PT estadual decide candidatura própria em Minas

Na foto: Na foto: Encontro das Esquerdas Lula pelas Minas e pelas Gerais aconteceu na Quadra dos Metalúrgicos, em Contagem-MG, reuniu mais de 1,5 mil militantes dos movimentos, sindicatos, associações, pastorais, do campo e da cidade. O encontro discutiu uma proposta de candidatura para representar a esquerda mineira.

Republicamos abaixo o texto da edição 964 do jornal O Trabalho.

Sob o comando de Lula, o presidente do PT, Edinho Silva, fez de tudo para que Rodrigo Pacheco fosse o candidato ao governo do estado, mas fracassou. Pacheco chegou a deixar o PSD, que tem candidatura própria ao governo, o atual governador e vice de Zema, Matheus Simões. O senador filiou-se ao PSB. Fez mistério durante vários meses, negociou com partidos da “base aliada” e até com Aécio Neves (PSDB). Aguardou pesquisas. Deixou o PT em banho-maria. E, por fim, anunciou sua decisão de não ser candidato.

A busca pelo apoio à Pacheco tinha como justificativa a necessidade de um “palanque forte para Lula em Minas”, diziam vários dirigentes, “num estado chave para a vitória eleitoral”. Altamente questionável. Não que o Estado não seja chave, segundo maior colégio eleitoral do país, todos os presidentes eleitos desde 1989 venceram em Minas. Mas Pacheco dificilmente seria um palanque forte para Lula. Presidente do rejeitadíssimo Congresso Nacional, de 2021 a 2025, o senador não era tão popular, e definitivamente não empolgaria a militância do PT e o eleitorado de Lula, pois não representa nenhum programa de defesa dos interesses populares. Fracassado o plano, os defensores da frente amplíssima ainda tentaram reeditar o apoio a Alexandre Kalil (pré-candidato pelo PDT), que recusou o apoio.

Finalmente, vendo que a política de alianças fez água, o Diretório Estadual resolveu adotar uma resolução, unânime, que diz que “a apresentação de uma candidatura própria do PT – construída em unidade com os partidos da federação, em diálogo permanente com os movimentos sociais, sindicais e articulada à liderança do presidente Lula – é o melhor caminho para ampliar o debate e envolvimento de nossa militância e consolidar um verdadeiro projeto de Reconstrução para Minas Gerais”. Um ponto de apoio importante numa situação muito difícil.

O DAP havia proposto no Encontro Estadual do Partido, ainda em janeiro, a construção de uma candidatura própria – a proposta foi rejeitada. Foram meses de trabalho perdido. Agora o Diretório resolveu levantar a cabeça. De fato, a candidatura própria é necessária. Afinal, os setores conservadores, da direita e da extrema direita, todos privatistas, seguem organizados em torno de um projeto que aprofunda a retirada de direitos, desmonta o Estado, entrega o patrimônio público e submete Minas aos interesses das mineradoras e das elites. Uma candidatura alinhada contra a privatização da Copasa e da Cemig e a mineração predatória, em defesa dos serviços públicos e da reforma agrária. Nenhum Pacheco ou Kalil teria compromisso com um programa deste tipo.

Apesar da posição pela candidatura própria, o partido continua em compasso de espera, aguardando uma ordem de cima. Nomes estão sendo sondados, como Reginaldo Lopes ou Rogério Correia (deputados federais) e até mesmo a hoje pré-candidata ao Senado, Marília Campos. O nome que apresenta mais disposição é o da ex-reitora da UFMG, Sandra Goulart, que se colocou à disposição. Nada ainda está decidido. Os militantes do DAP seguem combatendo pela candidatura própria, defendendo essa posição em todos os lugares.

Juca Gonçalves

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