
Ulrike Eifler, sindicalista do IG Metall, Alemanha
  • Ian Hodson, dirigente do BAFWU (Sindicato dos Padeiros, Trabalhadores de Alimentos e Afins), Grã-Bretanha.
  • Medea Benjamin, cofundadora do grupo antiguerra internacional Code Pink, Estados Unidos.
  • Fran Heathcote, secretária-geral do sindicato PCS (Sindicato de Serviços Públicos e Comerciais, funcionários do Estado), Grã-Bretanha.
  • Richard Burgon, deputado do Partido Trabalhista em Leeds East, Grã-Bretanha.
  • Jon Trickett, deputado trabalhista, presidente do conselho editorial da Tribune 5, Grã-Bretanha.
  • Lorena Delgado Varas, deputada da Esquerda Futura no parlamento sueco e membro da Flotilha Sumud
  • Igor Romanchuk, militante da União das Esquerdas Pós-Soviéticas, Ucrânia.
  • Andrei Demidov, A Paz a partir de baixo, Rússia.
  • Mothin Ali, deputado e responsável do Partido Verde, rã-Bretanha.
  • Jo Grady, secretária-geral do sindicato UCU (Sindicato das Universidades e Faculdades), Grã-Bretanha.
  • Diane Abott, deputada do Partido Trabalhista, primeira mulher negra eleita para o Parlamento britânico.
  • Mothin Ali, deputado e responsável do Partido Verde, rã-Bretanha.
  • Jo Grady, secretária-geral do sindicato UCU (Sindicato das Universidades e Faculdades), Grã-Bretanha.
  • Diane Abott, deputada do Partido Trabalhista, primeira mulher negra eleita para o Parlamento britânico.
  • Sophie Bolt, secretária-geral da Campanha pelo Desarmamento Nuclear, Grã-Bretanha.
  • Yasmine Adam, responsável da Associação Muçulmana da Grã-Bretanha.
  • Sophie Bolt, secretária-geral da Campanha pelo Desarmamento Nuclear, Grã-Bretanha.
  • Yasmine Adam, responsável da Associação Muçulmana da Grã-Bretanha.
  • Andrew Feinstein, ex-deputado do Congresso Nacional Africano, diretor da Shadowworld
  • Maryam Eslamdoust, secretária-geral do sindicato dos transportes TSSA, Grã-Bretanha.
  • Eddie Dempsey, secretário-geral do sindicato dos ferroviários RMT, Reino Unido.
  • Tariq Ali, escritor e dirigente da Stop the War Coalition.
  • Jordi Salvador I Duch, sindicalista, deputado da Esquerda Republicana da Catalunha (ERC), Estado espanhol.
  • Giorgos Gogos, presidente do sindicato dos estivadores do Pireu, Grécia.

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