Antissionismo não é antissemitismo!

Em 16 de abril, dia nacional de lembrança do Holocausto, o Ministério das Relações Exteriores do governo Lula (ministro Mauro Vieira), realizou no Itamaraty o seminário “Enfrentamento do antissemitismo”.

Enquanto se empilham os cadáveres do genocídio em Gaza, dos ataques ao Irã e ao Líbano, instituições do governo brasileiro – apesar da correta posição do presidente Lula, que denunciou o genocídio em Gaza e a guerra promovida por Trump e Netanyahu –, realiza esta vergonhosa atividade de promoção do sionismo! Nenhuma voz de judeu ou não-judeu contrária ao sionismo teve lugar na atividade cujo objetivo era equivaler antissionismo e antissemitismo.

No vai e vem de acordos de cessar fogo que não são cumpridos, o que ressalta é que prossegue a guerra, que internamente nos Estados Unidos tem a face da violenta perseguição aos imigrantes. E no Estado Sionista, o aprofundamento da política que confina os palestinos à categoria de párias. O parlamento israelense (Knesset) aprovou em 30 de março, uma lei que estabelece a pena de morte por enforcamento, para crimes cometidos por palestinos, em particular na Cisjordânia onde a colonização sionista avança, mas não para israelenses autores de crimes equivalentes!

Fraude histórica

Esta atividade no Itamaraty reforça a fraude histórica que pretende equivaler a luta antissionista e ao antissemitismo. Não é um judeu, que por ser judeu, defenda os crimes de Netanyahu! Muitos judeus em todo mundo, em particular nos EUA (comunidade equivalente à de Israel) mas não só, levantam suas vozes contra o genocídio em Gaza. O sionismo não fala em nome dos judeus!

Os coletivos judaicos brasileiros, Árabes e Judeus pela Paz, Articulação Judaica de Esquerda e Vozes Judaicas por Libertação, em um manifesto explicaram porque não compareceriam no seminário:

Nossa ausência não é uma escolha. Tivemos nosso direito à fala bloqueado pela coordenação do evento, mesmo integrando o Grupo de Trabalho sobre Antissemitismo instituído pelo governo federal. Em reunião realizada em 14/04, no âmbito desse grupo, houve uma escuta da representação do Itamaraty, com proposta de garantir ao menos dez minutos de fala aos nossos coletivos — desconsiderada pela coordenação geral, por meio de Clara Ant [assessora do presidente Lula].

No manifesto, as entidades prosseguem: “O seminário foi estruturado sem uma real pluralidade. Privilegia organizações sionistas (inclusive aquelas que reiteradamente atacam o presidente Lula e seu governo, com posições alinhadas à extrema direita, como é o caso da CONIB -Confederação Israelita do Brasil) e exclui setores judaicos declaradamente solidários à Palestina. Com isso, reforça-se a falsa equivalência entre antissionismo e antissemitismo (…)  Nesse contexto, nos posicionamos contra iniciativas legislativas que buscam ampliar ou redefinir o conceito de antissemitismo de modo a restringir o debate público, como o projeto de lei apresentado pela deputada Tabata Amaral, que propõe a adoção da definição de antissemitismo da IHRA (International Holocaust Remembrance Alliance), amplamente criticada por especialistas, organizações de direitos humanos e acadêmicos por incluir exemplos que associam críticas ao Estado de Israel a formas de antissemitismo.”

No mesmo dia 16, depois de um protesto na frente do Itamaraty, o Comitê em Solidariedade ao Povo palestino de Brasília foi ao Congresso Nacional e entregou uma carta cobrando de todos parlamentares do campo progressista a retirada imediata das assinaturas ao PL de Tabata Amaral, “um PL que visa criminalizar a militância palestina”

Abaixo a guerra, viva os judeus e palestinos que buscam a paz! 

Misa Boito, Comitê Nacional do DAP

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